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Você Sabia?
Redescobrindo a África I-Ghana
O
Fabuloso Reino dos Mansas do Mali
Apartheid

Mama Africa
Mapa Político do Continente Africano
O Contin
ente é um dos maiores do planeta
O Ensino da
História Africana

Arte Tradicional em Angola
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Nomes Africanos e Significados


 

 


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Você sabia?


Que Hipócrates, o médico grego, é tido como fundador da medicina, quando dois milênios e meio antes os egípcios Atótis, Imhotep e seus sucessores desenvolviam os fundamentos de uma medicina objetiva e científica?
Que datado de 2.600 a.C.,o papiro Smith, contém capítulos sobre doenças intestinais, hemintiase, oftalmalogia, dermatologia, ginecologia, obstetria, diagnóstica de gravidez, odontologia, e o tratamento cirúrgico de abscessos, tumores, fraturas e queimaduras. Esses egípcios iniciavam o conhecimento da farmacologia, patologia e anatomia, das técnicas de assepsia, hemostasia por cauterização, suturas, antissepsia com sais minerais, e vários outros tratamentos e curas?
Que  Em 1879, um cirurgião inglês visitava a região do atual país de Uganda, e registrou uma cesariana feita por médicos do povo banyoro, demonstrando profundo conhecimento dos conceitos e técnicas de assepsia, anestesia, hemostasia, cauterização, e outros aspectos da medicina. Praticava-se a remoção de cataratas oculares através de cirurgias, e tumores cerebrais eram operados no Egito, há mais de quatro milênios?

Que a astronomia é um destaque do saber africano.Que no Quênia, encontram-se, ao lado do Lago Turkana, os restos de um observatório astronômico semelhante a Stonehenge, na Inglaterra.

Que um  sistema de calendário complexo e preciso foi desenvolvido até o primeiro milênio a.C. na África oriental, com base nos cálculos astronômicos.
Os dogon, que vivem nas terras do antigo império de Mali, perto da capital universitário de Timbuktu, detêm uma concepção moderna do universo e um conceito extremamente complexo da astronomia e que  desde há seis séculos, eles já conheciam o sistema solar, a Via Láctea com sua estrutura espiral, as luas de Júpiter, e os anéis de Saturno. Sabiam da natureza deserta e infecunda da lua, e muito antes que o ocidente conseguisse observá-lo com a ajuda de sofisticados aparelhos, conheciam o pequenino satélite da estrela Sírio, o Sírio B, invisível ao olho nu. Denominavam-no PoTolo, e desenhavam, com exata precisão, a sua órbita elítica em torno de Sírio. Projetaram corretamente a sua trajetória até o ano 1990, em desenhos que conferem precisamente com o curso projetado pela astronomia moderna?

Fonte:Sankofa:Memória e Resgate-Elisa Larkin
História da África Negra Joseph KI Zerbo vol 02




 

Redescobrindo a África I-Ghana

PHIL BARTHE-PHD -  UNIVERSIDADE DE GANA

         Na África pré-colonial em Gana a mulher protagonizava a organização jurídica, econômica, social e política. Ainda nos dias atuais a ancestralidade é traçada a parti da mãe e,ao contrario das sociedades patriarcas,a mulher exerce direitos como o de herdar e ser proprietária.

   COMUNIDADE AKAN EM GANA

Simbolismo Adinkra dos Akan

    Para entender sobre leis históricas entre os Akan, a cultura e língua dominante de Gana, é importante enteder que a matrilineariedade é á base da organização social, e a matrilineariedade trata primeiramente sobre a formação de grupos descendentes corporativos.

    Todo mundo pertence a uma linhagem materna, a mesma da sua mãe. Ninguém pertence à linhagem de seu pai ou cônjuge. É completamente diferente diferente do que se entende de “família” nos países ocidentais.O tamanho de cada corporação varia,vamos supor que a média é de 300 a 400 pessoas.Este grupos não são comuns ou igualitários,existe entre eles desigualdade de poder,prestígio e riqueza.
    Na aristocracia européia,sucessão é definida e normalmente recai no primeiro filho do falecido.Se um rei ou duque morre,seu filho mais velho passa a se o rei ou duque.Na sociedade matrilinear Akan não é automático.Se um chefe ou superior morre,o posto pertence à linhagem como uma corporação.Essa linhagem escolhe a pessoa mais adequada para ser o novo chefe ou superior.

    Novamente, a regulamentação de herança européia são como a sucessão e favorece ao filho mais velho. Novamente ao contrário,na linhagem materna dos Akans,o grupo herda a riqueza do falecido,e pode designar o seu uso,como exemplo,moradia de uma casa para vários membros.A esposa do falecido  não é membro da linhagem e não tem direito a herança.Os filhos homens não herdam,mesmo se o falecido deixou um testamento cedendo os seus bens para a esposa,a linhagem impugnaria o testamento e geralmente ganham tanto nos tribunais superiores como na justiça comum.Com exceção nas cidades,onde os terrenos podem ser alienados,as leis de Gana reconhecem as propriedades das terras aos grupos corporativos descendestes.Isto também se aplica aos grupos de minoria ética como os Ga-Adangbe e Ewe,de descendência partrilinear.

     Ser o primogênito não é vantagem na sociedade Akan.O perfeito é o terceiro.Se um individuo é o primogênito de um progenitor e terceiro de outro,eles irão dar ênfase ao terceiro e o indivíduo terá o nome Mensah ou Mansah que significa terceiro filho.A selva tropical onde hoje é Gana foi povoada pelos Gam patrilineares, que formaram federação independente,talvez nenhuma,de linhagem paterna.Os Akan expandiram de 700 a 1400 DC devido a sua descendência matrilinear,que permitia uma forma única de confederação em contraste com o Gam primitiva.A razão disto é que matrilineariedade não é uma imagem simétrica da patrilienalidade,e as mulheres se mantinham membros de sua linhagem após o casamento.

     Na corte de um chefe,o chefe era considerado “marido” de cada superior da corte.Cada superior,como o chefe,é representante de diferente matrilineariedade .A confederação é simbolizada e fortalecida ao entregar cada linhagem uma esposa ao chefe.Quando a esposa morre,sua linhagem é substituída.Quando o chefe morre,o novo chefe herda toda a herança de cada linhagem.

    Cada superior na corte do chefe representa um membro militar. Um era vanguarda,outro a retaguarda, um outro ala esquerda,outro ala direita,e muitos outro com funções específicas em tempo de guerra.

   Esta disposição, como um time de hockey ou futebol, significa uma força militar mais efetiva e contribuiu para o êxito dos Akan na floresta tropical e as sua guerras dos séculos XIX contra os britânicos.

    Cada linhagem é proprietária de um posto na corte dos chefes e normalmente é ocupado por homens. Mulheres não são proibidas de exercer a função,porem, não pode entrar nas salas de assento sagrados quando estiverem menstruadas,assim elas não ocupam este posto antes da menopausa.Não obstante,mulheres exercem um considerável poder nos assuntos  sobre linhagem,em especial sobre as mulheres mais velhas.Fazendo um paralelo é como um locutor de rádio ou um ator de cinema,onde o produtor que tem um enorme poder de decisão fica por trás enquanto o locutor e o ator ficam muito mais conhecidos pelo o publico.

    Historicamente, a corte dos chefes era o veículo de disputas. Com adição das leis e instituições,a maioria dos crimes foi transferida para os tribunais. A última execução em kwawu ocorreu antes da declaração da Independência de Ashanti em 1883,quando se converteu em protetorado.As cortes dos chefes ainda tratam dos litígios sobre casamento,descendência e terra.A parte de um caso julgado tem o direito de transferir o caso para um tribunal comum,mais a maioria prefere a corte dos chefes pela familiaridade,baixo custo e acesso fácil.Alguns advogados se movimentam entre as cortes dos chefes e o tribunal.O chefe geral de Kwawu,quando eu fiz minha pesquisa nos anos 60 e 70,Desabre Akuamoa Boateng,exercia direito em tema próximo a capital.O chefe Obo que me herdou,nana Asiamah II, foi um sargento da policia antes de antes de ser eleito a chefe.

     Quando se explica o funcionamento de tomada de decisão na corte de um chefe, é possível que um dos mais velhos levante as mãos. O dedo central representa o chefe.O indicador e o anular é o vanguarda,o polegar e o mínimo são os chefes da ala direita e esquerda.

   Falando por meio de um dos lingüistas (supõe que os chefes e os mais velhos estão possuídos pelos seus ancestrais e por isso são sagrados), um reclamante apresentará um caso na parte direita ou esquerda da corte, geralmente o que maior parentesco com ele. O acusado apresentará um caso no outro lado da corte.Os mais velho levantam de forma alternada de um lado e de outro,e argumentam a favor e contra.Cada idoso fala,os argumentos tendem tende a ser um compromisso expresso pelos idosos em sua manifestações.Por tanto, a decisão final é um consenso,é sancionada por um acordo espiritual dos antepassados.

  Isto pode suceder em uma vila ou nas altas hierarquias do estado. Em cada nível,se não houver uma decisão satisfatória,o reclamante ou o acusado pode levar o caso a instância  superior da corte do chefe.Cada instância   da corte é mais caro,porque mais carneiros são sacrificados e ofornecimento de álcool é mais caro.

   Quanto um cão fica parado na corte dos chefes ou desacelera o seu andamento por alta de informação genealógica, o tribunal é suspenso e os líderes avisam que irão consultar os antepassados. Muitos idosos voltam à casa de sua linhagem para comer, porque permanecem sentados por longas horas desde o amanhecer sem nada para sustentá-los a não ser os schnapps (para libação). Na casa de suas linhagem alguns consultam com a mulher mais velha da linhagem que geralmente tem o maior conhecimento sobre as linhas de descendência e parentesco.Desta forma as mulheres permanecem distantes,porem podem exercer uma considerável influência política.

   Vamos a um exemplo. No passado um homem podia ter uma escrava e um filho com ela. A escravidão era praticada muito antes do comércio escravo no Atlântico, e a escravidão não era uma instituição desumada opressiva criadas pelos os europeus no hemisfério oeste. Como na Grécia e no Egito antigo, um escravo podia alcançar um status alto, equivalente ao secretário permanente, ou como no Canadá, ministros adjuntos. O filho de uma escrava entraria em um grupo de descendências de uma linhagem materna, junto com todos com todos os descendentes de linhas femininas. Membros do grupo de linhagem não são eleitos para altos posto como a do idoso ou chefe. É proibido perguntar a alguém se tem status de escravo, e certamente não é permitido dizer que alguém tem status de escravo, os mais idosos não têm uma idéia concreta. Quando os mais velhos dão uma pausa para a consulta com os antepassados,alguns deles  perguntam suar mães e tias sobre os status das pessoas relevante ao caso,e a resposta irá influenciar na decisão da corte.

   Geralmente, em razão de experiência, a pessoa com status de escravo ocupará um posto de responsabilidade porque não há pessoas com status de pessoa livre. Somente as mulheres idosas sabem. Mais tarde, quando uma pessoa livre estiver disponível,os homens idosos ficam sabendo e haverá mudanças na decisão anterior. As mulheres detêm o poder pelos seus segredos e conselho aos mais velhos.

     Este tipo de flexibilidade não pode acontecer em um tribunal comum.

     Linhagem materna (é a forma de determinar a descendência) não é um matriarcado (poder automático para as mulheres). Não obstante,tal a qual praticado pelos Akans,a linhagem materna consede uma forma de poder  oculto para as mulheres,que se chama “ginocracia coberta”.

    Além disso, uma vez que as mulheres são importantes na continuação da linhagem, e tende ser mais independentes do controle de seus pais e maridos. Em comparação com a sociedade da Europa e do Oriente Médio,as mulheres Akan tem muito mais força e independência,tem sua própria fonte de riqueza no comércio e na agricultura.

    Quando os missionários Suíços chegaram a Gold Coast nos séculos XIX, seus objetivos eram muito mais que ensinar teologia do Cristianismo. Eles queriam remover a chefia, abolir as homenagens aos antepassados e descobrir a linhagem materna.

   A ocidentalização, até certo ponto, significa uma redução de status para as mulheres Akan. No entanto,a linhagem materna é muito forte.È exercida pelos escravos descendentes fugitivos no Caribe e Suriname.Continua existindo em Gana,apoiado pelas leis que reconhece os métodos  históricos de divisão de terras,que nas áreas Akans significa chefia e linhagem.Apesar do forte proselitismo dos missionários cristãos,e o desejo de imitar o Ocidente,a linhagem materna continua,junto com a chefia e o poder oculto das mulheres.

   Embora ainda exista desinformação sobre a história da África, por outro lado necessita mais pesquisa e divulgação das contribuições positivas da África e dos Africanos, e um melhor conhecimento das culturas e sociedades Africanas.


O FABULOSO REINO
DOS MANSAS DO MALI (1)

Prof. Maurício Waldman (2)

Raramente os livros didáticos de História registram fatos relacionados com a História da África Negra e, quando o fazem, é quase sempre no prisma da desqualificação e do preconceito. Uma das lacunas mais notórias é a relacionada com os grandes impérios negros que surgiram na faixa do Sahel. A palavra Sahel é proveniente do árabe, significando Borda do Deserto, que no caso é a do Saara.
A área caracteriza-se pela presença de vastas extensões de savanas, sendo conhecida como Sudão. Esta enorme porção da África presenciou, particularmente na sua porção ocidental, o surgimento de grandes Impérios, caso do Ghana, Mali e Songhai. Destes, o Mali ocupou uma posição de destaque.


O Mali era governado pelos Mansas, isto é, imperadores. Seu surgimento relaciona-se com os feitos que cercam a memória do primeiro Mansa, Sundjata Keita. A vitória de Sundjata sobre Suamoro Kantê, o Rei do Sosso, na Batalha de Kirina (1235 d.C.), foi o marco fundamental para a criação do Império, ampliado pelos seus sucessores, perdurando até o século XV.
O Mali tornou-se um poderoso Estado, configurando um respeitável arranjo territorial, alcançando o Atlântico e o curso médio do Níger no sentido Leste-Oeste, e o Saara e a Floresta Equatorial no sentido Norte-Sul.

O Império do Mali em
1350 e as fronteiras dos atuais Estados Africanos


As realizações do reinado de Sundjata (1230 e 1255 d.C.), foram preservadas graças ao trabalho dos griots. O griot corresponde aos contadores de histórias que imemorialmente percorrem a savana, na tarefa de transmitir ao povo os dados fundamentais da sua História.
O interesse pelo Império do Mali decorre, em particular, do fato deste Estado Africano ter constituído uma das mais notáveis construções políticas da História da Humanidade. O Império, drenado pelo curso de grandes rios (Senegal e Níger), espalhava-se pela Savana e partes do Saara e da floresta pluvial. Com base nesta posição geográfica, o Mali controlou um emaranhado de rotas comerciais, na direção da Guiné, do Sudão Oriental, do Magreb e do Egito, todas de antiguidade no mínimo remota.

Na direção do Golfo da Guiné, estes caminhos decorriam do velho comércio tradicional que associava a savana à floresta tropical e ao baixo Níger. Quanto às rotas que cruzavam o Saara, igualmente eram muito antigas. Pinturas rupestres assinalam contatos pré-históricos entre o Mediterrâneo e a África Negra. Isto posto, temos que o deserto jamais constituiu uma verdadeira barreira e, quando muito, exerceu apenas um papel de filtro.
No que diz respeito à vida urbana, a arqueologia comprova velha e florescente urbanização. A cidade de Djenne-Djeno, situada no vale do Níger, remonta, por exemplo, ao Século III a.C. e seus mercadores já transitavam desde os séculos V e VI d.C. no espaço da savana sudanesa.
O Mali, compreendendo no apogeu uma vasta extensão territorial, aglutinava células espaciais ajustadas a diferentes frações do meio ambiente, formando algo como um mosaico de recursos complementares. Além da agricultura, da criação, da pesca, da caça, do artesanato e do comércio, ganhou destaque a mineração do ouro, retirado dos fabulosos veios de Galam, do Burée e do Bambouk, suscitando no imaginário europeu a imagem de um Rei do Ouro: o Mansa do Mali.
Especialmente Mussa I, um sucessor de Sundjata, difundiu esta imagem pelo mundo árabe. Em sua peregrinação a Meca, Mussa I fez-se acompanhar de nada menos que 60.000 carregadores e de 500 servidores, todos com vestimentas recamadas de ouro, segurando cada um deles uma bengala também de ouro. No trajeto, este rei distribuiu tanto ouro que o preço do metal declinou em todo o mundo conhecido durante mais de dez anos!

Cresques (Séc. XIV)
O Mansa retratado no Atlas Catalão do cartógrafo judeu Abraham

Graças a sua prosperidade, o Mali alcançou uma população de 40/50 milhões de habitantes, que, segundo todos os informes, desconhecia a carestia. Mesmo em termos de uma demografia contemporânea, este contingente populacional é uma cifra nada desprezível.
No passado, o Egito e os Impérios Asteca, Romano e Chinês alcançaram, respectivamente nos seus momentos de apogeu, 15, 20, 100 e 200 milhões de habitantes. Por conseguinte, o Mali constituiu, pois, um bem sucedido "formigueiro humano" da Pré-Modernidade.
Outros fatos surpreendentes podem ainda ser registrados. O Mali, tendo no comércio uma de suas notas marcantes, não foi indiferente à navegação marítima. Comprovadamente, foram lançadas no Atlântico duas gigantescas expedições, formadas por 2.000 embarcações, que demandaram na direção do Oeste, ou seja, da América.
Mesmo que a possibilidade de terem alcançado ou não a América constitua alvo de controvérsias, o fato por si só evidencia o poderio e o talento organizacional de um Estado Tradicional Africano que a historiografia ocidental tem solenemente ignorado.
Outro aspecto é que, contrariando os veredictos que decretam como inviáveis os Estados pluriétnicos - dita que recai sobremaneira sobre os Estados da África Negra, o Mali é uma soberba demonstração de que Unidade e Diversidade não são incompatíveis. No Mali, coexistiram diversas etnias, cada uma delas com sua própria língua e cultura, mantendo durante mais de três séculos uma vida comum sob autoridade dos Mansas.
Este lapso de tempo, maior do que o da existência da maioria dos Estados Europeus de hoje, mostra que antes de se questionar a diversidade, o problema talvez resida na capacitação das estruturas políticas "mais avançadas" em assumirem a pluralidade.
E mais ainda, o quanto o passado dos povos do Terceiro Mundo pode constituir uma alavanca para repensar o presente, na direção de novas expectativas, anseios e esperanças!

(1) PARA SABER MAIS: Leia também Força Vital, Tempo e Espaço - A Topologia do Imaginário Africano Tradicional na Crônica "Griot" de Sundjata Keita (Maurício Waldman) publicado na Revista do Centro de Estudos Africanos da USP e acessível no endereço: http://www.mw.pro.br/mw/mw.php?p=p04_03_05&c=a

(2) Maurício Waldman é mestre em antropologia social com especialização na África Negra (FFLCH/USP. Desenvolve doutorado em Geografia na USP.

Website:
http://www.mw.pro.br/mw


Apartheid

A origem do apartheid foi na África do Sul, uma região dominada por colonizadores de origem inglesa e holandesa que, após a Guerra dos Boeres (1902) passaram a definir a política de segregação racial como uma das fórmulas para manterem o domínio sobre a população nativa. Esse regime de segregação racial - conhecido como apartheid - começou a ficar definido com a decretação do Ato de Terras Nativas e as Leis do Passe.
 
“O Ato de Terras Nativas” forçou o negro a viver em reservas especiais, criando uma gritante desigualdade na divisão de terras do país, já que esse grupo formado por 23 milhões de pessoas ocuparia 13% do território, enquanto os outros 87% das terras seriam ocupados pelos 4,5 milhões de brancos. A lei proibia que negros comprassem terras fora da área delimitada, impossibilitando-a de ascender economicamente ao mesmo tempo que garantia mão de obra barata para os latifundiários brancos.

 Nas cidades eram permitidos negros que executassem trabalhos essenciais, mas que viviam em áreas isoladas (guetos).

As “Leis do Passe” obrigava os negros a apresentarem o passaporte para poderem se locomover dentro do território, para obter emprego.
 
A partir de 1948, quando os Afrikaaners (brancos de origem holandesa) através do Partido Nacional assumiram o controle hegemônico da política do país, a segregação consolidou-se com a catalogação racial de toda criança recém nascida, com a Lei de Repressão ao Comunismo e com a formação dos Bantustões em 1951, que eram uma forma de dividir os negros em comunidades independentes, ao mesmo tempo em que estimulava-se a divisão tribal, enfraquecia-se a possibilidade de guerras contra o domínio da elite branca.

Mesmo assim a organização de mobilizações das populações negras tendeu a crescer: Em 1960 cerca de 10.000 negros queimaram seus passaportes no gueto de Sharpeville e foram violentamente reprimidos.
- greves e manifestações eclodiram em todo o país, combatidas pela com o exército nas ruas.
- ruptura com a Comunidade Britânica (1961)
- fundada a Lança da Nação, braço armado do CNA
- em 1963 Mandela foi preso e condenado a prisão perpétua.

 Década de 80 - apoio interno e externo à luta contra o Apartheid se intensificaram, destacando-se a figura de: Winnie Mandela e bispo Desmond Tutu.
Durante a década de 70 a radicalização aumentou, tanto com os atos de sabotagem por parte da guerrilha, como por parte de governo, utilizando-se de intensa repressão.
A ONU, apesar de condenar o regime sul-africano, não interveuo de forma efetiva, nesse sentido o boicote realizado por grandes empresas deveu-se à propaganda contrária que o comércio com a Africa do Sul representava.

A partir de 1989, após a ascensão de Frederick de Klerk ao poder, a elite branca começa as negociações que determinariam a legalização do CNA e de todos os grupos contrários ao apartheid e a libertação de Mandela. http://www.africamente.net/africamente , http://www.mulheresnegras.org/mocamb.html

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