Veja também em Saúde da População Negra
Subsídios para o debate sobre a
Política Nacional de Saúde da População Negra
Uma Questão de Equidade




PORTARIA Nº. 992, DE 13 DE MAIO DE 2009
Institui a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra

Anemia Falciforme
e Diagnóstico neonatal

Berenice Assumpção Kikuchi

Anemia Falciforme
A anemia Falciforme, com prevalência de 1 em cada 500 nascidos vivos nos afrodescendentes, é uma doença genética incurável, autolimitante e com alto índice de mortalidade.

A doença é hereditária, causada por um gene recessivo que pode ser encontrado na população brasileira em freqüências que variam de 2,0% a 6,0%. Quando se consideram só os afrodescendentes, a freqüência pode variar de 6,0% a 10,0%, Ministério da Saúde, 96.

Essas pessoas têm apenas um gene para a doença. Não apresentam manifestações clínicas e são chamadas de portadoras do traço falciforme. Quando indivíduos com essa condição genética unem-se, têm 25,0% de chances, a cada gestação de gerarem filhos com anemia Falciforme. Acreditam ser uma fatalidade, não o resultado de suas combinações genéticas. Assim, o casal pode ter vários filhos com a mesma doença.

As pessoas com Anemia Falciforme produzem glóbulos vermelhos deformados, em forma de foice que obstruem o sistema circulatório e causam microinfartos em diferentes partes do corpo, comprometendo progressivamente vários órgãos. Estes processos de vaso-oclusão são chamados de crises de falcização, acompanhados de crise de dor que podem durar horas ou dias. O baço, também, é atingido, comprometendo o sistema de defesa realizado por este órgão, deixando estes doentes mais suscetíveis a infecções. A fase mais crítica da doença é até os cinco anos de idade.

Sinais e Sintomas
Anemia crônica: em razão da destruição precoce das hemácias.

Crises dolorosas; ossos, músculos e articulações em razão da vaso-oclusão com redução do fluxo de sangue e oxigênio nos tecidos e órgãos.

Palidez, cansaço fácil por causa da redução de oxigênio.

Icterícia: cor amarelada mais visível no branco dos olhos, pelo excesso de bilirrubina no sistema circulatório, resultante da destruição rápida das hemácias.

Nas crianças, pode haver inchaço muito doloroso nas mãos e pés, (síndrome mão e pé), em razão da inflamação dos tecidos moles que envolvem as articulações do punho, tornozelo, dedos e artelhos.

Seqüestro esplênico ( acumulo de sangue no baço), palidez intensa, aumento do baço, desmaio, pela retenção de grande volume de sangue no baço (emergência).

Retardo do crescimento e maturação sexual pela presença da anemia, infecções e interferência na produção hormonal.

Úlceras (feridas), sobretudo, nas pernas, iniciam-se na adolescência e tendem a cronificar, em razão da viscosidade do sangue e má circulação periférica.

Infecções: devida da perda da função do baço. Maior suscetibilidade em crianças até cinco anos de idade.

Priapismo (ereção dolorosa e prolongada do pênis) por oclusão dos vasos que irrigam o pênis, pode ocorrer em crianças ou adultos (KIKUCHI, 1994, p.2).

Diagnóstico neonatal e Anemia Falciforme

Diagnóstico neonatal é um conjunto de exames que são realizados nos bebês após 24hs de nascido e menos de trinta dias de vida. A amostra de sangue é coletada em papel filtro a partir de puntura no calcanhar e, por esta razão, ficou conhecido como teste do pezinho. O papel filtro é a forma de transportar sangue seco da unidade de coleta ao laboratório de referência onde será eluído voltando a forma líquida.

Este exame foi implantado no Brasil há alguns anos, para dois tipos de doença: fenilcetonuria e hipotiroidismo. A técnica para diagnóstico da anemia falciforme a partir de sangue coletado em papel filtro iniciou no Brasil em 1998, ao ser implantado no Estado de Minas Gerais. Como equipamento e insumos não são produzidos no Brasil, apenas alguns laboratórios vinham investindo na sua capacidade operacional para a realização do exame para anemia falciforme. A partir de junho de 2001, o Ministério da Saúde vem disciplinando a implantação e implementação do diagnóstico neonatal a nível nacional, com a inclusão do exame que detectar Anemia Falciforme e outras hemoglobinopatias. KIKUCHI, 2003. Em algumas cidades o exame para Anemia Falciforme já foi incluído ao teste do pezinho, portanto, é importante que as pessoas sejam orientadas e assinem seu consentimento para a realização dos exames que serão realizados a partir do sangue colhido do bebê. Em caso de resultado positivo, anemia Falciforme ou Traço Falciforme a família deverá ser chamada para orientação genética e o mesmo exame deverá ser oferecido aos pais e irmãos, abrindo assim uma janela genética. Caso o casal seja portador de Traço Falciforme este deverá ser encaminhado para o planejamento familiar e ter garantia de receber o método escolhido. Cabe a instituição que realizou o exame diagnóstico encaminhar a criança com Anemia Falciforme para um centro de tratamento hematológico com experiência em atender doente falciforme. Geralmente, estes retornos ocorrem trimestralmente. O acompanhamento de rotina deve ser feito pelo pediatra da unidade básica de saúde. A doença ainda não tem cura. Daí, a importância de acompanhamento médico regular, vacinação de rotina e as especificas para reduzir as infecções por pneumococos e suporte aos familiares para um convívio mais positivo com a doença. Desta forma é possível dar a estas crianças uma melhor qualidade de vida, enquanto os cientistas trabalham em busca da cura.

Educação para saúde
Informe-se no serviço de saúde de sua cidade se o exame que detecta anemia falciforme já esta incluído ao teste do pezinho.

Todas as pessoas independente da sua cor de pele, se o desejarem, devem fazer o exame eletroforese de hemoglobina antes de gerarem um filho.

Todos cidadãos que submetem-se a uma coleta de material orgânico, tem direito de saber detalhadamente quais os exames que serão realizado a partir da amostra colhida e registrar por meio de assinatura o seu consentimento.

Na população brasileira de cada cem pessoas, três possuem o traço genético. Dependendo da região do Brasil, este índice pode chegar a 10,0%.

Se você tem um filho, parentes ou amigos com a doença falciforme, eles precisam de cuidados médicos pelo resto de suas vidas. Incentive-os a ir ao médico hematologista, mesmo que não tenham muitas complicações clínicas, o controle médico é muito importante.

A média de vida dos doentes falciformes no Brasil é muito baixa em torno de l8 anos, AMARO,1996. Você pode ajudar a melhorar este índice. Amplie esta discussão em seu bairro, converse com os profissionais de saúde. Nos Estados Unidos e Cuba a média é de 42 anos para homens e 47 para mulheres.

Um casal que tenha um filho com anemia falciforme poderá ter outros filhos com a doença. Torna-se importante receber orientação genética, participar do planejamento familiar e ter garantia de receber o método escolhido.

Crianças com Anemia Falciforme, com febre de 38,5º, precisam de atenção médica de urgência com investigação minuciosa de provável foco infeccioso. Elas podem desenvolver septicemia, infecção generalizada e morrer em menos de 24 horas.

A criança com anemia falciforme deve ser encorajada a participar de todas as atividades escolares e familiar; poupá-la ou encará-la como doente não vai ajudar a prepará-la para a vida.

Ela precisa de desafios para sentir-se integrada a seu meio, vivendo a infância e adolescência com os mesmos interesses, desafios e problemas que seus colegas, para que seu aprendizado na família e na escola o prepare para a vida.

Bibliografia

1-Amaro ,Luiz Alves
Estudo da Mortalidade por Anemia Falciforme
IESUS,V ( 4 ) out/dez 1996

2-Kikuchi, Berenice Assumpção
Anemia Falciforme um Problema Nosso
Cartilha- Associação Ogban e Hemocentro de São Paulo
ano 1994

3-Kikuchi, Berenice Assumpção
Anemia Falciforme manual para agentes de saúde e educação
Editora Health – 2º edição - Belo Horizonte –2003

4-Ministério da Saúde
A Saúde da População Negra
Relatório Final – Brasília – 1996

Prof. Berenice Assumpção Kikuchi
Enfermeira de saúde publica; Pesquisadora em anemia falciforme; Presidente fundadora da Associação de Anemia Falciforme do Estado de São Paulo

Endereço para correspondência
Rua Boacica 422 – Cidade Patriarca – São Paulo – SP
CEP –03550-050
Tel/fax 6957- 6783
Anemiafalciforme@terra.com.br

Nº 90, quinta-feira, 14 de maio de 2009 31 1 ISSN 1677-7042
GABINETE DO MINISTRO
PORTARIA Nº. 992, DE 13 DE MAIO DE 2009
Institui a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra

O MINISTRO DE ESTADO DA SAÚDE, no uso das atribuições que lhe conferem os incisos I e II do parágrafo único do art.87 da Constituição, e Considerando a diretriz do Governo Federal de reduzir as iniquidades por meio da execução de políticas de inclusão social;
Considerando os compromissos sanitários prioritários nos Pactos pela Vida, em Defesa do SUS e de Gestão, pactuados entre as esferas de governo na consolidação do SUS, visando qualificar a gestão e as ações e serviços do sistema de saúde;
Considerando o caráter transversal das ações de saúde da população negra e o processo de articulação entre as Secretarias e órgãos vinculados ao Ministério da Saúde e as instâncias do Sistema Único de Saúde - SUS, com vistas à promoção de equidade;
Considerando que esta Política foi aprovada no Conselho Nacional de Saúde - CNS e pactuada na Reunião da Comissão Intergestores Tripartite - CIT;
Considerando a instituição do Comitê Técnico de Saúde da População Negra pelo Ministério da Saúde, por meio da Portaria n° 1.678/GM, de 13 de agosto de 2004, que tem a finalidade de promover a equidade e igualdade racial voltada ao acesso e à qualidade nos serviços de saúde, à redução da morbimortalidade, à produção de conhecimento e ao fortalecimento da consciência sanitária e da participação da população negra nas instâncias de controle social no SUS; e
Considerando o Decreto n° 4.887, de 20 de novembro de 2003, que cria o Programa Brasil Quilombola, com o objetivo de garantir o desenvolvimento social, político, econômico e cultural dessas comunidades, e conforme preconizado nos arts. 215 e 216 da Constituição, no art. 68 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias - ADCT e na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho - OIT, resolve:
rt. 1º Instituir a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra.

Art. 2º A Secretaria de Gestão Estratégica e Participativa - SGEP articulará no âmbito do Ministério Saúde, junto às suas Secretarias e seus órgãos vinculados, a elaboração de instrumentos com orientações específicas, que se fizerem necessários à implementação
desta Política.

Art. 3° Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação.
JOSÉ GOMES TEMPORÃO

ANEXO
POLÍTICA NACIONAL DE SAÚDE INTEGRAL DA POPULAÇÃO NEGRA
Capítulo I

DOS PRINCÍPIOS GERAIS
1. Princípios Gerais A Constituição de 1988 assumiu o caráter de Constituição Cidadã, em virtude de seu compromisso com a criação de uma nova ordem social. Essa nova ordem tem a seguridade social como "um Ministério da Saúde conjunto integrado de ações de iniciativa dos Poderes Públicos e da sociedade, destinadas a assegurar os direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência social" (BRASIL, 1988, art. 194). Esta Política está embasada nos princípios constitucionais de cidadania e dignidade da pessoa humana (BRASIL, 1988, art. 1o, inc. II e III), do repúdio ao racismo (BRASIL, 1988, art. 4o, inc. VIII), e da igualdade (BRASIL, art. 5o, caput). É igualmente coerente com o objetivo fundamental da República Federativa do Brasil de "promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação" (BRASIL, 1988, art. 3o, inc. IV). Reafirma os princípios do Sistema Único de Saúde - SUS, constantes da Lei no 8.080, de 19 de setembro de 1990, a saber: a) a universalidade do acesso, compreendido como o "acesso garantido aos serviços de saúde para toda população, em todos os níveis de assistência, sem preconceitos ou privilégios de qualquer espécie"; b) a integralidade da atenção, "entendida como um conjunto articulado e contínuo de ações e serviços preventivos e curativos, individuais e coletivos, exigido para cada caso, em todos os níveis de complexidade do sistema"; c) a igualdade da atenção à saúde; e d) a descentralização político-administrativa, com direção única em cada esfera de governo (BRASIL, 1990a, art. 7o, inc. I, II, IV IX). A esses vêm juntar-se os da participação popular e do controle social, instrumentos fundamentais para a formulação, execução,avaliação e eventuais redirecionamentos das políticas públicas de saúde. Constituem desdobramentos do princípio da "participação da comunidade" (BRASIL, 1990a, art. 7o, inciso VIII) e principal objeto da Lei no 8.142, de 28 de dezembro de 1990, que instituiu as conferências e conselhos de saúde como órgãos colegiados de gestão do SUS, com garantia de participação da comunidade (BRASIL, 1990b). Igualmente importante é o princípio da equidade. A iniqüidade racial, como fenômeno social amplo, vem sendo combatida pelas políticas de promoção da igualdade racial, regidas pela Lei no 10.678/03, que criou a SEPPIR. Coerente com isso, o princípio da igualdade, associado ao objetivo fundamental de conquistar uma sociedade livre de preconceitos na qual a diversidade seja um valor, deve desdobrar-se no princípio da equidade, como aquele que embasa a promoção da igualdade a partir do reconhecimento das desigualdades e da ação estratégica para superá-las. Em saúde, a atenção deve ser entendida como ações e serviços priorizados em razão de situações de risco e condições de vida e saúde de determinados indivíduos e grupos de população. O SUS, como um sistema em constante processo de aperfeiçoamento, na implantação e implementação do Pacto pela Saúde, instituído por meio da Portaria no 399, de 22 de fevereiro de 2006, compromete-se com o combate às iniquidades de ordem sócio-econômica e cultural que atingem a população negra brasileira (BRASIL, 2006). Cabe ainda destacar o fato de que esta Política apresenta como princípio organizativo a transversalidade, caracterizada pela complementaridade, confluência e reforço recíproco de diferentes políticas de saúde. Assim, contempla um conjunto de estratégias que resgatam a visão integral do sujeito, considerando a sua participação no processo de construção das respostas para as suas necessidades, bem como apresenta fundamentos nos quais estão incluídas as várias fases do ciclo de vida, as demandas de gênero e as questões relativas à orientação sexual, à vida com patologia e ao porte de deficiência temporária ou permanente. 2. Marca Reconhecimento do racismo, das desigualdades étnico-raciais e do racismo institucional como determinantes sociais das condições de saúde, com vistas à promoção da equidade em saúde.

Capítulo II
DAS DIRETRIZES GERAIS E OBJETIVOS
1. Diretrizes Gerais:
I - inclusão dos temas Racismo e Saúde da População Negra nos processos de formação e educação permanente dos trabalhadores da saúde e no exercício do controle social na saúde;
II - ampliação e fortalecimento da participação do Movimento Social Negro nas instâncias de controle social das políticas de saúde, em consonância com os princípios da gestão participativa do SUS, adotados no Pacto pela Saúde;
III - incentivo à produção do conhecimento científico e tecnológico em saúde da população negra;
IV - promoção do reconhecimento dos saberes e práticas populares de saúde, incluindo aqueles preservados pelas religiões de matrizes africanas;
V - implementação do processo de monitoramento e avaliação das ações pertinentes ao combate ao racismo e à redução das desigualdades étnico-raciais no campo da saúde nas distintas esferas de governo; e Nº 90, quinta-feira, 14 de maio de 2009 32 1 ISSN 1677 7042
VI - desenvolvimento de processos de informação, comunicação e educação, que desconstruam estigmas e preconceitos, fortaleçam uma identidade negra positiva e contribuam para a redução das vulnerabilidades.
2. Objetivo Geral
Promover a saúde integral da população negra, priorizando a redução das desigualdades étnico-raciais, o combate ao racismo e à discriminação nas instituições e serviços do SUS.
3. Objetivos Específicos:
I - garantir e ampliar o acesso da população negra residente em áreas urbanas, em particular nas regiões periféricas dos grandes centros, às ações e aos serviços de saúde;
II - garantir e ampliar o acesso da população negra do campo e da floresta, em particular as populações quilombolas, às ações e aos serviços de saúde;
III - incluir o tema Combate às Discriminações de Gênero e Orientação Sexual, com destaque para as interseções com a saúde da população negra, nos processos de formação e educação permanente dos trabalhadores da saúde e no exercício do controle social;
IV - identificar, combater e prevenir situações de abuso, exploração e violência, incluindo assédio moral, no ambiente de trabalho;
V - aprimorar a qualidade dos sistemas de informação em saúde, por meio da inclusão do quesito cor em todos os instrumentos de coleta de dados adotados pelos serviços públicos, os conveniados ou contratados com o SUS;
VI - melhorar a qualidade dos sistemas de informação do SUS no que tange à coleta, processamento e análise dos dados desagregados por raça, cor e etnia;
VII - identificar as necessidades de saúde da população negra do campo e da floresta e das áreas urbanas e utilizá-las como critério de planejamento e definição de prioridades;
VIII - definir e pactuar, junto às três esferas de governo, indicadores e metas para a promoção da equidade étnico-racial na saúde;
IX - monitorar e avaliar os indicadores e as metas pactuados para a promoção da saúde da população negra visando reduzir as iniquidades macrorregionais, regionais, estaduais e municipais;
X - incluir as demandas específicas da população negra nos processos de regulação do sistema de saúde suplementar;
XI - monitorar e avaliar as mudanças na cultura institucional, visando à garantia dos princípios anti-racistas e não-discriminatório;e
XII - fomentar a realização de estudos e pesquisas sobre racismo e saúde da população negra.
Capítulo III
DAS ESTRATÈGIAS E RESPONSABILIDADES DAS ESFERAS DE GESTÃO
1.      Estratégias de Gestão(*):
I - implementação das ações de combate ao racismo institucional e redução das iniquidades raciais, com a definição de metas específicas no Plano Nacional de Saúde e nos Termos de Compromisso de Gestão;
II - desenvolvimento de ações específicas para a redução das disparidades étnico-raciais nas condições de saúde e nos agravos, considerando as necessidades locorregionais, sobretudo na morbimortalidade materna e infantil e naquela provocada por: causas violentas; doença falciforme; DST/HIV/aids; tuberculose; hanseníase; câncer de colo uterino e de mama; transtornos mentais;
III - fortalecimento da atenção à saúde integral da população negra em todas as fases do ciclo da vida, considerando as necessidades específicas de jovens, adolescentes e adultos em conflito com a lei;
IV - estabelecimento de metas específicas para a melhoria dos indicadores de saúde da população negra, com especial atenção para as populações quilombolas;
V - fortalecimento da atenção à saúde mental das crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos negros, com vistas à qualificação da atenção para o acompanhamento do crescimento, desenvolvimento e envelhecimento e a prevenção dos agravos decorrentes dos efeitos da discriminação racial e exclusão social;
VI - fortalecimento da atenção à saúde mental de mulheres e homens negros, em especial aqueles com transtornos decorrentes do uso de álcool e outras drogas;
VII - qualificação e humanização da atenção à saúde da
mulher negra, incluindo assistência ginecológica, obstétrica, no puerpério, no climatério e em situação de abortamento, nos Estados e Municípios;
VIII - articulação e fortalecimento das ações de atenção às pessoas com doença falciforme, incluindo a reorganização, a qualificação e a humanização do processo de acolhimento, do serviço de dispensação na assistência farmacêutica, contemplando a atenção diferenciada
na internação;
IX - inclusão do quesito cor nos instrumentos de coleta de dados nos sistemas de informação do SUS;
X - incentivo técnico e financeiro à organização de redes integradas de atenção às mulheres negras em situação de violência sexual, doméstica e intrafamiliar;
XI - implantação e implementação dos Núcleos de Prevenção à Violência e Promoção da Saúde, nos Estados e Municípios, conforme a Portaria MS/GM no 936, de 19 de maio de 2004, como meio de reduzir a vulnerabilidade de jovens negros à morte, traumas ou
incapacitação por causas externas (BRASIL, 2004a);
XII - elaboração de materiais de informação, comunicação e educação sobre o tema Saúde da População Negra, respeitando os diversos saberes e valores, inclusive os preservados pelas religiões de matrizes africanas;
XIII - fomento à realização de estudos e pesquisas sobre o acesso da referida população aos serviços e ações de saúde;
XIV - garantia da implementação da Portaria Interministerial
MS/SEDH/SEPM no 1.426, de 14 de julho de 2004, que aprovou as diretrizes para a implantação e implementação da atenção à saúde dos adolescentes em conflito com a lei, em regime de internação e internação provisória, no que diz respeito à promoção da equidade (BRASIL, 2004b);
XV - articulação desta Política com o Plano Nacional de Saúde no Sistema Penitenciário, instituído pela Portaria Interministerial MS/MJ no 1.777, de 9 de setembro de 2003 (BRASIL, 2003b);
XVI - articulação desta Política com as demais políticas de saúde, nas questões pertinentes às condições, características e especificidades da população negra;
XVII - apoio técnico e financeiro para a implementação desta Política, incluindo as condições para: realização de seminários, oficinas, fóruns de sensibilização dos gestores de saúde; implantação e implementação de comitês técnicos de saúde da população negra ou
instâncias similares, nos Estados e Municípios; e formação de lideranças negras para o exercício do controle social; e
XVIII - estabelecimento de acordos e processos de cooperação nacional e internacional, visando à promoção da saúde integral da população negra nos campos da atenção, educação permanente e pesquisa. * Em virtude de seu caráter transversal, todas as estratégias de gestão assumidas por esta Política devem estar em permanente interação com as demais políticas do MS relacionadas à promoção da Saúde, ao controle de agravos e à atenção e cuidado em saúde.
2. Responsabilidades das Esferas de Gestão
2.1. Gestor Federal:
I - implementação desta Política em âmbito nacional;
II - definição e gestão dos recursos orçamentários e financeiros para a implementação desta Política, pactuadas na Comissão Intergestores Tripartite - CIT;
III - garantia da inclusão desta Política no Plano Nacional de Saúde e no Plano Plurianual - PPA setorial;
IV - coordenação, monitoramento e avaliação da implementação desta Política, em consonância com o Pacto pela Saúde;
V - garantia da inclusão do quesito cor nos instrumentos de coleta de dados nos sistemas de informação do SUS;
VI - identificação das necessidades de saúde da população negra e cooperação técnica e financeira com os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, para que possam fazer o mesmo, considerando as oportunidades e os recursos;
VII - apoio técnico e financeiro para implantação e implementação de instâncias de promoção de equidade em saúde da população negra no Distrito Federal, nos Estados e nos Municípios;
VIII - garantia da inserção dos objetivos desta Política nos processos de formação profissional e educação permanente de trabalhadores da saúde, em articulação com a Política Nacional de Educação Permanente em Saúde, instituída pela Portaria GM/MS no
1.996, de 20 de agosto de 2007 (BRASIL, 2007);
IX - adoção do processo de avaliação como parte do planejamento e implementação das iniciativas de promoção da saúde integral da população negra, garantindo tecnologias adequadas;
X - estabelecimento de estruturas e instrumentos de gestão e indicadores para monitoramento e avaliação do impacto da implementação desta Política;
XI - fortalecimento da gestão participativa, com incentivo à participação popular e ao controle social;
XII - definição de ações intersetoriais e pluri-institucionais de promoção da saúde integral da população negra, visando à melhoria dos indicadores de saúde dessa população;
XIII - apoio aos processos de educação popular em saúde pertinentes às ações de promoção da saúde integral da população negra;
XIV - elaboração de materiais de divulgação visando à socialização da informação e das ações de promoção da saúde integral da população negra;
XV - estabelecimento de parcerias governamentais e nãogovernamentais para potencializar a implementação das ações de promoção da saúde integral da população negra no âmbito do SUS;
XVI - estabelecimento e revisão de normas, processos e procedimentos, visando à implementação dos princípios da equidade e humanização da atenção e das relações de trabalho; e
XVII - instituição de mecanismos de fomento à produção de conhecimentos sobre racismo e saúde da população negra.
2.2 Gestor Estadual:
I - apoio à implementação desta Política em âmbito nacional;
II - definição e gestão dos recursos orçamentários e financeiros para a implementação desta Política, pactuadas na Comissão Intergestores Bipartite - CIB;
III - coordenação, monitoramento e avaliação da implementação desta Política, em consonância com o Pacto pela Saúde, em âmbito estadual;
IV - garantia da inclusão desta Política no Plano Estadual de Saúde e no PPA setorial estadual, em consonância com as realidades locais e regionais;
V - identificação das necessidades de saúde da população negra no âmbito estadual e cooperação técnica e financeira com os Municípios, para que possam fazer o mesmo, considerando as oportunidades e recursos;
VI - implantação e implementação de instância estadual de promoção da equidade em saúde da população negra;
VII - apoio à implantação e implementação de instâncias municipais de promoção da equidade em saúde da população negra;
VIII - garantia da inserção dos objetivos desta Política nos processos de formação profissional e educação permanente de trabalhadores da saúde, em articulação com a Política Nacional de Educação Permanente em Saúde, instituída pela Portaria GM/MS no
1.996, de 20 de agosto de 2007 (BRASIL, 2007);
IX - estabelecimento de estruturas e instrumentos de gestão e indicadores para monitoramento e avaliação do impacto da implementação desta Política;
X - elaboração de materiais de divulgação visando à socialização da informação e das ações de promoção da saúde integral da população negra;
XI - apoio aos processos de educação popular em saúde, referentes às ações de promoção da saúde integral da população negra;
XII - fortalecimento da gestão participativa, com incentivo à participação popular e ao controle social;
XIII - articulação intersetorial, incluindo parcerias com instituições governamentais e não-governamentais, com vistas a contribuir no processo de efetivação desta Política; e
XIV - instituição de mecanismos de fomento à produção de conhecimentos sobre racismo e saúde da população negra.
2.3 Gestor Municipal
I - implementação desta Política em âmbito municipal;
II - definição e gestão dos recursos orçamentários e financeiros para a implementação desta Política, pactuadas na Comissão Intergestores Bipartite - CIB;
III - coordenação, monitoramento e avaliação da implementação desta Política, em consonância com o Pacto pela Saúde;
IV - garantia da inclusão desta Política no Plano Municipal de Saúde e no PPA setorial, em consonância com as realidades e necessidades locais;
V - identificação das necessidades de saúde da população negra no âmbito municipal, considerando as oportunidades e recursos;
VI - implantação e implementação de instância municipal de promoção da equidade em saúde da população negra;
VII - estabelecimento de estruturas e instrumentos de gestão e indicadores para monitoramento e avaliação do impacto da implementação desta Política;
VIII - garantia da inserção dos objetivos desta Política nos processos de formação profissional e educação permanente de trabalhadores da saúde, em articulação com a Política Nacional de Educação Permanente em Saúde, instituída pela Portaria GM/MS No-
1.996, de 20 de agosto de 2007 (BRASIL, 2007);
IX - articulação intersetorial, incluindo parcerias com instituições governamentais e não-governamentais, com vistas a contribuir no processo de implementação desta Política;
X - fortalecimento da gestão participativa, com incentivo à participação popular e ao controle social;
XI - elaboração de materiais de divulgação visando à socialização da informação e das ações de promoção da saúde integral da população negra;
XII - apoio aos processos de educação popular em saúde pertinentes às ações de promoção da saúde integral da população negra; e
XIII - instituição de mecanismos de fomento à produção de conhecimentos sobre racismo e saúde da população negra.



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