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Introdução
Rainhas Candaces -África
TIYE A Rainha Núbia do Egito
Hatshepsut-África
NEFERTARI Rainha Nubia
DAHIA-AL KAHINA-África
Yaa Asantewa -África
Rainha de Sabá-África
CLEÓPATRA VII
Rainha Nzinga -África
NANDI Rainha da Terra Zulu
Winnie Mandela- África
Entrevista c/Nomsa Mbatha da Africa do Sul
Angela Davis-EUA
Nina_Simone -EUA
Rosa Parks-EUA
Escritoras Negras Africanas Contemporâneas


Introdução

MAYA ANGELOU - AINDA ASSIM, EU ME LEVANTO

Você pode me riscar da História
Com mentiras lançadas ao ar.
Pode me jogar contra o chão de terra,
Mas ainda assim, como a poeira, eu vou me levantar.

Minha presença o incomoda?
Por que meu brilho o intimida?
Porque eu caminho como quem possui
Riquezas dignas do grego Midas.

Como a lua e como o sol no céu,
Com a certeza da onda no mar,
Como a esperança emergindo na desgraça,
Assim eu vou me levantar.

Você não queria me ver quebrada?
Cabeça curvada e olhos para o chão?
Ombros caídos como as lágrimas,
Minha alma enfraquecida pela solidão?

Meu orgulho o ofende?
Tenho certeza que sim
Porque eu rio como quem possui
Ouros escondidos em mim.

Pode me atirar palavras afiadas,
Dilacerar-me com seu olhar,
Você pode me matar em nome do ódio,
Mas ainda assim, como o ar, eu vou me levantar.

Minha sensualidade incomoda?
Será que você se pergunta
Porquê eu danço como se tivesse
Um diamante onde as coxas se juntam?

Da favela, da humilhação imposta pela cor
Eu me levanto
De um passado enraizado na dor
Eu me levanto
Sou um oceano negro, profundo na fé,
Crescendo e expandindo-se como a maré.

Deixando para trás noites de terror e atrocidade
Eu me levanto
Em direção a um novo dia de intensa claridade
Eu me levanto
Trazendo comigo o dom de meus antepassados,
Eu carrego o sonho e a esperança do homem escravizado.
E assim, eu me levanto
Eu me levanto
Eu me levanto.

Maya Angelou – poetisa afro-americana.08



Você sabia que:

Além de partilhar com Osíris do poder no âmbito político e religioso,Isis ensina ao povo a filosofia do Ma’at - justiça, verdade e direito, matriz ética da nação?
Que as rainhas-mães africanas se estabelecem na antiga Núbia com a linhagem das Candaces, que reinavam por direito próprio e não na qualidade de esposas, exercendo o poder civil e militar?
Que em Angola a Rainha N’Zinha, contemporânea de Zumbi dos Palmares resistiu aos dominadores portugueses e holandeses?
Que as tecnologias de mineração e metalurgia, a agricultura e a criação de gado, as ciências, a medicina, a matemática, a engenharia, a astronomia, enfim, todo um cabedal de reflexão e conhecimento caracterizava o desenvolvimento dos estados africanos? 

Eva Mitocondrial e Mães Africanas
Eva Mitocondrial -DNA mitocondrial e a evolução humana“Mitochondrial DNA and human evolution” - De Rebecca Cann da Universidade do Havaí, juntamente com Mark Stoneking e Allan Wilson, de Berkeley.
Escrito em 01 de janeiro de 1987 -O artigo anunciou a descoberta impressionante de que todas as pessoas na Terra vivas atualmente herdaram seus genes mitocondriais de apenas uma mulher, que viveu na África há aproximadamente 200.000 anos,ao analisar o material hereditário (DNA) carregado pela mitocôndria – a geradora de energia da célula. As mitocôndrias são herdadas apenas pela linha materna.A partir da seleção de mitocôndrias de pessoas representando todas as raças existentes e todas as regiões geográficas já descobertas Rebecca Cann mostra que a partir de muitos milhares de mulheres daquela geração remota que passaram seus genes nucleares até nós (ou seja, mulheres que de fato foram ancestrais das pessoas vivas hoje em dia), apenas uma teve sucesso em passar adiante suas mitocôndrias em linhagem contínua até o presente .Íntegra em http://www.str.com.br/Scientia/eva.htmma
Mães Africanas
Grandes Mães ou divindades femininas no Continente Africanos, existem desde o princípio do mundo. Elas vieram de todos os horizontes e são eleitas estrelas guias de todos os lugares, onde são identificadas pelo seu direito e destino de serem Mães.A maioria das sociedades de linhagem da África pré-colonial era matrilinear.
Isso significa, que esses agrupamentos humanos tinham as mulheres no poder. Quando um homem, de outra linhagem, pretendia desposar uma mulher desse tipo de linhagem, ele se mudava definitivamente para esta sociedade e passava a viver sob as regras desse novo grupo. A preferência era que o novo casal tivesse filhos do sexo feminino, a fim de fortalecer a linhagem.
Assim sendo, o território era matrilocal, a sucessão era matrilinear e o poder era matriarcal. Os rituais de iniciação, de passagem e cerimônias outras, eram comandadas pelas mulheres – sacerdotisas, anciães, guardiãs dos conhecimentos e segredos. A essa transmissão de conhecimento, podemos nominar de educação.
Os valores recebidos de nossas mães negras está baseada na filosofia africana, que envolve a vida em todas as suas dimensões:
A Fé ,a maneira de se relacionar com o sobrenatural, com outras dimensões da existência humana e com a natureza.
A sabedoria dos ancestrais e dos antepassados.
A inteligência,para saber ler os acontecimentos e distinguir o bem e o mal.
A coragem ,para descobrir suas próprias potencialidades – suas competências, seus valores, sua dignidade sendo negro.
A força ,para enfrentar a vida cotidiana e ter confiança que a proteção dos Orixás, Inquinces, Voduns e Caboclos vai nos apoiar e nos orientar.
A segurança no relacionamento com as heranças dos nossos antepassados, dos nossos ancestrais, o que significa ter firmeza na prática e no cultivo de nossos princípios, nossos valores, nossas lições, nossas experiências.
Mães ancestrais e as Sociedades Femininas
MAWU – Mãe de todos os Vodus
EZELI – Mãe de filhas guerreiras e filhos guerreiros
Nzamê , Maberê, Kuabá – que reúnem-se para idealizar a figura masculina para lhes fazer campanhia.
Nassissim – os olhos da alma, o ponto brilhante do fundo do olho.
Bongué – cuja alma é Nassissim
Nyamê – o lado feminino da divindade Akan
Wagadu – aquela que permanecerá viva. Os alaúdes do SAHES cantam para ela.
Nzambi – entidade maior dos Bakongos
Nalunga – entidade maior dos Bassongas
Na – Buku e Mawa – Lisa maedo povo fon
Kilemdé – árvore da vida dos bantus
Geledés na  África – Sociedade secreta de mulheres do Reino Yorubá

Existem várias lendas e fatos históricos que podem muito bem ilustrar o poder das mulheres nas sociedades africanas. Uma delas é a que se refere a uma sociedade secreta de mulheres, onde homens não podiam entrar. Um grupo de homens, curiosos para saber o que acontecia naquelas reuniões, resolveu se vestir de mulher e, disfarçados, conseguiram entrar e descobrir o segredo. Era uma sociedade religiosa.
Seria por esse motivo que a maioria dos orixás masculinos da religião do Candomblé, vestem saia, como punição dada pelas mulheres daquela sociedade.
Temos muitas heranças da tradição africana onde cabe à mulher a direção de vários segmentos.
Desde o período pós-abolição (no Brasil), que as mulheres negras assumiram o posto de “cabeça do casal” e ainda hoje criam e educam seus filhos.
Um dos exemplos mais fortes dessa herança é o fato da existência esmagadora de yalorixás, em especial na Bahia.
Fonte Cadernos de Educação do Ylê Ayê.-Boletim Eparrei Online

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Rainhas Candances-

Ao sul do Egito, banhado pelo Nilo, havia o Império Meroe. Era governado por uma dinastia de soberanas negras que exerciam o poder civil e militar. Imortalizadas pela história como Candaces, estas bravas guerreiras nasceram sob o signo da coragem para ocupar posição de poder e prestígio. Numa forma de conexão com as tradições matriarcais da África, reinavam sobre seu povo por direito próprio, e não na qualidade de esposas.
Viviam o apogeu de uma era de esplendor e fartura, abençoadas pelo grande rio e impulsionadas pelo comércio com o Oriente Médio. A localização do império permitia um intenso intercâmbio com outros povos - hebreus, assírios, persas, gregos e indianos. Em suas terras, ricas em ferro e metais preciosos, ergueram-se pirâmides e fortalezas. Seus exércitos usavam armas de ferro e cavalaria, ferramentas e habilidades herdadas dos povos núbios, que lhes davam vantagem no campo de batalha. A idolatria daquela civilização pelos cavalos era tanta que estes animais eram enterrados junto com seus guerreiros, para servi-los por toda a eternidade. Esta imagem, misto de homem e cavalo, alcançou a Grécia, inspirando o surgimento da figura mitológica do Centauro. Na religião, cultuavam Apedemek, Deus da guerra e da vitória, representado por um homem com cabeça de leão. A prosperidade de Meroe, que deu prosseguimento ao domínio Núbio na região, atraiu a ira dos senhores do mundo, o Império Romano. Aqui tem início o episódio que marcou a história das Candaces. Líderes de um movimento de resistência contra o poderio bélico dos invasores, enfrentaram o forte exército, aliando técnicas de guerrilha e diplomacia. Uniram seu povo na luta contra o jugo romano movidas pela sede de justiça e liberdade. Após a invasão de Petronius, a Rainha Candace esperou que as tropas do general adormecessem e os surpreendeu com um ataque. Este movimento abriu a possibilidade para uma negociação diplomática, comandada pela soberana negra. O resultado foi a retirada dos soldados romanos e a demarcação do território de Meroe, devolvendo a paz ao seu povo. Assim foi escrito o mais importante episódio que marcou a nobre dinastia de guerreiras naquele império africano. Mas os exemplos de comando e resistência de bravas negras continuaram a florescer por outras eras e civilizações. Para além de seus próprios domínios, emergiu a saga das Candaces, Rainhas Mães que se fizeram deusas, reinando na crença de suas descendentes espalhadas pela Terra, porta-vozes da sua luta por toda a história.
O GRES Salgueiro apresentou no Carnaval 2007º em seu enredo a história das Candaces, dinastia de rainhas da África Oriental que comandaram, antes da era cristã, um dos mais prósperos impérios do continente. Texto de (Márcia Lavia Renato Lage e Diretoria Cultural do Salgueiro)

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TIYE A Rainha Núbia do Egito (1415 - 1340 A.C.) No 14º século A.C., uma mulher sábia e bonita de Nubia capturou o coração do faraó, e assim ela mudou o curso da história. Amenhotep III, jovem dirigente egípcio, foi tão levado pela beleza, intelecto e vontade de Tiye, que ele desafiou os sacerdotes e os costumes de sua nação, proclamando esta cidadã de Nubia como sua grande Cônjuge Real. Ele expressou publicamente de várias maneiras seu amor por sua linda rainha negra, fazendo dela uma pessoa célebre e rica em seus próprios direitos. Ele tomava vários conselhos dela em assuntos políticos e militares e depois declarou que, como ele tinha a tratado em vida, assim ela deveria ser descrita na morte, a sua igualdade.

NANDI Rainha da Terra Zulu (1778 - 1826) O ano era 1786. O rei da terra Zulu era jubiloso. Sua espôsa, Nandi, tinha dado luz a seu primeiro filho, que eles chamaram Shaka. Mas as outras esposas do Rei, que era ciumento e frio, o pressionaram a banir Nandi e o jovem menino em exílio. Firme e orgulhosa, ela criou seu filho com o tipo de treinamento e orientação que um herdeiro real deveria ter. Depois ela e seu filho foram finalmente recompensados e mais tarde Shaka retornou para se tornar o maior de todos os Reis Zulus. Até hoje o povo Zulu usa seu nome, "Nandi ", para se referir a uma mulher de auta estima. NEHANDA Guerreira do Zimbábue Nascida em uma família religiosa, Nehanda exibiu liderança notável e habilidades organizacionais, e a uma idade jovem se tornou um dos líderes religiosos mais influentes do Zimbábue. Quando os colonos ingleses invadiram o Zimbábue em 1896 e começaram a confiscar a terra e o gado, Nehanda e outros líderes declararam guerra. A princípio eles alcançaram grande sucesso, mas como os materiais se esgotaram, foram vencidos no campo de batalha. Nehanda foi capturada, culpada e executada por ordenar a matança de um notável e cruel chefe nativo. Apesar de estar morta por quase cem anos, Nehanda permanece o que ela era quando viva - a única pessoa mais importante na história moderna do Zimbábue, e ainda é chamada de Mbuya (avó) Nehanda por patriotas do Zimbábue.

CLEÓPATRA VII Rainha do Egito (69 - 30 A.C.) A mais famosa das sete matriarcas com este nome, Cleópatra subiu ao trono aos dezessete anos. A jovem rainha é freqüentemente retratada de forma errada como uma caucasiana (raça branca), porém ela tinha descendência grega e africana. Dominando vários idiomas diferentes e vários dialetos africanos, ela foi um importante instrumento além das fronteiras do Egito. Se esforçando para dar ao Egito a supremacia mundial, Cleópatra recrutou os serviços militares de dois grandes líderes romanos. Ela persuadiu Júlio César e, depois, Marco Antônio para renunciar as submissões romanas deles para lutar em nome do Egito. Porém, cada um conheceu a morte assim que os sonhos de conquistas de Cleópatra se realizaram. Desanimada, Cleopatra se matou, colocando um fim na vida da rainha africana mais célebre do mundo.me L.M. Serpa

NEFERTARI Rainha Nubia de Egito (1292 - 1225 A.C.) Uma das muitas grandiosas rainhas da Nubia, Nefertari é anunciada como a rainha que se casou para a paz. O matrimônio dela com o Rei Rameses II do Egito, um dos últimos grandes faraós egípcios, começou estritamente como um movimento político, com o poder sendo compartilhado entre dois líderes. Isso não só se transformou em um dos maiores casos de amor na realeza da história, mas colocou um fim na guerra dos 100 anos entre Nubia e Egito. Mesmo até hoje, um monumento permanece em honra da Rainha Nefertari. Na realidade, o templo que Rameses construiu para ela em Abu Simbel, é uma das maiores e mais belas estruturas construidas para honrar uma esposa e celebrar paz.


DAHIA-AL KAHINA-RAINHA KAHINA-África

Lutou contra a incursão árabe em África Norte no século VII .Sob sua liderança os africanos lutaram ferozmente e dirigiram o exército árabe para o norte em Tripolitania.Embora alguns historiadores afirmem que sua luta tinha fundamentação religiosa já que era de fé hebraíca,a sua oposição sobre os árabes era nacionalista, não favoreceuos cristãos nem muçulmanos. Com sua morte em 705 houve uma longa pausa nas guerras e maioria de tentativas de conservar África para os africanos. Impediu a propagação do Islam no Sudão ocidental. Depois da sua morte , os árabes começaram a mudar a estratégia em avançar sua fé e seu poder em África. A resistência à propagação do Islam foi muito grande , tanto que algumas das esposas de reis africanos cometeram o suicídio para evitar de cair nas mãos do berberes e dos árabes, que não mostraram nenhuma compaixão aos povos que não se convertessem ao Islamismo.A Rainha Kahina foi captura e degolada pelos árabes.
Bibliografia. Últimos Mistérios do Mundo Seleções Readgers Digest-2003
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Hatshepsut (1503 - 1482 A.C.)

Foi a quinta governante egípcia da XVIII Dinastia, filha do Faraó Tutmosis I e da rainha Ahmose. Hatshepsut subiu ao poder depois que seu pai, foi acometido de paralisia e a nomeou herdeira do trono já que era sua ajudante principal.Com o objetivo de preservar a pureza da casta, casou-se com seu meio-irmão, Tutmosis II, que tinha um filho de outra mulher.Quando Tutmosis II morreu, em 1479 a.C., seu filho, Tutmosis III, foi nomeado para o trono e Hatshepsut tornou-se regente porque o herdeiro era criança. Os dois governaram juntos até 1473 a.C., quando Hatshepsut declarou-se faraó. Vestida como homem, ela administrou a nação com total apoio do alto sacerdote de Amon, Hapuseneb, de outros religiosos e políticos do reino.Hatshepsut teve força e habilidade política para controlar o Clero de Amon, convencendo-os a ver nela a verdadeira encarnação de Amon-Ra e, sendo assim, a herdeira do trono. Ela tomou para si o cajado, o mangual, as coroas e até mesmo a barba real tornando-se a nova Faraó. A Rainha Hatshepsut, foi primeira mulher usar a Dupla Coroa, indicando a soberania sobre as duas regiões do Alto e Baixo Egito. A ascensão ao trono de Hatshepsut foi um fenômeno super importante dentro do contexto político da época,já que conseguiu usurpar o trono de Tutmés III e se tornar, com direito a todas as honras, a Faraó do Egito cargo que não deveria ser ocupado por mulheres.A faraó se manteve 22 anos no poder.Decretou o fim da guerra e fez o Egito voltar a atividades pacíficas, definiu a construção de grandes monumentos e manutenção das rotas de comércio com o exterior, que tinham sido fechadas durante o domínio dos hicsos. Realizou expedições comerciais à terra de Punt, um país situado na costa da África, ao qual se chegava pelo Mar Vermelho, provavelmente ao norte da Somália .Durante seu reinado, renasceu a expressão artística, novos tipos de escultura começaram a ser produzidos e tem início a prática de escrever os textos funerários (Livro dos Mortos) sobre papiros. Tutmés III, considerado o criador do império egípcio, viveu à sombra da mulher de espírito forte que era ao mesmo tempo sua madrasta e tia. Hatshepsut, desapareceu misteriosamente, em 1458 a.C., quando Tutmosis III liderou uma revolta para reaver seu trono faraônico. A rainha foi enterrada no mais belo monumento do Vale das Rainhas ; templo projetado pelo arquiteto do reino, Senen-Mut, grande escultor e arquiteto, que era seu ministro e seu admirador A construção é composta de três terraços, cujas paredes são adornadas com belos relevos. Algumas dessas obras ainda estão conservadas em suas cores originais. No templo de Hapshepsut em EL-Bahri de Beir, perto de Luxor no Vale dos Reis, o nascimento e a coroação da Rainha são descritos em pinturas e outros trabalhos de arte. Hatshepsut representa o poder da mulher em uma sociedade totalmente dominada por homens.(Fonte -Boletim Eparrei Online)


Yaa Asantewa-
Africa Muitas mulheres africanas eram grandes guerreiras tendo conduzido seus exércitos em grandes batalhas como é o caso Asantewa,Rainha Mãe dos Ejisu. O século XIX foi palco de memoráveis lutas de resistência de vários povos africanos.Na África Ocidental,os guerreiros Ashanti lutaram contra a invasão inglesa ,exigiam o retorno do Rei Asantehene Premph deportado em 1896. Para os invasores, já não interessava mais o comércio de escravos, estavam interessados em colonizar a costa do ouro, onde se situa hoje Gana .Em 28 março de 1900, o governador britânico convocou uma reunião de todos os reis na cidade de Kumasi exigindo o banco de ouro , símbolo supremo da soberania e independência do povo Ashanti.
Nana (Rainha-Mãe) Yaa Asantewa presente na reunião, ao perceber que alguns dos chefes estavam receosos em fazer a guerra contra os Ingleses não se conteve :
“É verdadeiro que a bravura do Ashanti não existe mais”? …
.Nenhum homem branco teria ousado falar aos chefes dos Ashanti da maneira como o governador falou a vocês esta manhã. (...)
Se vocês homens de Ashanti não forem adiante, iremos nós. Nós , as mulheres. Eu convidarei as minhas companheiras. Nós lutaremos contra os homens brancos. Nós lutaremos até que a última de nós caia nos campos de batalha.”“...
O discurso da Rainha Mãe levou os chefes a firmar o juramento de Ashanti :
Lutar contra os ingleses até que o rei Premph de Asantehene retornasse do exílio. Durante meses, a rainha conduziu os Ashanti para batalha, mantendo os Ingleses ilhados.Isolaram a comunicação entre os invasores ,cortando os fios do telégrafo e obstruindo as estradas de acesso até Kumasi onde os Ingleses possuíam um Forte.. Foi preciso 1.400 soldados ingleses para capturar Yaa Asantew e outros líderes . Todos foram exilados. Yaa Asantewa, morreu em 1923 longe de sua terra natal. (Fonte pesquisa Mulheres negras na Antiguidade , ed. Ivan Camionete Sertima e Gana: Uma história para as escolas preliminares, E.A. Addy) **Pan Africanismo na América do Sul Ed.Vozes-pag.152-Elisa Larkin Nascimento.
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Rainha de Sabá-África
Há séculos que arqueólogos tentam escavar as ruínas de um colossal templo a 120 quilômetros de Sanaa, na capital do Iêmen à procura dos restos mortais da Rainha de Sabá. O santuário, chamado Mahram Bilqis, localiza-se nos arredores de Marib, capital do antigo reino de Sabá. Acredita-se encontrar ali os restos mortais da Rainha. Quase tudo o que se sabe a seu respeito está contido em treze versículos do Velho Testamento,e em alguns trechos do Corão, o livro sagrado do Islã . Sabá era conhecido como o país das mil fragrâncias; existiu por 1 800 anos e só desapareceu por volta do ano 600 da era cristã, pouco antes do advento do islamismo.Na história do povo sabeu radicado no sul da Arábia, Sabá de Biltis foi uma sábia rainha que levou seu povo à pura adoração ao Senhor.Os islâmicos a chamam de Belkis,e os etíopes de Makeda.Durante séculos, o reino controlou as rotas das caravanas que transportavam o incenso e a mirra, produtos obrigatórios nos templos da Antiguidade. O incenso que produzia era muito procurado. Em Sabá não havia miséria e seu povo era sadio e feliz. A visita da rainha ao rei Salomão em Jerusalém poderia incluir um acordo comercial com Israel, no entanto para os judeus ,sua viagem à Jerusalém tinha por finalidade conscientizar o rei Salomão a não se descuidar de sua importante missão na Terra.Com portentosa caravana real Biltis a Rainha de Sabá adentrou em Jerusalém levando muito ouro destinado ao Templo do Todo-Poderoso e uma severa advertência a Salomão, não se intimidando com a impertinência de Betsabá que temia perder a sua influência de super-mãe, para aquela estrangeira altiva e independente.“Um ser humano que só recebe, sem nada dar, põe em perigo sua felicidade e sua paz de alma! Muito provavelmente tal pessoa nascerá na pobreza, por ocasião da próxima vida terrena! Pode acontecer até que tenha de passar sua vida como mendiga!"E Biltes continuou a chamar à atenção de Salomão para não descuidar do povo do qual era regente, preparando-o para a vinda do Enviado de Deus que segundo as profecias nasceria naquele país.“- Estás enganando Salomão! O saber a respeito do Filho de Deus e o anseio de poder servir a Ele continuam vivendo nas almas, mesmo depois da morte! E esse saber e o anseio despertarão nos novos corpos terrenos, quando nascerem de novo na Terra, provavelmente na época do Enviado de Deus. Imediatamente o reconhecerão e ficarão agradecidos por lhes ser permitido servir a Ele."Esse encontro em Jerusalém teria ocorrido em 950 a.Cestá registrado na Bíblia.(primeiro livro dos Reis (Cap. 10, vers 1-13) e segundo das Crônicas (Cap. 9, vers 1-12).No Kebra Nagast, conta-se que o Rei Davi, o primeiro governante judeu do chamado Período dos Reis da história dos judeus, desposou Betsabé, uma descendente de judeus negros. O casal gerou o histórico Salomão, que sucedeu o pai e gerou um filho com a Rainha Sheba (a Rainha de Sabá), imperatriz de terras ao sul da Etiópia. Como legado ao herdeiro, Salomão confiou à Rainha um anel de diamante ornamentado com afigura do Leão de Judah.O garoto recebeu o nome de Menelik, Bayna-Lehkem ou, o "Filho do Sábio", e consta que teria visitado as terras de Israel onde conheceu seu pai e com ele foi iniciado no judaísmo.
A notável semelhança do menino com o avô (o grande Rei Davi) incitou Salomão a re-batizar Menelik. Salomão mais tarde re-nomeou seu filho como seu próprio pai, o Rei Davi. A ele o pai teria confiado a Arca da Aliança contendo os dez mandamentos dad
os por Moisés.Foi assim que o Reino de Davi se estabeleceu na Etiópia há três mil anos e a Dinastia, bem como o anel de diamante, atravessaram os séculos até se extinguir com a morte de haile Selassie. O império abissínio para o qual se aplicava o termo Etiópia se considera descendente do Rei Menelik, filho que Belkis com Salomão. Além dos títulos de rei dos Reis (Negus Nagast) e Senhor dos Senhores, o trono etíope agregava outros tantos atributos que reforçavam a autoridade religiosa do imperador; ele era o Leão de Judah, o Eleito de Deus, o Messias Negro.Essa dinastia reinou na Etiópia até 1974. Ainda neste século o governo do Iêmen não permitia pesquisas arqueológicas na região, não sendo admitida a entrada de estrangeiros no país, embora as ruínas de Marib, antiga capital de Sabá, se estendessem por quilômetros. Finalmente, através dos esforços do paleólogo Wendell Philips, foi dado ao mundo cientificar-se da real existência de Sabá e do esplendor de Marib, sua capital.A Rainha de Sabá da antiguidade até os dias atuais sido tema da pesquisa científica que tenta comprovar sua existência.Sua figura tem alimentado a imaginação de pintores, cineastas, historiadores .É retratada em 1512 na Pinturas de Lambert Sustris, “A Chegada da Rainha de Sabá ,e por Edward Poynter artista do no século 19”.Foi tema de filmes como Salomão e a Rainha de Sabá, dirigido em 1959 por King Vidor, e As Mil e Uma Noites, de Pier Paolo Pasolini, filmado em 1973.Boletim Eparrei Online
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RAINHA NZINGA
Nasceu no Ndongo Oriental (Angola Atual), em 1582. Foi embaixatriz em Luanda, durante o reinado do seu irmão e travou luta sem quartel durante trinta anos contra os portugueses, pela independência da sua gente e pela sobrevivência do seu reino.
Com a morte do irmão torna-se a rainha de Ndongo e, para enfrentar os portugueses, forma uma tríplice aliança com o Rei do Congo e os holandeses.Tendo um compromisso total com a libertação de Angola, Nzinga foi durante toda a sua vida a personalidade mais importante desse país e é reverenciada como sendo uma das inspirações do nacionalismo angolano atual, não só pela resistência aos invasores, como pela sua habilidade diplomática e sua altivez.
Um episódio revela bem essas qualidades: Quando se apresenta como embaixatriz em Luanda, o governador recebe-a numa sala onde havia apenas uma cadeira e uma almofada o governador oferece-lhe a almofada, o que Nzinga recusa por ofender a sua dignidade real e senta-se no corpo ajoelhado de um dos acompanhantes da sua corte, eliminando a posição de inferioridade que sutilmente lhe era oferecida pelo governador. Em seguida discutiu um acordo de respeito à soberania do seu reino, expressando- se na língua portuguesa com perfeição. O efeito dessas atitudes causou um impacto psicológico que a levou a conseguir uma vitória diplomática nessa ocasião.
Sempre foi muito respeitada pela estratégia que empregava e que se aproximava da moderna guerrilha. Essa tática de luta influenciou diretamente os quilombos de Palmares, já que os negros Palmarinos eram foragidos dos estados de Pernambuco e Alagoas, região para onde foram trazidos os africanos de Angola.
Nzinga morreu em 1663, mas no Nordeste brasileiro sua imagem sobrevive no folclore negro, especialmente nos congos e congadas, onde ela é a Rainha Jinga (Ginga).


Reflexões de Angela Davis

Por Angela Davis

Em sua visita ao Brasil, em 1997, a filósofa Ângela Davis participou de um debate com lideranças do movimento de mulheres negras contemporâneo do Brasil, quando estabeleceu algumas comparações entre as mulheres americanas e brasileiras.
Surpreendeu-se com os avanços da luta política do povo negro nos aspectos ligados à religião e à inserção da cultura afro-brasileira. Considerou um avanço a produção musical de influência negra no país. Para ela, a música negra americana, que foi tão fundamental durante os movimentos dos direitos civis, já não está sendo utilizada como um meio de transformação em seu país.

.“Todas as vitórias que obtivemos nos convidam para repensar, reconsiderar as possíveis vitórias futuras. Nada está escrito na pedra. O que é progressivo em determinado momento pode ser extremamente retrógrado em outro momento da história” . 
"A noção dos direitos civis se tornou importante em termos da definição da luta nos anos 60”. Então eu pergunto como se pode avaliar politicamente tal situação?
A história nos dá capacidade de olhar o passado a partir do presente.E quando a gente olha para a história a gente sempre quer enfatizar o que foi mais positivo e nos esquecemos de olhar para as contradições. Porém, se a gente olhasse para as contradições ou os problemas, isso nos ajudaria a ir para frente, isto é avançarmos. O movimento dos Direitos Civis foi muito importante, mas teve um problema em relação ao papel da mulher na luta que não foi reconhecido.
As mulheres organizaram o movimento.
As mulheres organizaram o boicote de Montgomery no ano de 1955. E o que todo mundo sabe é o nome do jovem pastor que as mulheres pediram para que agisse como porta voz do movimento dos Direitos Civis chamado Martin Luther King. Mas ninguém sabe o nome das mulheres que fizeram o trabalho organizativo. Na medida em que se reverencia o Dr. King, ao mesmo tempo, deve-se criticar o movimento por seu fracasso em reconhecer o papel central que as mulheres desempenharam.
Inúmeras foram as atividades orquestradas por mulheres que são desconhecidas do público em geral. Com o acesso à educação, elas organizaram vários clubes femininos no passado.
Rosa Parkson o exemplo.
Ela é representada como uma mulher que se recusou a dar lugar a um branco no ônibus porque estava cansada. O que geralmente se fala é que ela era uma empregada doméstica que voltava do trabalho e por seu cansaço desobedeceu à lei municipal racista do sul dos EUA. E assim originou o movimento em 1955 . Como se ela não soubesse o que estava fazendo. Mas ela era uma pessoa politicamente consciente e era organizada.
Rosa Parkson sabia exatamente o que estava fazendo. Na verdade duas outras mulheres já haviam sido presas na mesma circunstância, só que esses dois casos anteriores não tiveram sucesso devido a certas ccondições legais. Rosa Parkson foi a terceira tentativa e com sucesso. Isso explica o masculinismo do movimento dos Direitos Civis que a gente deve avaliar e criticar.

Também devemos reconhecer que após 30 anos o discurso dos Direitos CCivis não tem o mesmo poder. O mesmo discurso que foi utilizado por Luther King para clamar por justiça para todos, é hoje usado por conservadores para propor o desmantelamento das ações afirmativas.
As recentes iniciativas que ocorreram na Califórnia para derrubar conquistas da ação afirmativa, estão sendo chamadas de “Iniciativa Californiana pêlos Direitos Civis”. E eles estão dizendo que a ação afirmativa tem proposta que discrimina os homens brancos a favor de negros, mulheres e pessoas de cor em geral. O mesmo tipo de linguagem utilizada pelo movimento dos Direitos Civis esta sendo usada hoje por conservadores para proteger os privilégios dos homens brancos.
Todas as vitórias que obtivemos nos convidam para repensar, reconsiderar as possíveis vitórias futuras. Nada está escrito na pedra.Intercâmbio com negras americanas
Os pontos em comum entre mulheres negras americanas deveriam ser aprimorados através do intercâmbio para se trabalhar a unidade e diversidade, incentivando a classe média negra brasileira a ajudar as mulheres negras em situação de muita desigualdade social. Para ela, os projetos no campo da saúde física são importantes, devendo ser trabalhados também especificidades no campo da saúde mental, emocional e espiritual da mulher negra.
Nós sabemos que as mulheres negras dos EUA têm muito que aprender com as irmãs brasileiras sobre a saúde espiritual. Precisamos aprender a reverenciar as nossas ancestrais. Permitir que os ancestrais nos alimentem para que possamos continuar a nossa luta. Ao mesmo tempo em que a mulher negra é considerada a mãe da cultura brasileira , ela é ao mesmo tempo invisível.
Música Negra e Sexualidade
Para recuperar a contribuição da mulher negra anônima para o feminismo negro passamos, a seguir, a olhar e a analisar o blues. Observa-se, por exemplo, a existência de mulheres cantoras de Blues, que na época, era uma atividade- tabu. Mas, nesta modalidade musical, podia-se explorar qualquer tema relacionado à sexualidade. Após a abolição nos EUA, percebe-se que ele o povo negro americano não tinha liberdade econômica nem política. Havia a demanda por 40 acres de terras e uma mula, mas poucos conseguiram receber os 40 acres de terra.Só havia três formas de direitos através das quais os negros conseguiam ser livres: O direito de ir e vir e deixar as plantações; o direito a educação pelo qual muitos negros deram suas próprias vidas e o direito de escolher parceiros sexuais.A questão da sexualidade está ligada à luta do povo negro americano por liberdade. O Blues foi a primeira forma artística que emergiu após a abolição e as mulheres negras, nos anos 20, emergem como cantoras de Blues, como trabalhadoras, como profissionais e assim foram gravando músicas.A tradição oral é muito central na cultura americana e possui também seus próprios problemas e contradições. Como por exemplo, a mercantilização da cultura oral, como acontece com a black music nos EUA hoje. Isso torna a música disponível no mundo todo, porém cria uma certa hegemonia da cultura afro-americana, o que torna mais difícil reconhecer a cultura original de cada país da diáspora, especialmente quando se observa o tipo de mensagem que vem através das músicas, principalmente na faixa jovem. Essa é uma área em que todos nós precisamos refletir. Mas, historicamente, nos EUA, se tem a idéia de que o artista está lá para promover o entretenimento das pessoas. Dessa maneira, o profundo papel dos artistas, o de colocar uma nova consciência, se perde de vista, porque os artistas têm recursos visuais e performáticos. Eles usam o corpo como forma de expressão artística. Eles têm maneiras de dizer as coisas que o discurso político não dá conta. Quando se fala de uma pessoa que ficou famosa na Europa, por exemplo, isso é importante, se ela for uma porta- voz da luta contra o racismo. Essa atitude para o artista brasileiro é importante porque o Brasil encontra lá fora a idéia do mito da democracia racial.
Violência Doméstica
Um dos desafios que temos é como estabelecer a relação entre a violência doméstica e a pública. Durante muitos anos, nosso lema foi a unidade negra ou talvez o que tem sido chamado de solidariedade racial entre homens e mulheres negras. Mas freqüentemente o silêncio das mulheres negras frente a violência doméstica tem prejudicado muito suas próprias vidas. A unidade negra da maneira como tem sido formulada protege um companheiro do movimento negro que bate na mulher de responder publicamente por sua atitude sempre argumentando que roupa suja se lava em casa. Nós sabemos que a violência de um parceiro sobre uma mulher é tão ruim quanto à violência policial. As mulheres cantoras de Blues dos anos 20 sabiam como falar desses problemas que acontecem nos relacionamento e falavam abertamente sobre eles. Mesmo considerando que elas não tinham o recurso vocabular que nós temos hoje para falar a respeito do aspecto político da violência doméstica, elas nunca esconderam isso. Elas nunca fingiram que isso não acontecia. E muitas mulheres que cantavam Blues compartilhavam com as outras mulheres o fato de que dentro de uma situação de violência o que elas deviam fazer é cair fora. Hoje, nos EUA, em função do crescente empobrecimento, as mulheres negras pobres têm sido responsabilizadas pela própria miséria e as mães solteiras, geralmente colocadas nos serviços da Previdência Social, são colocadas como as reprodutoras da pobreza e da marginalidade. Sobre as Políticas afirmativas
Os conservadores dos EUA propagam a idéia de que, com as lutas do passado, já atingimos uma democracia racial”. Felizmente, a luta por ações afirmativas nos EUA foi abraçada por outros países, portanto, é o momento de o mundo fazer grandes ações de solidariedade que, de alguma forma, assegurem os direitos dos povos que foram discriminados ao longo da história. Acredito que um movimento forte por ações afirmativas, no Brasil, pode nos ajudar a desmobilizar esses grupos que estão tentando acabar com a política por ações afirmativas nos EUA e no Brasil".
Ativista do movimento de Resistência Crítica, ela e seu grupo realizam um esforço global contra a desigualdade e a impotência, buscando refletir sobre as comunidades mais afetadas pelos Complexos Industriais Carcerários nas questões dos direitos humanos, da pena de morte, das leis, do trabalho, dos tribunais, do encarceramento de presos políticos, entre outros direitos.
Para ela, o Complexo Industrial Carcerário aprofunda outras formas de opressão como racismo, classismo, sexismo e homofobia. Ela não acredita que só o suprimento de necessidades básicas, como comida, abrigo e liberdade podem tornar as comunidades realmente seguras.
"Não importa a distância, existe uma estranha similaridade nas prisões em geral, e especialmente nas prisões femininas.
.A questão da pesquisa histórica tem muita importância para a nossa luta contemporânea. E nós, acadêmicas e intelectuais, precisamos resgatar essa luta contemporânea por justiça. E hoje, nos EUA, o mais difícil, o grande desafio é fazer a ligação entre o público e o privado, entre o pessoal e o político. Tomi Morrison e Alice Walker, negras escritoras e cineastas, juntaram-se a mães solteiras e essas passaram a contar-lhes sua história de vida.
Essas histórias são levadas para a imprensa negra, para revista black e para a imprensa em geral ".
Segundo Ângela Davis, se ela fosse tentar sintetizar as suas impressões das visitas às prisões ao redor do mundo que na sua maioria, foram visitas a prisões femininas, incluindo três penitenciárias que visitou involuntariamente, teria de dizer que elas eram sinistramente parecidas. Ela sempre se sentiu como se estivesse no mesmo lugar. Não importa o quão longe viajasse através do tempo e do espaço - de 1970 a 2000 e da Casa de Detenção feminina em Nova Iorque (onde ela mesma esteve presa) até a prisão feminina em Brasília, Brasil .Isso a levou a pensar no trabalho sobre o desafio de repensarmos as fronteiras entre as ciências sociais e as humanidades, como um meio de reflexão específica sobre as mulheres nas prisões.
Resumo Núcleo de Educação CCMN-Pesquisa/Tradução de Joana Londirá - Fontes de Apoio: -http://www.speakersandartists.org/People/AngelaDavis.html-Revista Raça Brasil 1997 -Site - A Quilombola -.Movimento Hip Hop.
Um trecho da fala de Angela Davis,durante Conferência realizada em 13/12/97, em São Luís do Maranhão, na I Jornada Cultural Lélia Gonzales, promoção do Centro de Cultura Negra do Maranhão e Grupo de Mulheres Negras Mãe Andreza , com o apoio da Fundação Cultural Palmares.

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Um resumo da biografia da ativista negra americana Angela Davis
Angela Yvonne Davis-EUA- filósofa, escritora e pesquisadora; uma mestra, que influenciou as lideranças do movimento de mulheres do Brasil contemporâneo.Nasceu em 26/01.Em 2008 completou 64 anos e ainda mantém a mesma coerência política nas questões de gênero e de raça. Angela Yvonne Davis, filha de um mecânico e de uma professora de Artes, nasceu em Birmingham, Alabama. Passou a infância e parte da adolescência na região conhecida por Colina Dinamite que recebeu esse nome devido ao grande número de casas de negros dinamitadas pelo Ku Klux Klan. Sua mãe foi uma ativista a favor dos direitos civis atuando no NAACP em Birmingham. A menina Ângela sempre estudou em escolas segregadas e com uma bolsa de estudos, mudou-se para Nova York para estudar Literatura em uma escola progressista de Greenwich Village,.Em 1961, Angela Davis foi para a Universidade de Brandeis, em Waltham, Massachusetts onde estudou francês indo aprimorar seus estudos de Literatura durante um ano na Sorbonne, em Paris. Pouco depois de voltar para os Estados Unidos, presenciou o assassinato de quatro colegas negras em uma explosão na Igreja Batista, em setembro de 1963. Durante uma conferência de Malcolm X, na Universidade de Brandeis, em 1965, ela era uma dentre os cinco estudantes negros matriculados e presentes no evento.
Após a graduação na Universidade Brandeis de Califórnia complementou os estudos na Faculdade de Filosofia, na Universidade J.W. Goethe de Frankfurt, na Alemanha. Por influência do professor, Herbert Marcuse, filiou-se ao Partido Comunista dos Estados Unidos. Apesar de existir a legenda, os seus militantes eram perseguidos, devido ao clima da Guerra Fria com a União Soviética. “Uni-me aos marxistas porque sentia a necessidade de relacionar a luta dos negros pela libertação com a luta de todas as classes trabalhadoras”. - diz Angela em sua Autobiografia."Nós acreditamos que o povo negro não estará livre, enquanto não formos capazes de determinar nosso próprio destino". Este era um dos lemas das Panteras Negras, grupo político que revolucionou o Movimento Negro Americano entre os anos 60 e 70. Os Panteras Negras se tornou um grupo popular nas comunidades negras dos EUA, devido à postura contra a violência policial, pois defendiam pessoas negras de policiais racistas e outros grupos armados como a Ku Klux Kan. Ângela militou no SNCC (Students Nonviolent Coordinating Committee - Comitê Conjunto de Não-Violência dos Estudantes) participando ativamente de Campanhas para a melhoria das condições de prisioneiros negros nos cárceres.
Em agosto de 1970, quando se discutia a aprovação da lei Mulford - que proibia o porte de armas dos cidadãos nas ruas, 31 militantes dos Panteras Negras foram assistir à sessão armados. Imediatamente, aqueles favoráveis à proibição, aproveitaram-se da ocasião para acusá-los de tentar intimidar o Poder Legislativo e todos foram presos. A lei foi aprovada e Ângela Davis foi acusada de ser a mentora intelectual do ato, como também de contrabandear armas para dentro do presídio da Califórnia. . O FBI que tinha como diretor o anticomunista e segregacionista Edgard Hoover, acusou a organização Black Panthers de ser subversiva ao Governo Norte-Americano e iniciou uma intensa campanha contra a militante, classificando-a como uma das "criminosas mais perigosas dos EUA”.
Fonte Autobiografia de Ângela Davis /Boletim Eparrei.

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Eunice Waymon-Nina Simone

Nasceu em 21/02/1933 na cidade de Tryon (estado norte-americano da Carolina do Norte) os EUA -Famosa pela voz rouca, a cantora de jazz e blues, pianista e compositora americana morreu aos 70 anos em 21 de abril de 2003,em Carry-le-Rouet (sul da França)

Eunice adotou o nome artístico de Nina Simone aos 20 anos, para que pudesse cantar Blues. Na época, o gênero era denominado de "música do diabo"; filha de pastor metodista, se apresentava nos cabarés de Nova Iorque, Filadélfia e Atlantic City escondida de seus pais .Nina Simone também se destacou e foi perseguida por ser negra abraçando publicamente todo tipo de combate ao racismo. Seu envolvimento era tal, que chegou inclusive a cantar no enterro do pacifista Martin Luther King. Casada com um policial nova-iorquino, Nina também sofreu com a violência do marido, que a espancava.

Em um breve contato com sua obra, aqueles que não conhecem percebem logo a diversidade de estilos pelos quais Nina Simone se aventurou, desde o gospel, passando pelo soul, blues, folk e jazz. Foi uma das primeiras artistas negras a ingressar na renomada Julliard School of Music, em Nova Iorque. Sua canção “Mississipi Goddamn” tornou-se um hino ativista da causa negra, e fala sobre o assassinato de quatro crianças negras numa igreja de Birmingham em 1963.A batalha pelos direitos civis a privou de vários amigos, entre eles Martin Luther King, Stokely Carmichael e Malcolm X. ‘‘Meus amigos estão todos mortos ou no exílio. Se pudesse ter escolhido, teria sido assassina, teria respondido golpe a golpe’’, escreveu em suas memórias. A cantora chegou a viver na Libéria (África) durante quatro anos. Ela afirmava que gostaria de morrer no continente de seus ancestrais, mas há oito anos escolheu como casa a cidade de Carry-Le Rouet no sul da França.
Nina costumava fazer shows no Brasil e tinha São Paulo e Rio de Janeiro no roteiro de suas apresentações. Em julho de 1997, a cantora levou mais de 35 mil pessoas ao show Música para amantes, na Praça da Paz, no Parque Ibirapuera. Na época, uma lesão na perna impedira a cantora de andar e ela acabou por cantar sem levantar da cadeira de rodas. Nina voltaria a São Paulo três anos depois, para apresentações no Via Funchal e no Bourbon Street, além de passagem pelo ATL Hall do Rio de Janeiro. Ainda no Brasil, a cantora fez participação especial no disco Maria Bethânia 25 anos (1990). Ela interpreta, junto com Bethânia, a faixa Pronta pra cantar, de Caetano Veloso. No total, Nina Simone gravou mais de 60 discos, entre produções ao vivo e de estúdio.
Intérprete de raro ecletismo, era capaz de entoar um hino anti-racista, como "Mississipi Goddamn" para logo em seguida "ressuscitar a platéia com "Here Comes the Sun", dos Beatles. Era uma intérprete visceral, compositora inspirada e tocava piano com energia e perfeição.
Fontes "http://pt.wikipedia.org/wiki/Nina_Simone" , Stefan Rousseau/AP



Rosa Parks mãe do movimento moderno pelos direitos civis.

No dia 1º de dezembro de 1955 a costureira Rosa Parks estava em um ônibus na cidade de Montgomery, Alabama, quando um homem branco exigiu que ela se retirasse do banco onde estava para ele poder se acomodar. Rosa se recusou a sair, desafiando as regras que exigiam que pessoas negras se sujeitassem a abrir mão de seus lugares no transporte público para brancas.Rosa foi presa e multada em US$ 14.

"A verdadeira razão de eu não ter cedido meu banco no ônibus foi porque senti que tinha o direito de ser tratada como qualquer outro passageiro. Aguentamos aquele tipo de tratamento por muito tempo". Rosa Parks em 1992 .
A partir de 5 de Dezembro, cerca de 40 000 negros, a maioria dos quais trabalhadores pobres começaram a ir para o trabalho em carros coletivos ou andando a pé durante quilômetros. O boicote organizado pelo pastor da Igreja Batista, Martin Luther King Jr durou 381 dias e transformou-se num poderoso movimento para mudanças sociais que envolveu toda a população negra de Montgomery.
.O protesto levou ao fim da segregação nos transportes públicos e só nove aos após o ocorrido é que foi aprovada a Lei dos Direitos Civis, que qualificou a segregação racial como crime nos Estados Unidos. Após 41 anos do ocorrido, o governo americano reconheceu o ato de Rosa e a premiou com a "Medalha Presidencial pela Liberdade", em 1996.
Em 1998:recebeu o Premio internacional condutor da liberdade , em 1999 o Congresso americano outorgou a ela a Medalha de Ouro, a mais alta honraria civil com a inscrição "Mãe do Movimento dos Direitos Civis dos dias atuais Os anos finais de sua vida foram marcados pelo Mal de Alzheimer Ela morreu dormindo em sua casa, na cidade de Detroit, estado do Michigan no dia 24 de outubro de 2005 aos 92 anos, de causas naturais.
Milhares de pessoas prestaram homenagem a Rosa Parks em Montgomery, em Washington, onde o seu corpo foi depositado na Rotunda do Capitólio, e em Detroit no Museu Afro-americano antes do funeral.Movimentos cívicos, de trabalho, anti-guerra e outras forças sociais da ColigaçãoTroops Out Now (Tropas Fora Agora), esperam que todos que integram o Movimento façam do 1 de dezembro o Dia Nacional de Falta ao Trabalho como um protesto contra o racismo, a guerra e a pobreza em memória de Rosa Parks.

WINNIE MANDELA
Nasceu em 26 de setembro de 1934, com o nome de Nomzamo Winifred Madikizeh, numa pequena aldeia de Transkei, África do Sul, filha de uma professora primária e de um funcionário público.
Casada com o líder Nelson Mandela - preso desde 1962, por lutar contra o apartheid - desde a sua juventude ela participou das lutas pela cidadania plena e pelos direitos humanos de todos os sul africanos, sem distinção de cor. Desafiou, desde cedo, as leis, ao entrar pelas portas permitidas somente aos brancos e ao permanecer em filas proibidas aos "não brancos".
Foi a primeira pessoa de cor negra a graduar-se como assistente social na África do Sul. Trabalhando num hospital, começou a atuar politicamente junto com a juventude do Congresso Nacional Africano e foi detida como presa política pela primeira vez em 1958. Envolveu-se profundamente na mobilização das mulheres sul-africanas a rebelar-se contra as leis segregacionistas do apartheid. Nos seus anos iniciais de luta política, conheceu um jovem advogado, Nelson Mandela, casando-se com ele. Participou de todas as lutas políticas e dos perigosos anos de clandestinidade, até que Nelson Mandela, líder do CNA (Congresso Nacional Africano) foi preso em 1962 e condenado à prisão perpétua.
Desde 1958, no seu estilo típico, ela vivia ignorando as determinações das autoridades policiais e foi constantemente banida e permaneceu em prisão domiciliar. Numa das vezes, ficou presa numa solitária por muitos meses, numa tentativa das autoridades de enfraquecer sua determinação. Após sair da prisão em 1975, tornou-se parte da Liga das Mulheres do CNA, que teve papel importante nas lutas contra as leis do apartheid.
Por ter-se envolvido no levante de Soweto em 1976, ficou presa durante meio ano e foi banida de Soweto para Brandfort, a 350kms de Joanesburgo, onde viveu por 9 anos. Lá foi por diversas vezes atacada em sua casa e ameaçada de morte. Nesse período Winnie estava proibida de participar de encontros públicos, reuniões, de ser citada publicamente e de sair de casa nos fins de semana. Como de costume, Winnie continuou ignorando as regras do banimento, deixando Brandfort para visitar Soweto- e toda a vez era presa.
Por sua tenacidade e lealdade à causa do seu povo, ganhou o título de “Mãe da Nação”, não apenas por ser casada com um herói da luta sul-africana, mas pelos seus ataques destemidos ao governo do apartheid e pelas prisões e banimentos sem que ela em nenhum momento cedesse ao regime do apartheid.
Ela formou um time de futebol que cuidava de sua segurança e que ficou associado a execuções de colaboradores negros do apartheid. Um dos seus guarda-costas foi condenado pela morte de um jovem de 14 anos, logo após a libertação de Nelson Mandela da prisão e de sua eleição para presidente da África do Sul.
Mesmo após a separação de Mandela, Winnie Madikizeh continua sendo uma voz forte na política sul-africana, tendo sido reeleita diversas vezes para presidente da Liga das Mulheres do Congresso Nacional Africano.

Entrevista - Nomsa Mbatha-África do Sul –
Trabalha em uma organização não governamental de Reassentamento e Desenvolvimento, que ajuda mulheres das camadas populares em questões como moradia, alfabetização, saúde, cuidados à infância. Sua mãe, Khosi KaMavuso Mbatha dirige essa organização. Nomsa é programadora de computação, estuda turismo e marketing. Mbatha em entrevistada para Eparrei resumiu a situação na África do Sul.Eparrei: Quais as mudanças na África do Sul após Mandela assumir a presidência? Em que ajudou o novo governo?
Mbatha: Ajudou de muitas maneiras: a fortalecer a população negra e as mulheres na área de emprego; facilitou nas áreas rurais o acesso aos cuidados de saúde; à água potável; à eletricidade; na área habitação, muitas casas estão sendo construídas com melhoria na infraestrutura de estradas, etc. Tanto nas cidades como na zona rural; realização de projetos de auto-ajuda, com ajuda de financiamentos para os que trabalham no setor informal ou que desejem abrir um novo negócio.
Realiza também ações afirmativas na área econômica, como formação profissional, acesso a cargos mais elevados nas empresas.
Para cada projeto do governo, há uma preocupação em assegurar que ações afirmativas sejam postas pratica. O governo dá preferência de contratos ao setor em desvantagem - a população negra.
Isso porque durante o período do aparthei, a maioria das instituições educacionais eram apenas para os brancos. Atualmente, muitos jovens negros estão tendo acesso a uma escolaridade melhor, treinamento técnico e vocacional, sabendo que após concluírem seus estudos eles conseguirão emprego por mérito.
No passado, mesmo qualificados para o cargo, eles não obteriam o emprego devido à cor de sua pele. E se conseguissem emprego, os negros ficariam em cargos secundários e teriam, na maioria dos casos, brancos como chefes, mesmo se estes estivessem menos qualificados.
Politicamente, a maior conquista é que a maioria agora dá as regras e esta democracia é um processo aprendizado, para ambos, negros e brancos. Levará algum tempo para mudar atitudes, mas lentamente já estamos chegando lá.
Economicamente, o poder está ainda em mãos da minoria branca e isto exige da comunidade branca mudança de atitudes também, para que ajudem construir uma África do Sul verdadeiramente democrática, porque sem a colaboração dos brancos as coisas se tornarão muito difíceis para o governo poder implementar as mudanças políticas e econômicas desejadas.
Muitas companhias propriedades de brancos estão tentando fazer essas mudanças, compreendendo que para eles sobreviverem eles têm que se adaptar para as novas mudanças na África do Sul. Há, naturalmente, aqueles que ainda agem da maneira antiga e há também aqueles que fazem mudanças que não são verdadeiras e usam negros apenas como testas-de-ferro.Eparrei: Como está a situação das mulheres negras na África do Sul?
Mbatha: Nós mudamos da condição de pessoas que estavam lutando por liberdade para estarmos agora lutando por reconhecimento e apoio na economia do país; por mais representação política no governo. Nós agora queremos ter voz tanto no setor informal como no formal.
A luta tornou as mulheres sul - africanas muito, muito fortes e nós pressionamos, pressionamos e pressionamos.Jornal Eparrei: Quais os resultados desta Conferência Internacional para as mulheres sul - africanas?
Mbatha: Basicamente, conhecer as irmãs da mesma cor e compreender que nossa luta é exatamente a mesma que trabalhando juntas como se fôssemos uma nos tornará mais fortes.
Nesta Conferência, nós aprendemos também que tanto as mulheres com muita instrução quanto as mulheres da base podem trabalhar juntas, podem se ajudar mutuamente a atingir metas. Aprendemos que, embora falando línguas diferentes e sendo de diferentes países, podemos ainda nos comunicar e trabalhar juntas porque todas nós temos as mesmas metas.Eparrei: Há interesse por parte das mulheres da África do Sul num intercâmbio de experiências com mulheres negras brasileiras?
Mbatha: Nós gostaríamos muito de nos integrarmos com as mulheres negras do Brasil em todas as esferas. Nós compreendemos que sabemos muito pouco umas das outras enquanto irmãs. Precisamos criar algum tipo de programa de intercâmbio, como talvez famílias visitando-se reciprocamente, ou programas de intercâmbio de estudantes.
Precisamos trocar literatura e poderíamos, por exemplo, fazer parcerias de negócios e troca de experiências culturais.Gostaria de dizer para aquelas que vivem no Brasil que nossa luta é a mais diversificada e que precisamos ser muito flexíveis mas, certamente, não pacientes. Nós somos as mães, nós temos que ter mais voz, tanto no governo como na sociedade.
São nossos filhos que são os sem - casa; podem ser nossos maridos os que estão desempregados, são nossos avós os que são negligenciados em sua velhice. È, portanto, muito importante que nós enquanto mulheres busquemos todas as maneiras de lutar contra o sexismo, racismo, colonialismo e todas as formas de opressão.
Nomsa Mbatha- Johannesburg, South África
Eparrei nº0 - Abril de 2000

Fontes: Sankofa: Resgate da cultura afro-brasileira, 2 vs. (1994), Sankofa: Matrizes africanas da cultura brasileira (1996) Elisa Larkin Nascimento. História Geral da África -Cheia Anta Diop-CDV Rom-O Brasil afrodescendente-Vol.I-História da África Negra do Joseph Ki-Zerbo-Lisboa 2000-íntegra em Revista Eparrei n. 12. Fonte: Centro de Documentação Carolina de Jesus/CCMN-Fonte: Cartilha “Mulher Negra tem História” - Alzira Rufino, Iraci, Maria Rosa Pereira, 1987, Santos;
Roy Glasgow - "Nzinga"- ed. Perspectiva, Col. Debates - 1982 - SP.

Escritoras Negras Africanas Contemporâneas
 
 Em The Joys of Motherhood (1979) Emecheta usa experiências familiares - acontecidas com sua avó e com sua mãe - para narrar a história de Nnu Ego, jovem abandonada pelo primeiro marido quando não consegue conceber um filho. Num segundo casamento, após o nascimento de oito crianças, Nnu Ego acaba tendo que enfrentar as mudanças sociais sofridas pela sociedade nigeriana e que a colocam em confronto com novos papéis e valores de uma sociedade em transição. No final do romance, Nnu Ego é destruida pelas expectativas frustradas de uma vida devotada aos valores familiares tradicionais. Abandonada pelo marido e filhos Nnu Ego perde sua totalmente sua frágil identidade, "Por algum tempo Nnu Ego suportou tudo sem qualquer reação, até que sua mente começou a ficar cada vez mais vaga ... uma noite ela se deitou à margem da estrada , pensando ter chegado em casa. Lá ela morreu, sem filhos para segurar sua mão ou amigos para conversar. Ela nunca tinha feito muitos amigos, sempre tinha estado muito ocupada com a alegria de ser mãe" (224).
     Ama Ata Aidoo, nascida em 1942 em Ghana, escreve em vários gêneros - drama, ficção e poesia - e, além de escritora, tem participação ativa nos movimentos políticos, educacionais  e culturais da África. Morando no Zimbabwe há muitos anos, Aidoo explora em sua obra o confronto entre africanos e europeus, a dramática situação neocolonial na África, os conflitos entre homens e mulheres africanos, e, principalmente, a responsabilidade que ela acredita terem todos os africanos na construção de uma nova sociedade africana.   Em Our Sister Killjoy: or, Reflections from a Black-Eyed Squint (1977), Aidoo narra, numa prosa poética e não linear , a viagem literal e metafórica da jovem Sissie (uma corruptela de "sister"), estudante escolhida para representar Ghana numa viagem à Europa. Inicialmente, numa pequena cidade alemã na Bavária, Sissie confronta preconceitos raciais e é tratada como uma curiosidade, um animal raro   Na pequena cidade Sissie faz amizade com a jovem Marija Sommer, cuja ignorância sobre a África e africanos e uma profunda solidão, a levam a sentir uma atração por Sissie, pela diferença entre as duas. Nas conversas entre as jovens, toda as questões raciais, do colonialismo, do nacionalismo, e das relações humanas são apresentadas em trechos alternados de prosa e poesia  que mostram como Sissie começa a se dar conta de sua identidade como mulher africana.      Nestes dois romances, de temas e estratégias narrativas totalmente diferentes, duas escritoras da África Ocidental, exploram os conflitos entre África e Europa, entre homens e mulheres africanos, representando o mundo através da visão feminina. 
 
Referências bibliográficas:

 AIDOO, Ama Atta. Our Sister Killjoy: or, Reflections from a Black-Eyed Squint. Harlow: Longman, 1977.

EMECHETA, Buchi. The Joys of Motherhood. New York: George Braziller, 1979.


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