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A todos e a você
Carmim
Contra
Direito de nascer
Do outro lado do rio

Germinando
Ladainha
Me acompanhe no tempo

Não
Não sei se queres
Travo

Sonho
Recado de Carmem, a prostituta
Roda de Samba
Rurais mulheres
Terra



Recado de Carmem, a prostituta

 Lutar não é sonho impossível
Não parar quando é fácil ceder
O sonho também é coletivo
A vida é a forma de ser
Conta e exige o melhor
Hoje amanha não é melhor nem talvez
É riso é liberdade é vida
Fala o negro marginal
Fala na violência policial
Violência em folga
Cadê a atenção social
Preocupam-se com o lado verbal
Que é a semântica total e dizem
Negra prostituta marginal
Falam as entidades
Falam mulheres de conceito
Prostituta fala
Eu sou mulher politizada
Tenho um dente de ouro
Conheço o peso e a falta de decora
Não sou do mundo dos mouros
Eu tenho muita saudade
Do tempo em que eu era criança
E acreditava na verdade
O ser humano era real
Inventaram empalharam
Bichos e pessoas normais
Puseram-nos em exposição
Ás filas de curioso do nada
Cadê os imorais  cadê os anormais
Cadê os débeis mentais  cadê os idéias
Cadê a mulher negra altiva
Cadê a mulher branca guerreira
Cadê a política verdadeira
Cadê a vida real espanta?
Cadê os homens meninos
Cadê a veia vertente
Cadê a luta e o jogo
Cadê a perda e o ganho
Cadê o sono e o sonho
Cadê os girassóis no peito
Cadê o arco-íris do verbo
Cadê a poesia?






Onde o sonho...

Olho a noite e colho rosas
Acenando para os loucos
Asfalto esquinas
Onde o sonho forjou vida
Doida  doida  doida
 A vida


Travo

Sou nó na madeira
Coisa que o machado
Insiste
Coisa que a lâmina resiste
Chora
Porque vai me cortar


Germinando

houve silêncio e esperas
houve uma dor repartida
e acendeu-me os olhos
do olhar fazer sementes
lavar a noite em cervejas



Contra

só pra contrariar
eu sou negra diferente

para muitos indecente
só pra contrariar

abra a porta e ache a chave

descubra num cacto gente
só pra contrariar

veja na flor murcha nascente
só pra contrariar

espere o brotar da semente
só pra contrariar


Direito de nascer

defeito de fabricação
negra morta gravida
barriga cheia chora
dizeres na mão uma faca
fere os atores
do conteúdo


Me acompanhe no tempo

 

me acompanhe no tempo
use a tecnologia pros meus ventos
eu raio na avenida são joão
me acompanhe nas fedras
se enrole na minha serpente
consulte os búzios
estranhe a minha beleza
duvide que eu sou deusa
desconfie até que sou mulher



Ladainha

Vamos lá
Não pra ver o que é que dá
Vamos lá para virar
Não são milhas pra partir
São encruzilhadas
Barricadas
Pra proteger e curar
Essas feridas que sangram
Cicatrizes que ficam
Marcas que reivindicam
Um grito de verdade.


A todos a você


A  Mandela a Tutu
A Winnie a Lélia
A Dulce a Benê
A  Milton a Rosa
A Beatriz
A Nilza a Tereza

Pedimos em roda
Imploramos em coro
Calamos em choro
Rogamos em prece
Rezamos em África
Em pés em mágica
Em luta em alta
Sem terra com vida
Sem luz com velas
Sem sono com dia
E a placenta de manos
Que são gêmeos na luta



Roda de Samba

sou guerreira contestada
mas levanto num segundo
vou levando a minha fé

não pense que estou parada
estou na luta na virada
sobre a lua da maré

 

 

Terra

dor submersa
meu ritual é um gesto lento
refazendo o tempo e
lúcida minha dor
lavada em água viva

refazer o tempo límpido
no silêncio da semente
a espera da colheira

 


Do outro lado do rio

Eu brinco muito com a vida
Arte cênica perdida
Coca e lírio barato
Alucinógenos em cores
Anestesias mortais
Viva a vida e cachaçais
Diz que esta é a linha
Brilho chita seda pura
Coisas clássicas e quetais

Pra me forçar esta vida
Morrendo em flor
Meus Deus o que é isso
E quando
Eu vejo o verde secando
Leio cheque especial
Máscaras maquilagem
Me anestesiam
Veias não encontrarão
Elas são calibre forte

Não
não sei se tirei a couraçã
não sei se rolei na cachaça
não sei se curei a ferida
pois não suporto a ausência
quando os outros dizem não
só sei que é violência
essa marca rotulada
essa coisa velada

não
minha vida diz não

 

 


Não sei se queres

Queres que eu fale
Queres que eu cante
Não sei se queres
Que eu bote manto
Que eu não sinta
Vulcão e lavas
A pele em brasa
Que eu não abra
Os meus portões
Que eu não corra
Pela estrada
A revoada
Que dê vôo
À liberdade.


Rurais mulheres

capim no rosto
gôzo no pêlo
na colheita da laranja







Carmim

Soy loca por ti sensibilidade
Soy loca
Soy loca por ti paixão
Soy loca por ti olhar
Soy loca
Soy loca por ti dizeres
Soy loca por ti em toques
Soy loca
Soy loca por ti estranhas
Soy loca por ti em branco
Soy loca
Soy loca por ti verdade
Soy loca por ti no cheiro
Soy loca
soy loca por desespero
soy loca destempero
soy loca
soy loca alho e vinagre
soy loca pimenta de cheiro
soy loca
soy loca sal que decide
sou açúcar que divide
soy loca.

 

 



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