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África e Outros Países

Foto Nzinga Foto Winnie Mandela

 

Nossa  história  :

Sabia que:

Que  um dos principais elos a unir as culturas pré-coloniais da África é a organização social matrilinear, ou seja, aquela em que a ancestralidade é traçada a partir da mãe e, ao contrário das sociedades patriarcais, a mulher exerce direitos como o de herdar e ser proprietária. Que teorias evolucionistas  racistas chamam  de  “estágio primitivo” a matrilinearidade ?

Que a matrilinearidade caracterizava algumas das sociedades mais adiantadas e altamente organizadas da história, como as do Egito e do império de Gana. Nelas, a mulher protagonizava a organização jurídica, econômica, social e política.?

Que no universo mítico no   Egito antigo,Isis transmitiu o conhecimento da agricultura para à  humanidade?

Que em  Gana a rainha Yaa Asantewaa, liderou a guerra dos Asante contra o domínio inglês?

Selecione uma das
personalidades clicando
nos links abaixo:

Angela Davis-EUA
Rainhas Candaces -África
DAHIA-AL KAHINA-RAINHA KAHINA-África
Hatshepsut-
África
Yaa Asantewa -África
Entrevista c/Nomsa Mbatha da Africa do Sul
Nina_Simone -EUA
Rainha de Sabá-África
Rainha Nzinga -África
Winnie Mandela- África

Nossa História

Sabia que:

Que além de  partilhar  com Osíris do poder no âmbito político e religioso,ela  ensina ao povo a filosofia do Ma’at - justiça, verdade e direito, matriz ética da nação?

 Que as  rainhas-mães africanas se estabelecem na antiga Núbia com a linhagem das Candaces, que reinavam por direito próprio e não na qualidade de esposas, exercendo o poder civil e militar?

Que em  Angola a Rainha N’Zinha, contemporânea de Zumbi dos Palmares resistiu aos dominadores portugueses e holandeses?

Que as  tecnologias de mineração e metalurgia, a agricultura e a criação de gado, as ciências, a medicina, a matemática, a engenharia, a astronomia, enfim, todo um cabedal de reflexão e conhecimento caracterizava o desenvolvimento dos estados africanos?
 
Fonte: Sankofa: Resgate da cultura afro-brasileira, 2 vs. (1994), Sankofa: Matrizes africanas da cultura brasileira (1996) Elisa Larkin Nascimento. História Geral da África -Cheia Anta Diop-CDV Rom-O Brasil afrodescendente-Vol.I-História da África Negra do Joseph Ki-Zerbo-Lisboa 2000-íntegra em Revista Eparrei n. 12.





 Reflexões de Angela Davis
Por Angela Davis

Em sua visita ao Brasil, em 1997, a filósofa Ângela Davis participou de um debate com lideranças do movimento de mulheres negras contemporâneo do Brasil, quando estabeleceu algumas comparações entre as mulheres americanas e brasileiras.

Surpreendeu-se com os avanços da luta política do povo negro nos aspectos ligados à religião e à inserção da cultura afro-brasileira. Considerou um avanço a produção musical de influência negra no país. Para ela, a música negra americana, que foi tão fundamental durante os movimentos dos direitos civis, já não está sendo utilizada como um meio de transformação em seu país.
.“Todas as vitórias que obtivemos nos convidam para repensar, reconsiderar  as possíveis vitórias futuras. Nada está escrito na pedra.  O  que  é  progressivo  em  determinado  momento  pode    ser   extremamente retrógrado em outro momento da história” . 

 

"A noção dos direitos civis se tornou importante  em  termos  da  definição   da luta nos anos 60”. Então eu pergunto como  se  pode  avaliar  politicamente  tal situação?
  A história nos dá capacidade de olhar o passado a partir do presente.E quando a gente olha para a  história  a  gente  sempre  quer  enfatizar  o  que  foi  mais  positivo e nos esquecemos de olhar para as contradições.  Porém,  se  a  gente olhasse para as contradições  ou  os  problemas,  isso  nos  ajudaria  a  ir  para frente, isto é avançarmos. O movimento dos Direitos Civis foi muito importante, mas teve um  problema em relação ao papel da mulher na luta que não foi reconhecido
.

As mulheres organizaram o movimento.

 As mulheres organizaram o boicote de Montgomery no ano de 1955. E o que todo mundo sabe é o nome do jovem pastor que as mulheres  pediram para que agisse como porta voz do movimento   dos  Direitos  Civis  chamado Martin Luther King. Mas ninguém sabe o nome das mulheres que fizeram o  trabalho  organizativo.  Na medida em que se reverencia o Dr. King, ao mesmo  tempo, deve-se criticar o movimento por seu fracasso em reconhecer o papel central que as mulheres desempenharam.
Inúmeras foram as atividades orquestradas por mulheres que são desconhecidas do público em geral. Com o acesso à educação, elas organizaram  vários  clubes  femininos no passado.

Rosa Parkson o exemplo.

Ela é representada como uma mulher que se recusou a dar lugar a um branco  no ônibus porque estava cansada.  O que geralmente se fala é que ela era uma empregada doméstica que voltava do trabalho e por seu cansaço desobedeceu à lei municipal racista do sul dos EUA.  E  assim originou    o  movimento  em 1955 . Como se ela não soubesse o que  estava  fazendo.  Mas  ela  era  uma  pessoa politicamente consciente e era organizada.

Rosa Parkson sabia exatamente o que estava fazendo. Na verdade duas outras mulheres já haviam sido presas na  mesma  circunstância,  só  que  esses  dois casos anteriores não tiveram sucesso devido a certas ccondições legais.  Rosa Parkson  foi  a  terceira  tentativa  e  com  sucesso.  Isso  explica  o  masculinismo do movimento dos  Direitos Civis   que  a  gente  deve  avaliar  e criticar.

Também devemos reconhecer que após 30 anos o discurso dos  Direitos CCivis não tem o mesmo poder. O mesmo discurso que foi utilizado por Luther King para clamar  por  justiça  para  todos,  é  hoje  usado  por conservadores  para  propor o desmantelamento das ações afirmativas.

As recentes iniciativas que ocorreram na Califórnia  para  derrubar  conquistas da ação afirmativa, estão sendo  chamadas  de  “Iniciativa  Californiana  pêlos Direitos Civis”. E eles estão dizendo que a ação afirmativa tem  proposta  que discrimina os homens brancos a favor de negros, mulheres  e  pessoas  de  cor  em geral. O mesmo tipo de linguagem utilizada pelo movimento dos Direitos Civis  esta sendo usada hoje por conservadores para proteger os privilégios  dos  homens brancos.
Todas as vitórias que obtivemos nos convidam para repensar, reconsiderar  as possíveis vitórias futuras. Nada está escrito na pedra.

Intercâmbio com negras americanas

Os pontos em comum entre mulheres negras americanas deveriam ser aprimorados através do intercâmbio para se trabalhar a unidade e diversidade, incentivando a classe média negra brasileira a ajudar as mulheres negras em situação de muita desigualdade social. Para ela, os projetos no campo da saúde física são importantes, devendo ser trabalhados também especificidades no campo da saúde mental, emocional e espiritual da mulher negra.

Nós sabemos que as mulheres negras dos EUA têm muito que aprender com as irmãs brasileiras  sobre  a  saúde  espiritual.  Precisamos aprender  a  reverenciar  as nossas ancestrais. Permitir que os ancestrais nos alimentem para que possamos continuar a nossa luta. Ao  mesmo  tempo  em  que    a   mulher negra  é considerada  a  mãe  da   cultura   brasileira ,  ela   é ao mesmo tempo invisível.

 Música Negra e Sexualidade

Para recuperar  a  contribuição da mulher negra anônima para o feminismo negro passamos, a seguir, a olhar  e a analisar  o  blues.  Observa-se, por exemplo,  a existência de mulheres cantoras de Blues, que na época, era uma atividade- tabu. Mas,  nesta modalidade musical,    podia-se  explorar qualquer tema relacionado à sexualidade.                       

Após a abolição nos EUA, percebe-se que ele o povo negro americano não tinha liberdade econômica nem  política.  Havia a demanda por 40 acres de terras e uma mula, mas poucos conseguiram receber os 40 acres de terra.

Só havia  três  formas de direitos  através das quais os negros conseguiam ser livres: O direito de ir e vir e deixar as plantações; o direito a educação pelo qual muitos negros deram  suas próprias vidas e o direito de escolher parceiros sexuais.A questão da sexualidade está ligada à luta do povo negro americano por liberdade. 

O Blues foi a primeira forma artística que  emergiu  após  a abolição e as mulheres negras, nos anos 20, emergem  como  cantoras  de  Blues,  como trabalhadoras, como profissionais e assim foram gravando músicas.

A tradição oral é muito central na cultura americana e possui também seus próprios problemas e contradições. Como por exemplo, a mercantilização da cultura oral, como acontece com a black music nos EUA hoje. Isso torna a música  disponível  no  mundo  todo,  porém  cria  uma  certa  hegemonia   da   cultura afro-americana, o que torna mais difícil reconhecer a  cultura  original de cada país da diáspora, especialmente quando se observa o tipo de mensagem que vem através das músicas, principalmente na faixa jovem. Essa é uma área em que todos nós  precisamos  refletir.  Mas,  historicamente, nos  EUA,   se   tem a idéia de que o artista está lá para promover o entretenimento das pessoas. Dessa maneira, o profundo papel dos  artistas, o de colocar uma nova consciência, se perde  de  vista, porque  os  artistas  têm recursos visuais e performáticos. Eles usam o corpo como forma de  expressão artística. Eles têm maneiras de dizer as coisas que o discurso político não dá conta.  Quando  se  fala  de  uma  pessoa  que  ficou  famosa  na  Europa,  por exemplo, isso é importante, se ela for uma porta- voz da luta contra o racismo. Essa atitude para o artista brasileiro é importante porque o Brasil  encontra  lá fora a idéia do mito da democracia racial.
 
Violência Doméstica

Um dos desafios que temos é como estabelecer a relação entre a violência doméstica e a pública. Durante muitos anos, nosso lema foi a  unidade  negra ou talvez o que tem sido chamado de  solidariedade  racial  entre   homens   e   mulheres   negras. Mas freqüentemente o silêncio das mulheres  negras  frente  a  violência  doméstica tem prejudicado muito suas próprias vidas. A unidade negra da maneira  como tem sido formulada protege um companheiro do movimento negro que bate na mulher de responder publicamente por sua atitude sempre  argumentando  que roupa suja se lava em casa. Nós sabemos que a violência de um parceiro  sobre  uma mulher é tão ruim quanto à violência policial.

As mulheres cantoras de Blues dos anos 20 sabiam como falar desses problemas que acontecem nos relacionamento e falavam abertamente sobre eles.

Mesmo considerando que elas não tinham o recurso vocabular que  nós  temos  hoje para falar a respeito do aspecto político da  violência  doméstica, elas nunca esconderam isso. Elas nunca  fingiram que isso não acontecia. E muitas mulheres que cantavam Blues compartilhavam com as outras mulheres o fato de que dentro de uma situação de violência o que elas deviam fazer é cair fora.

Hoje, nos EUA, em função do crescente empobrecimento,  as mulheres  negras pobres têm sido responsabilizadas pela própria miséria e as mães solteiras, geralmente colocadas nos serviços da Previdência Social, são colocadas como as reprodutoras da pobreza e da marginalidade.

 Sobre as Políticas afirmativas

Os conservadores dos EUA propagam a idéia de que, com as lutas do passado, já atingimos uma democracia racial”. Felizmente, a luta por ações afirmativas nos EUA foi abraçada por outros países, portanto, é o momento de o mundo fazer grandes ações de solidariedade que, de alguma forma, assegurem os direitos dos povos que foram discriminados ao longo da história. Acredito que um movimento forte por ações afirmativas, no Brasil, pode nos ajudar a desmobilizar esses grupos que estão tentando acabar com a política por ações afirmativas nos EUA e no Brasil".

Ativista do movimento de Resistência Crítica, ela e seu grupo realizam um esforço global contra a desigualdade e a impotência, buscando refletir sobre as comunidades mais afetadas pelos Complexos Industriais Carcerários nas questões dos direitos humanos, da pena de morte, das leis, do trabalho, dos tribunais, do encarceramento de presos políticos, entre outros direitos.
Para ela, o Complexo Industrial Carcerário aprofunda outras formas de opressão como racismo, classismo, sexismo e homofobia. Ela não acredita que só o suprimento de necessidades básicas, como comida, abrigo e liberdade podem tornar as comunidades realmente seguras.
"Não importa a distância, existe uma estranha similaridade nas prisões em geral, e especialmente nas prisões femininas.
.A questão da  pesquisa  histórica  tem  muita  importância  para  a  nossa  luta contemporânea. E nós, acadêmicas  e  intelectuais,  precisamos  resgatar  essa luta contemporânea por justiça. E hoje, nos EUA, o mais difícil, o grande desafio é fazer a ligação entre o público e o privado, entre o pessoal e o político.  Tomi Morrison e Alice Walker, negras escritoras e cineastas, juntaram-se  a   mães solteiras e essas passaram a contar-lhes sua história de vida.
  Essas histórias são levadas para a imprensa negra, para revista black e para a imprensa em geral ".

Segundo Ângela Davis, se ela fosse tentar sintetizar as suas impressões das visitas às prisões ao redor do mundo que na sua maioria, foram visitas a prisões femininas, incluindo três penitenciárias que visitou involuntariamente, teria de dizer que elas eram sinistramente parecidas. Ela sempre se sentiu como se estivesse no mesmo lugar. Não importa o quão longe viajasse através do tempo e do espaço - de 1970 a 2000 e da Casa de Detenção feminina em Nova Iorque (onde ela mesma esteve presa) até a prisão feminina em Brasília, Brasil .Isso a levou a pensar no trabalho sobre o desafio de repensarmos as fronteiras entre as ciências sociais e as humanidades, como um meio de reflexão específica sobre as mulheres nas prisões.

    Resumo  Núcleo de Educação CCMN-Pesquisa/Tradução de Joana Londirá - Fontes de Apoio: -http://www.speakersandartists.org/People/AngelaDavis.html-Revista Raça Brasil 1997 -Site - A Quilombola -.Movimento Hip Hop.
Um trecho da fala   de   Angela Davis,durante  Conferência realizada em 13/12/97,  em  São Luís do Maranhão,  na   I  Jornada  Cultural Lélia Gonzales, promoção do Centro de Cultura Negra do Maranhão e Grupo de  Mulheres  Negras  Mãe  Andreza ,  com  o  apoio  da    Fundação  Cultural Palmares.


Um resumo da biografia da ativista negra americana

Angela Yvonne Davis-EUA- filósofa, escritora e pesquisadora; uma mestra, que influenciou as lideranças do movimento de mulheres do Brasil contemporâneo. Aos 63 anos, ainda mantém a mesma coerência política nas questões de gênero e de raça.

Angela Yvonne Davis, filha de um mecânico e de uma professora de Artes, nasceu em Birmingham, Alabama. Passou a infância e parte da adolescência na região conhecida por Colina Dinamite que recebeu esse nome devido ao grande número de casas de negros dinamitadas pelo Ku Klux Klan. Sua mãe foi uma ativista a favor dos direitos civis atuando no NAACP em Birmingham. A menina Ângela sempre estudou em escolas segregadas e com uma bolsa de estudos, mudou-se para Nova York para estudar Literatura em uma escola progressista de Greenwich Village,.

Em 1961, Angela Davis foi para a Universidade de Brandeis, em Waltham, Massachusetts onde estudou francês indo aprimorar seus estudos de Literatura durante um ano na Sorbonne, em Paris. Pouco depois de voltar para os Estados Unidos, presenciou o assassinato de quatro colegas negras em uma explosão na Igreja Batista, em setembro de 1963. Durante uma conferência de Malcolm X, na Universidade de Brandeis, em 1965, ela era uma dentre os cinco estudantes negros matriculados e presentes no evento.

Após a graduação na Universidade Brandeis de Califórnia complementou os estudos na Faculdade de Filosofia, na Universidade J.W. Goethe de Frankfurt, na Alemanha. Por influência do professor, Herbert Marcuse, filiou-se ao Partido Comunista dos Estados Unidos. Apesar de existir a legenda, os seus militantes eram perseguidos, devido ao clima da Guerra Fria com a União Soviética. “Uni-me aos marxistas porque sentia a necessidade de relacionar a luta dos negros pela libertação com a luta de todas as classes trabalhadoras”. - diz Angela em sua Autobiografia.

"Nós acreditamos que o povo negro não estará livre, enquanto não formos capazes de determinar nosso próprio destino".  Este era um dos lemas das Panteras Negras, grupo político que revolucionou o Movimento Negro Americano entre os anos 60 e 70.

 Os Panteras Negras se tornou um grupo popular nas comunidades negras dos EUA, devido à postura contra a violência policial, pois defendiam pessoas negras de policiais racistas e outros grupos armados como a Ku Klux Kan. Ângela militou no SNCC (Students Nonviolent Coordinating Committee - Comitê Conjunto de Não-Violência dos Estudantes) participando ativamente de Campanhas para a melhoria das condições de prisioneiros negros nos cárceres.

Em agosto de 1970, quando se discutia a aprovação da lei Mulford - que proibia o porte de armas dos cidadãos nas ruas, 31 militantes dos Panteras Negras foram assistir à sessão armados. Imediatamente, aqueles favoráveis à proibição, aproveitaram-se da ocasião para acusá-los de tentar intimidar o Poder Legislativo e todos foram presos. A lei foi aprovada e Ângela Davis foi acusada de ser a mentora intelectual do ato, como também de contrabandear armas para dentro do presídio da Califórnia. . O FBI que tinha como diretor o anticomunista e segregacionista Edgard Hoover, acusou a organização Black Panthers de ser subversiva ao Governo Norte-Americano e iniciou uma intensa campanha contra a militante, classificando-a como uma das "criminosas mais perigosas dos EUA”.
Fonte Autobiografia de Ângela Davis /Boletim Eparrei.

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Rainhas Candances-

 Ao sul do Egito, banhado pelo Nilo, havia o Império Meroe. Era governado por uma dinastia de soberanas negras que exerciam o poder civil e militar. Imortalizadas pela história como Candaces, estas bravas guerreiras nasceram sob o signo da coragem para ocupar posição de poder e prestígio. Numa forma de conexão com as tradições matriarcais da África, reinavam sobre seu povo por direito próprio, e não na qualidade de esposas.

Viviam o apogeu de uma era de esplendor e fartura, abençoadas pelo grande rio e impulsionadas pelo comércio com o Oriente Médio. A localização do império permitia um intenso intercâmbio com outros povos - hebreus, assírios, persas, gregos e indianos. Em suas terras, ricas em ferro e metais preciosos, ergueram-se pirâmides e fortalezas.

Seus exércitos usavam armas de ferro e cavalaria, ferramentas e habilidades herdadas dos povos núbios, que lhes davam vantagem no campo de batalha. A idolatria daquela civilização pelos cavalos era tanta que estes animais eram enterrados junto com seus guerreiros, para servi-los por toda a eternidade. Esta imagem, misto de homem e cavalo, alcançou a Grécia, inspirando o surgimento da figura mitológica do Centauro. Na religião, cultuavam Apedemek, Deus da guerra e da vitória, representado por um homem com cabeça de leão.

A prosperidade de Meroe, que deu prosseguimento ao domínio Núbio na região, atraiu a ira dos senhores do mundo, o Império Romano. Aqui tem início o episódio que marcou a história das Candaces.

Líderes de um movimento de resistência contra o poderio bélico dos invasores, enfrentaram o forte exército, aliando técnicas de guerrilha e diplomacia. Uniram seu povo na luta contra o jugo romano movidas pela sede de justiça e liberdade.

Após a invasão de Petronius, a Rainha Candace esperou que as tropas do general adormecessem e os surpreendeu com um ataque. Este movimento abriu a possibilidade para uma negociação diplomática, comandada pela soberana negra. O resultado foi a retirada dos soldados romanos e a demarcação do território de Meroe, devolvendo a paz ao seu povo. Assim foi escrito o mais importante episódio que marcou a nobre dinastia de guerreiras naquele império africano.

Mas os exemplos de comando e resistência de bravas negras continuaram a florescer por outras eras e civilizações. Para além de seus próprios domínios, emergiu a saga das Candaces, Rainhas Mães que se fizeram deusas, reinando na crença de suas descendentes espalhadas pela Terra, porta-vozes da sua luta por toda a história.
O GRES Salgueiro apresentou  no Carnaval 2007º   em seu  enredo   a história das Candaces, dinastia de rainhas da África Oriental que comandaram, antes da era cristã, um dos mais prósperos impérios do continente. Texto de  (Márcia Lavia Renato Lage e Diretoria Cultural do Salgueiro)
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DAHIA-AL KAHINA-RAINHA KAHINA-África

Lutou contra a  incursão árabe em África Norte  no século VII .Sob  sua liderança os africanos lutaram  ferozmente e dirigiram o exército árabe para o norte em Tripolitania.Embora alguns historiadores afirmem que sua luta tinha fundamentação religiosa já que era de fé hebraíca,a sua oposição sobre os  árabes era nacionalista,  não  favoreceuos  cristãos nem muçulmanos. Com sua  morte em 705   houve uma longa pausa nas guerras e maioria de tentativas de conservar África para os africanos. Impediu a propagação do Islam no Sudão ocidental. Depois da sua morte , os árabes começaram a mudar a estratégia em avançar sua fé e seu poder em África. A resistência à propagação do Islam foi muito grande , tanto que algumas das esposas de reis africanos cometeram o suicídio para evitar de cair nas mãos do berberes e dos árabes, que não mostraram nenhuma compaixão  aos povos que não se  convertessem ao Islamismo.A Rainha Kahina foi captura e degolada pelos árabes.
Bibliografia. Últimos Mistérios do Mundo Seleções Readgers Digest-2003
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Hatshepsut (1503 - 1482 A.C.) Foi a quinta governante egípcia da XVIII Dinastia, filha do Faraó Tutmosis I e da rainha Ahmose. Hatshepsut subiu ao poder depois que seu pai, foi acometido de paralisia e a nomeou herdeira do trono já que era sua ajudante principal.

Com o objetivo de preservar a pureza da casta, casou-se com seu meio-irmão, Tutmosis II, que tinha um filho de outra mulher.Quando Tutmosis II morreu, em 1479 a.C., seu filho, Tutmosis III, foi nomeado para o trono e Hatshepsut tornou-se regente porque o herdeiro era criança. Os dois governaram juntos até 1473 a.C., quando Hatshepsut declarou-se faraó. Vestida como homem, ela administrou a nação com total apoio do alto sacerdote de Amon, Hapuseneb, de outros religiosos e políticos do reino.

Hatshepsut teve força e habilidade política para controlar o Clero de Amon, convencendo-os a ver nela a verdadeira encarnação de Amon-Ra  e, sendo assim, a herdeira do trono.

 Ela tomou para si o cajado, o mangual, as coroas e até mesmo a barba real tornando-se a nova Faraó. A Rainha Hatshepsut, foi primeira mulher usar a Dupla Coroa, indicando a soberania sobre as duas regiões do Alto e Baixo Egito.

 A ascensão ao trono de Hatshepsut foi um fenômeno super importante dentro do contexto político da época,já que conseguiu usurpar o trono de Tutmés III e se tornar, com direito a todas as honras, a Faraó do Egito cargo que não deveria ser ocupado por mulheres.A faraó se manteve 22 anos no poder.

Decretou o fim da guerra e fez o Egito voltar a atividades pacíficas, definiu a construção de grandes monumentos e manutenção das rotas de comércio com o exterior, que tinham sido fechadas durante o domínio dos hicsos. Realizou expedições comerciais à terra de Punt, um país situado na costa da África, ao qual se chegava pelo Mar Vermelho, provavelmente ao norte da Somália .

Durante seu reinado, renasceu a expressão artística, novos tipos de escultura começaram a ser produzidos e tem início a prática de escrever os textos funerários (Livro dos Mortos) sobre papiros. Tutmés III, considerado o criador do império egípcio, viveu à sombra da mulher de espírito forte que era ao mesmo tempo sua madrasta e tia.

Hatshepsut, desapareceu misteriosamente, em 1458 a.C., quando Tutmosis III liderou uma revolta para reaver seu trono faraônico. A rainha foi enterrada no mais belo monumento do Vale das Rainhas ; templo projetado pelo arquiteto do reino, Senen-Mut, grande escultor e arquiteto, que era seu ministro e seu admirador A construção é composta de três terraços, cujas paredes são adornadas com belos relevos.

Algumas dessas obras ainda estão conservadas em suas cores originais. No templo de Hapshepsut em EL-Bahri de Beir, perto de Luxor no Vale dos Reis, o nascimento e a coroação da Rainha são descritos em pinturas e outros trabalhos de arte.

 Hatshepsut representa o poder da mulher em uma sociedade totalmente dominada por homens.(Fonte -Boletim Eparrei Online)
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Yaa Asantewa-Africa

 Muitas mulheres africanas eram grandes guerreiras tendo conduzido seus exércitos em grandes batalhas como é o caso Asantewa,Rainha Mãe dos Ejisu.

 O século XIX foi palco de memoráveis lutas de resistência de vários povos africanos.Na África Ocidental,os guerreiros Ashanti lutaram contra a invasão inglesa ,exigiam o retorno do Rei Asantehene Premph deportado em 1896. Para os invasores, já não interessava mais o comércio de escravos, estavam interessados em colonizar a costa do ouro, onde se situa hoje Gana .Em 28 março de 1900, o governador britânico convocou uma reunião de todos os reis na cidade de Kumasi exigindo o banco de ouro , símbolo supremo da soberania e independência do povo Ashanti.
 Nana (Rainha-Mãe) Yaa Asantewa presente na reunião, ao perceber que alguns dos chefes estavam receosos em fazer a guerra contra os Ingleses não se conteve :
“É verdadeiro que a bravura do Ashanti não existe mais”? …
.Nenhum homem branco teria ousado falar aos chefes dos Ashanti da maneira como o governador falou a vocês esta manhã. (...)
 Se vocês homens de Ashanti não forem adiante, iremos nós. Nós , as mulheres. Eu convidarei as minhas companheiras. Nós lutaremos contra os homens brancos. Nós lutaremos até que a última de nós caia nos campos de batalha.”“...
O discurso da Rainha Mãe levou os chefes a firmar o juramento de Ashanti :
 Lutar contra os ingleses até que o rei Premph de Asantehene retornasse do exílio.

Durante meses, a rainha conduziu os Ashanti para batalha, mantendo os Ingleses ilhados.Isolaram a comunicação entre os invasores ,cortando os fios do telégrafo e obstruindo as estradas de acesso até Kumasi onde os Ingleses possuíam um Forte..

 Foi preciso 1.400 soldados ingleses para capturar Yaa Asantew e outros   líderes . Todos foram exilados. Yaa Asantewa, morreu em 1923 longe de sua terra natal.

 (Fonte pesquisa Mulheres negras na Antiguidade , ed. Ivan Camionete Sertima e Gana: Uma história para as escolas preliminares, E.A. Addy) **Pan Africanismo na América do Sul Ed.Vozes-pag.152-Elisa Larkin Nascimento.
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Eunice Waymon-Nina Simone

Nasceu em 21/02/1933 na cidade de Tryon (estado norte-americano da Carolina do Norte) os EUA -Famosa pela voz rouca, a cantora de jazz e blues, pianista e compositora americana morreu aos 70 anos  em  21 de abril de 2003,em Carry-le-Rouet (sul da França)

Eunice adotou o nome artístico de Nina Simone aos 20 anos, para que pudesse cantar Blues. Na época, o gênero era denominado de "música do diabo"; filha de pastor metodista, se apresentava nos cabarés de Nova Iorque, Filadélfia e Atlantic City  escondida de seus pais .

Nina Simone também se destacou e foi perseguida por ser negra abraçando  publicamente todo tipo de combate ao racismo. Seu envolvimento era tal, que chegou inclusive a cantar no enterro do pacifista Martin Luther King. Casada com um policial nova-iorquino, Nina também sofreu com a violência do marido, que a espancava.

Em um breve contato com sua obra, aqueles que não conhecem percebem logo a diversidade de estilos pelos quais Nina Simone se aventurou, desde o gospel, passando pelo soul, blues, folk e jazz. Foi uma das primeiras artistas negras a ingressar na renomada Julliard School of Music, em Nova Iorque. Sua canção “Mississipi Goddamn” tornou-se um hino ativista da causa negra, e fala sobre o assassinato de quatro crianças negras numa igreja de Birmingham em 1963.A batalha pelos direitos civis a privou de vários amigos, entre eles Martin Luther King, Stokely Carmichael e Malcolm X. ‘‘Meus amigos estão todos mortos ou no exílio. Se pudesse ter escolhido, teria sido assassina, teria respondido golpe a golpe’’, escreveu em suas memórias. A cantora chegou a viver na Libéria (África) durante quatro anos. Ela afirmava que gostaria de morrer no continente de seus ancestrais, mas há oito anos escolheu como casa a cidade de Carry-Le Rouet no sul da França.

Nina costumava fazer shows no Brasil e tinha São Paulo e Rio de Janeiro no roteiro de suas apresentações. Em julho de 1997, a cantora levou mais de 35 mil pessoas ao show Música para amantes, na Praça da Paz, no Parque Ibirapuera. Na época, uma lesão na perna impedira a cantora de andar e ela acabou por cantar sem levantar da cadeira de rodas. Nina voltaria a São Paulo três anos depois, para apresentações no Via Funchal e no Bourbon Street, além de passagem pelo ATL Hall do Rio de Janeiro. Ainda no Brasil, a cantora fez participação especial no disco Maria Bethânia 25 anos (1990). Ela interpreta, junto com Bethânia, a faixa Pronta pra cantar, de Caetano Veloso. No total, Nina Simone gravou mais de 60 discos, entre produções ao vivo e de estúdio.
 Intérprete de raro ecletismo, era capaz de entoar um hino anti-racista, como "Mississipi Goddamn" para logo em seguida "ressuscitar a platéia com "Here Comes the Sun", dos Beatles. Era uma intérprete visceral, compositora inspirada e tocava piano com energia e perfeição.

Fontes  "http://pt.wikipedia.org/wiki/Nina_Simone" , Stefan Rousseau/AP
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Entrevista - Nomsa Mbatha-África do Sul –

Trabalha em uma organização não governamental de Reassentamento e Desenvolvimento, que ajuda mulheres das camadas populares em questões como moradia, alfabetização, saúde, cuidados à infância. Sua mãe, Khosi KaMavuso Mbatha dirige essa organização. Nomsa é programadora de computação, estuda turismo e marketing. Mbatha em entrevistada para  Eparrei resumiu a situação na  África do Sul.

Eparrei: Quais as mudanças na África do Sul após Mandela assumir a presidência? Em que ajudou o novo governo?
Mbatha: Ajudou de muitas maneiras: a fortalecer a população negra e as mulheres na área de emprego; facilitou nas áreas rurais o acesso aos cuidados de saúde; à água potável; à eletricidade; na área habitação, muitas casas estão sendo construídas com melhoria na infraestrutura de estradas, etc. Tanto nas cidades como na zona rural; realização de projetos de auto-ajuda, com ajuda de financiamentos para os que trabalham no setor informal ou que desejem abrir um novo negócio.
Realiza também ações afirmativas na área econômica, como formação profissional, acesso a cargos mais elevados nas empresas.
Para cada projeto do governo, há uma preocupação em assegurar que ações afirmativas sejam postas pratica. O governo dá preferência de contratos ao setor em desvantagem - a população negra.
Isso porque durante o período do aparthei, a maioria das instituições educacionais eram apenas para os brancos. Atualmente, muitos jovens negros estão tendo acesso a uma escolaridade melhor, treinamento técnico e vocacional, sabendo que após concluírem seus estudos eles conseguirão emprego por mérito.
No passado, mesmo qualificados para o cargo, eles não obteriam o emprego devido à cor de sua pele. E se conseguissem emprego, os negros ficariam em cargos secundários e teriam, na maioria dos casos, brancos como chefes, mesmo se estes estivessem menos qualificados.
Politicamente, a maior conquista é que a maioria agora dá as regras e esta democracia é um processo aprendizado, para ambos, negros e brancos. Levará algum tempo para mudar atitudes, mas lentamente já estamos chegando lá.
Economicamente, o poder está ainda em mãos da minoria branca e isto exige da comunidade branca mudança de atitudes também, para que ajudem construir uma África do Sul verdadeiramente democrática, porque sem a colaboração dos brancos as coisas se tornarão muito difíceis para o governo poder implementar as mudanças políticas e econômicas desejadas.
Muitas companhias propriedades de brancos estão tentando fazer essas mudanças, compreendendo que para eles sobreviverem eles têm que se adaptar para as novas mudanças na África do Sul. Há, naturalmente, aqueles que ainda agem da maneira antiga e há também aqueles que fazem mudanças que não são verdadeiras e usam negros apenas como testas-de-ferro.

Eparrei: Como está a  situação das mulheres negras na África do Sul?
Mbatha: Nós mudamos da condição de pessoas que estavam lutando por liberdade para estarmos agora lutando por reconhecimento e apoio na economia do país; por mais representação política no governo. Nós agora queremos ter voz tanto no setor informal como no formal.
A luta tornou as mulheres sul - africanas muito, muito fortes e nós pressionamos, pressionamos e pressionamos.

 

Jornal Eparrei: Quais os resultados desta Conferência Internacional para as mulheres sul - africanas?
Mbatha: Basicamente, conhecer  as irmãs da mesma cor e compreender que nossa luta é exatamente a mesma que trabalhando juntas como se fôssemos uma nos tornará mais fortes.
Nesta Conferência, nós aprendemos também que tanto as mulheres com muita instrução quanto as mulheres da base podem trabalhar juntas, podem se ajudar mutuamente a atingir metas. Aprendemos que, embora falando línguas diferentes e sendo de diferentes países, podemos ainda nos comunicar e trabalhar juntas porque todas nós temos as mesmas metas.

Eparrei: Há interesse por parte das mulheres da África do Sul num intercâmbio de experiências com mulheres negras brasileiras?
Mbatha: Nós gostaríamos muito de nos integrarmos com as mulheres negras do Brasil em todas as esferas. Nós compreendemos que sabemos muito pouco umas das outras enquanto irmãs. Precisamos criar algum tipo de programa de intercâmbio, como talvez famílias visitando-se reciprocamente, ou programas de intercâmbio de estudantes.
Precisamos trocar literatura e poderíamos, por exemplo, fazer parcerias de negócios e troca de experiências culturais.

Gostaria de dizer para aquelas que vivem no Brasil que nossa luta é a mais diversificada e que precisamos ser muito flexíveis mas, certamente, não pacientes. Nós somos as mães, nós temos que ter mais voz, tanto no governo como na sociedade.
São nossos filhos que são os sem - casa; podem ser nossos maridos os que estão desempregados, são nossos avós os que são negligenciados em sua velhice. È, portanto, muito importante que nós enquanto mulheres busquemos todas as maneiras de lutar contra o sexismo, racismo, colonialismo e todas as formas de opressão.

Endereço para contato:
Nomsa Mbatha
Resettlement & Development Network
P.O. Box 30938- Braamfontein 2017
Johannesburg, South África
Eparrei nº0 - Abril de 2000

 


Rainha de Sabá-África

Há séculos que arqueólogos tentam escavar as ruínas de um colossal templo a 120 quilômetros de Sanaa, na capital do Iêmen à procura dos restos mortais da Rainha de Sabá.  O santuário, chamado Mahram Bilqis, localiza-se nos arredores de Marib, capital do antigo reino de Sabá. Acredita-se encontrar ali os restos mortais da Rainha.

Quase tudo o que se sabe a seu respeito está contido em treze versículos do Velho Testamento,e em alguns trechos do Corão, o livro sagrado do Islã .

Sabá era conhecido como o país das mil fragrâncias; existiu por 1 800 anos e só desapareceu por volta do ano 600 da era cristã, pouco antes do advento do islamismo.

Na história do povo sabeu radicado no sul da Arábia, Sabá de Biltis foi uma sábia rainha que levou seu povo à pura adoração ao Senhor.Os islâmicos a chamam de Belkis,e os etíopes de Makeda.

Durante séculos, o reino controlou as rotas das caravanas que transportavam o incenso e a mirra, produtos obrigatórios nos templos da Antiguidade. O incenso que produzia era muito procurado. Em Sabá não havia miséria e seu povo era sadio e feliz. A visita da rainha ao rei Salomão em Jerusalém poderia incluir um acordo comercial com Israel, no entanto para os judeus ,sua viagem à Jerusalém tinha por finalidade conscientizar o rei Salomão a não se descuidar de sua importante missão na Terra.

Com portentosa caravana real Biltis a Rainha de Sabá adentrou em Jerusalém levando muito ouro destinado ao Templo do Todo-Poderoso e uma severa advertência a Salomão, não se intimidando com a impertinência de Betsabá que temia perder a sua influência de super-mãe, para aquela estrangeira altiva e independente.

“Um ser humano que só recebe, sem nada dar, põe em perigo sua felicidade e sua paz de alma! Muito provavelmente tal pessoa nascerá na pobreza, por ocasião da próxima vida terrena! Pode acontecer até que tenha de passar sua vida como mendiga!"

E Biltes continuou a chamar à atenção de Salomão para não descuidar do povo do qual era regente, preparando-o para a vinda do Enviado de Deus que segundo as profecias nasceria naquele país.

“- Estás enganando Salomão! O saber a respeito do Filho de Deus e o anseio de poder servir a Ele continuam vivendo nas almas, mesmo depois da morte! E esse saber e o anseio despertarão nos novos corpos terrenos, quando nascerem de novo na Terra, provavelmente na época do Enviado de Deus. Imediatamente o reconhecerão e ficarão agradecidos por lhes ser permitido servir a Ele."

Esse encontro em Jerusalém teria ocorrido em 950 a.Cestá registrado na Bíblia.(primeiro livro dos Reis (Cap. 10, vers 1-13) e segundo das Crônicas (Cap. 9, vers 1-12).

No Kebra Nagast, conta-se que o Rei Davi, o primeiro governante judeu do chamado Período dos Reis da história dos judeus, desposou Betsabé, uma descendente de judeus negros. O casal gerou o histórico Salomão, que sucedeu o pai e gerou um filho com a Rainha Sheba (a Rainha de Sabá), imperatriz de terras ao sul da Etiópia. Como legado ao herdeiro, Salomão confiou à Rainha um anel de diamante ornamentado com afigura do Leão de Judah.O garoto recebeu o nome de Menelik, Bayna-Lehkem ou, o "Filho do Sábio", e consta que teria visitado as terras de Israel onde conheceu seu pai e com ele foi iniciado no judaísmo. A ele o pai teria confiado a Arca da Aliança contendo os dez mandamentos dados por Moisés.

Foi assim que o Reino de Davi se estabeleceu na Etiópia há três mil anos e a Dinastia, bem como o anel de diamante, atravessaram os séculos até se extinguir com a morte de haile Selassie. O império abissínio para o qual se aplicava o termo Etiópia se considera descendente do Rei Menelik, filho que Belkis com Salomão. Além dos títulos de rei dos Reis (Negus Nagast) e Senhor dos Senhores, o trono etíope agregava outros tantos atributos que reforçavam a autoridade religiosa do imperador; ele era o Leão de Judah, o Eleito de Deus, o Messias Negro.Essa dinastia reinou na Etiópia até 1974. Ainda neste século o governo do Iêmen não permitia pesquisas arqueológicas na região, não sendo admitida a entrada de estrangeiros no país, embora as ruínas de Marib, antiga capital de Sabá, se estendessem por quilômetros. Finalmente, através dos esforços do paleólogo Wendell Philips, foi dado ao mundo cientificar-se da real existência de Sabá e do esplendor de Marib, sua capital.

A Rainha de Sabá da antiguidade até os dias atuais sido tema da pesquisa científica que tenta comprovar sua existência.Sua figura tem alimentado a imaginação de pintores, cineastas, historiadores .É retratada em 1512 na Pinturas de Lambert Sustris, “A Chegada da Rainha de Sabá ,e por Edward Poynter artista do no século 19”.Foi tema de filmes como Salomão e a Rainha de Sabá, dirigido em 1959 por King Vidor, e As Mil e Uma Noites, de Pier Paolo Pasolini, filmado em 1973.Boletim Eparrei Online
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RAINHA NZINGA

Nasceu no Ndongo Oriental (Angola Atual), em 1582. Foi embaixatriz em Luanda, durante o reinado do seu irmão e travou luta sem quartel durante trinta anos contra os portugueses, pela independência da sua gente e pela sobrevivência do seu reino.
Com a morte do irmão torna-se a rainha de Ndongo e, para enfrentar os portugueses, forma uma tríplice aliança com o Rei do Congo e os holandeses.Tendo um compromisso total com a libertação de Angola, Nzinga foi durante toda a sua vida a personalidade mais importante desse país e é reverenciada como sendo uma das inspirações do nacionalismo angolano atual, não só pela resistência aos invasores, como pela sua habilidade diplomática e sua altivez.
Um episódio revela bem essas qualidades: Quando se apresenta como embaixatriz em Luanda, o governador recebe-a numa sala onde havia apenas uma cadeira e uma almofada o governador oferece-lhe a almofada, o que Nzinga recusa por ofender a sua dignidade real e senta-se no corpo ajoelhado de um dos acompanhantes da sua corte, eliminando a posição de inferioridade que sutilmente lhe era oferecida pelo governador. Em seguida discutiu um acordo de respeito à soberania do seu reino, expressando- se na língua portuguesa com perfeição. O efeito dessas atitudes causou um impacto psicológico que a levou a conseguir uma vitória diplomática nessa ocasião.
Sempre foi muito respeitada pela estratégia que empregava e que se aproximava da moderna guerrilha. Essa tática de luta influenciou diretamente os quilombos de Palmares, já que os negros Palmarinos eram foragidos dos estados de Pernambuco e Alagoas, região para onde foram trazidos os africanos de Angola.
Nzinga morreu em 1663, mas no Nordeste brasileiro sua imagem sobrevive no folclore negro, especialmente nos congos e congadas, onde ela é a Rainha Jinga (Ginga).
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WINNIE MANDELA
Nasceu em 26 de setembro de 1934, com o nome de Nomzamo Winifred Madikizeh, numa pequena aldeia de Transkei, África do Sul, filha de uma professora primária e de um funcionário público.
Casada com o líder Nelson Mandela - preso desde 1962, por lutar contra o apartheid - desde a sua juventude ela participou das lutas pela cidadania plena e pelos direitos humanos de todos os sul africanos, sem distinção de cor. Desafiou, desde cedo, as leis, ao entrar pelas portas permitidas somente aos brancos e ao permanecer em filas proibidas aos "não brancos".
Foi a primeira pessoa de cor negra a graduar-se como assistente social na África do Sul. Trabalhando num hospital, começou a atuar politicamente junto com a juventude do Congresso Nacional Africano e foi detida como presa política pela primeira vez em 1958. Envolveu-se profundamente na mobilização das mulheres sul-africanas a rebelar-se contra as leis segregacionistas do apartheid. Nos seus anos iniciais de luta política, conheceu um jovem advogado, Nelson Mandela, casando-se com ele. Participou de todas as lutas políticas e dos perigosos anos de clandestinidade, até que Nelson Mandela, líder do CNA (Congresso Nacional Africano) foi preso em 1962 e condenado à prisão perpétua.
Desde 1958, no seu estilo típico, ela vivia ignorando as determinações das autoridades policiais e foi constantemente banida e permaneceu em prisão domiciliar. Numa das vezes, ficou presa numa solitária por muitos meses, numa tentativa das autoridades de enfraquecer sua determinação. Após sair da prisão em 1975, tornou-se parte da Liga das Mulheres do CNA, que teve papel importante nas lutas contra as leis do apartheid.
Por ter-se envolvido no levante de Soweto em 1976, ficou presa durante meio ano e foi banida de Soweto para Brandfort, a 350kms de Joanesburgo, onde viveu por 9 anos. Lá foi por diversas vezes atacada em sua casa e ameaçada de morte. Nesse período Winnie estava proibida de participar de encontros públicos, reuniões, de ser citada publicamente e de sair de casa nos fins de semana. Como de costume, Winnie continuou ignorando as regras do banimento, deixando Brandfort para visitar Soweto- e toda a vez era presa.
Por sua tenacidade e lealdade à causa do seu povo, ganhou o título de “Mãe da Nação”, não apenas por ser casada com um herói da luta sul-africana, mas pelos seus ataques destemidos ao governo do apartheid e pelas prisões e banimentos sem que ela em nenhum momento cedesse ao regime do apartheid.
Ela formou um time de futebol que cuidava de sua segurança e que ficou associado a execuções de colaboradores negros do apartheid. Um dos seus guarda-costas foi condenado pela morte de um jovem de 14 anos, logo após a libertação de Nelson Mandela da prisão e de sua eleição para presidente da África do Sul.
Mesmo após a separação de Mandela, Winnie Madikizeh continua sendo uma voz forte na política sul-africana, tendo sido reeleita diversas vezes para presidente da Liga das Mulheres do Congresso Nacional Africano.
Fonte: Centro de Documentação Carolina de Jesus/CCMN-Fonte: Cartilha “Mulher Negra tem História” -
Alzira Rufino, Iraci, Maria Rosa Pereira, 1987, Santos;
Roy Glasgow - "Nzinga"- ed. Perspectiva, Col. Debates - 1982 - SP.

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