Introdução

Artigo Mulher Negra Luta e Fé-

Séculos XVI a XIX

Profa.Dra.Helena Theodoro

  O período escravista foi extremamente marcado pela opressão e pela castração do povo negro diante de sua luta pela libertação. A resistência aparecia sob todas as formas, através de guerras ou guerrilhas, como as que ocorreram no Ndongo (atual Angola), no Quilombo dos Palmares e nos demais quilombos espalhados pelo Brasil. E neste momento histórico que se manifesta a presença  guerreira da Rainha Ginga de Angola, exemplo todas as mulheres negras.Em 1623,Nzinga Mbandi Ngola Kiluanji,a Rainha Ginga,assumiu o trono do Ndongo e passou a lutar contra os portugueses.Nzinga participava dos combates e era também muito respeitada por possuir poderes ligados às forças cósmicas,o que lhe permitia mandar chover para garantir a fertilidade da terra.Casou-se e separou-se de Jaga Kasa, descendente dos jagaspovo guerreiro que se destacava nos combates militares e com quem continuou mantendo boas relações a fim de defender os interesses político-militares com os portugueses.
É importante ressaltar a força e os meios estratégicos que a Rainha Ginga utilizava para estabelecer alianças com outros reinos através de intensa atividade diplomática que,depois de muitos esforços,resultou na obtenção da assinatura de um tratado,junto ao Governo de Luanda, que mantinha a integridade do Reino do Ndongo. Nzinga conseguiu libertar escravos, distribuir terras, ampliar alianças com outros chefes e consolidar a unidade do Ndongo.Como conseqüência era perseguida pelas tropas portuguesas e tinha que deslocar os acampamentos, deixando somente os rastros de sua passagem pelos locais onde acampava com seu exército,criando os quilombos. Após inúmeras batalhas, com a morte de uma de suas irmãs, entre alianças feitas e desfeitas, a rainha, já em idade avançada, por volta de 1650, percebeu que era chegado o momento de buscar a paz na região. Buscou a aliança com a Igreja, pois sabia que, sem o respaldo do Vaticano seria difícil assinar qualquer acordo devido às pressões dos traficantes de escravos, que tinham interesse na continuação da guerra, fonte de prisioneiros. O objetivo principal de Nzinga era estimular as insurreições negras, especialmente Palmares, no Brasil. Finalmente,em 1657, foi celebrado o tratado de paz que permitiu a libertação de uma outra irmã de Nzinga e a independência do Ndongo. As mulheres foram beneficiadas com este acordo de paz, pois passaram a ter liberdade de criar seus filhos nos quilombos, o que durante a guerra era proibido, permitindo assim, o repovoamento do Ndongo.
 Com a aliança feita com a Igreja, Nzinga teve que abrir passagem para os missionários capuchinhos, fazendo-se passar pelos ritos de conversão ao catolicismo. Batizou-se com o nome católico de Ana de Souza. Incentivou o batismo de todas as crianças, exigindo que seus soldados usassem um medalhão com uma cruz. Desta relação com a Igreja, foram fundadas as irmandades católicas de negros que, além de formarem correntes de libertação através da compra de cartas de alforria, abrigavam também sociedades africanas que implantaram no Brasil a tradição religiosa de origem, as comunidades - terreiro de candomblé, que foram e são espaços de afirmação de nossa identidade afrodescentes.
A historia da Rainha Ginga, como é conhecida nas congadas brasileiras, é bastante significativa no que se refere ao papel de mulher em nosso meio social.

 
A mulher Negra nos quilombos

Os quilombos eram formados em regiões afastadas das unidades de produção e dos aparelhos militares escravistas. Se caracterizavam pela dimensão pan-africanista de sua luta, implantando e expandindo os valores negro-africanos e se constituindo como referência da resistência contra o escravismo colonialista, dando nas Américas, continuidade ao processo de guerra de libertação africana. Aqui no Brasil, por volta de 1600 começa a se constituir o reino negro doas Palmares, em Alagoas, que se tornaria até 1695 no maior quilombo das Américas. Palmares chegou a se estender por 27 quilômetros e era formado por florestas tropicais, pelas quais passavam inúmeros rios.
Algumas mulheres se destacaram na afirmação sócio-existencial negra, que foram os quilombos. Uma delas foi AQUALTURE, líder do Quilombo dos Palmares. Era princesa na África, filha do rei do Congo, vendida como escrava para o Brasil. Organizou sua fuga e de outros escravos para Palmares e ao lado de Ganga Zumba, iniciou o processo de organização do Estado de Palmares. Chefiou uma das povoações que levava seu nome: Mocambo de Aqualtune.
Outro nome que se destaca é o de TERESA DO QUARITERÊ. Teresa foi Rainha do Quilombo Quariterê durante duas décadas, no século XVIII. Teria nascido em Benguela, Angola, embora exista a possibilidade de ter nascido mo Brasil. Liberou um grupo de negros e índios instalados próximos a Cuiabá, não muito longe da fronteira de Mato Grosso com a atual Bolívia. Impôs tal organização a Quariterê que o quilombo sobreviveu até 1770. Contava com um parlamento, um conselheiro da rainha e um sistema de defesa organizado com armas trocadas com brancos ou roubados nas vilas próximas. Teresa exercia grande controle e influência sobre Quilombo, que contava com uma agricultura de algodão e alimentos muito desenvolvida. Possuía teares com os quais fabricavam tecidos que eram comercializados fora dos quilombos, bem como os alimentos excedentes. Quariterê se caracterizou pelo seu trabalho com a forja, pois transformavam em instrumentos de trabalhos os ferros utilizados contra os negros.

A mulher escrava

As mulheres quilombolas se contrapõem às mulheres escravas, que não tinham direito a uma existência própria, tendo sofrido os horrores da exploração de uma sociedade escravocrata e patriarcal. Segundo Giacomini (1988), a mulher escrava  alem de estar inserida no trabalho produtivo como o homem escravo, tinha a particularidade de possibilitar a reprodução biológica. O potencial produtivo aliado ao potencial reprodutivo da escrava não favoreciam o lucro esperado, ficando assim as mulheres à mercê das necessidades e solicitações de seus senhores, utilizada como objeto sexual e como ama-de-leite, sendo impedidas de exercer sua condição feminina de ser mãe e de ser mulher.
O mito da mulher negra super sexuada, construído ao longo da historia tem suas bases calcadas na visão que se tinha da mulher escrava. Entretanto, tal visão foi concebida dentro de uma sociedade patriarcal onde sempre se determinou o poder do homem sobre a mulher, independente desta ser escrava ou senhora. A sexualidade que os senhores podiam vivenciar com suas esposas era permeada de regras e valores relacionados aos preceitos religiosos e morais. A escrava negra não tinha família, nem cidadania, sendo obrigada a tender às fantasias sexuais do senhor e dos filhos do senhor. Esta relação escrava-objeto sexual representava, aos olhos da senhora, uma ameaça aos laços abençoados e sacramentos da família branca. Assim sendo, a relação entre elas era uma versão doméstica e feminina da com o feitor.
Á mulher escrava restava à servidão continua e incontestável, reproduzida em muitos casos, nos dias atuais.

Século XX

Após o termino da escravidão a mulher negra passou a atuar como viga-mestra das famílias e das comunidades negras, arcando com o sustento moral e com a subsistência dos filhos. Saiu da senzala para cortiços, tornando-se mulher da cama e mesa, ora servindo ao seu companheiro, ora servindo o patrão que antes encarnava o papel de senhor, alem de servir à patroa que antes era a sinhá. Por outro lado, todo um dispositivo de atribuições negativas aos negros é criado, com o objetivo de manter o espaço da participação social no país restrito aos estreitos limites da antiga ordem escravista.
Atuando no século XX como empregada ou babá, viabiliza a emancipação da mulher branca, por permitir a sua saída de casa para ocupar as universidades e trabalhar nas repartições públicas. Este é o novo quadro da tradicional família brasileira, conseqüência das indústrias e da evolução cultural do país, que criou a emancipação cultural e econômica das mulheres em cidades grandes, onde o serviço de creches é deficiente. Mesmo na família que mantém a divisão de tarefas entre marido e mulher, quem, em geral, executa as tarefas domesticas é a mulher negra.   
As mulheres negras foram mucamas, cozinheiras, mães, sacerdotisas, prostitutas, traduzindo sua arte no cotidiano – cozinhando, costurando, bordando, participando de rituais, contando historias, plantando jardins – que enfeitaram nossa infância e embelezaram nossas vidas. Foram mulheres que semearam o campo, tropeçando cegas pela vida, maltratadas pela pobreza, mutiladas, apagadas e confundidas pelo sofrimento. Eram artistas que buscavam uma musica ainda não escrita, na qual a sua força, a sua espiritualidade, o seu AXÉ, aquela coisa desconhecida que existia dentro delas, se tornasse conhecida. E elas esperavam e esperavam... No entanto, sabiam que seus campos de outono, vazios de frutos, iriam chegar ao tempo da colheita, mesmo que fosse num outro tempo, pelas mãos e força de outras mulheres. E assim está sendo!...

As lalorixás – mulheres negras religiosas

A perseguição impiedosa feita aos quilombos em função da intima relação entre as insurgências negras e as comunidades religiosas de base africana, além  da ameaça representada pelo Quilombo dos Palmares, oportunizou a liderança religiosa das mulheres, já que o governo promoveu um extermínio brutal dos lideres religiosos. O culto aos orixás, que pode ser liderado por homens ou mulheres, encontrou na mulher negra o principal esteio para a manutenção das tradições religiosas e culturais da comunidade.
As comunidades-terreiros surgiram de confrarias religiosas baianas, especificamente da Ordem Terceira do Rosário de Nossa Senhora das Portas do Carmo, fundada na Igreja de Nossa Senhora do Rosário do Pelourinho (negros de Angola) e da Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte, da Igreja da Barroquinha (mulheres nagôs). As mulheres tiveram um papel fundamental em sua organização, tornando-as espaços estruturadoras de identidade e de formas de comportamentos social e individual.
A primeira comunidade conhecida, que organizou publicamente o primeiro terreiro de culto aos orixás, dedicada a Xangô Afonjá, orixá da casa dos Alafin, reis de Oyó, surgiu na Barroquinha, fundada por três africanas, sendo uma delas descendentes de Ketu – sacerdotisa Ivã- Nassô. Foi o Ilê Ivã Nassô, conhecido por Casa Branca, de onde saíram os mais importantes terreiros Nagô, que fizeram da Bahia a conhecida Roam Negra, como dizia Mãe Aninha – Oba Biyi, fundadora do Axé Opô Afonjá, em São Gonçalo do Reino. As mães de santo, saudades e respeitadas por personalidades da vida cultural do país, se destacam neste século, como mulheres negras brasileiras, que se impõem por sua dignidade e força. Um outro nome que se destaca na tradição dos terreiros é o de Maria Bibiana do Espírito Santo. Mãe Senhora, sucessora de Mãe Aninha no Axé Opô Afonjá. Mãe Senhora, com apoio de seu filho Mestre Didi (Deoscoredes Maximiliano dos Santos) artista plástico reconhecido internacionalmente, sacerdote supremo do culto dos antepassados (Egundun), restabeleceu em 1953 os laços religiosos com a Nigéria, intercâmbio que permanece até os nossos dias. Mãe Menininha do Gantois e Mãe Stella de Oxossi, atual iarolixá do Axé Opo Afonjá são nomes conhecidos e respeitados em todo o país, destacando-se Mãe Stella por sua liderança e luta contra o sincretismo religioso.
As comunidades se constituem em verdadeiros sistemas de alianças, que variam segundo o estado em que se localizam e as origens de seus fundadores, sendo que os laços de sangue são substituídos pelos de participação na comunidade, de acordo com a antiguidade, as obrigações e a linhagem iniciática.   
No Rio de Janeiro, a baiana Tia Ciata, da Oxum Hilária Batista de Almeida ficou conhecida no início do século por suas ligações diretas com o samba de morro carioca, gerador das conhecidas escolas de samba.
Agripina de Souza, de Xangô, Mãe Cantulina Pacheco, Mãe Bida ou Mãe Beata de Iemanjá são mulheres negras conhecidas e respeitadas no Rio de Janeiro por suas lideranças religiosas e comunitárias, da mesma forma que Mãe Andresa e Mãe Celeste da Casa das Minas do Maranhão, são exemplos de força e seriedade em São Luís.

A Mulher negra e os movimentos feministas

O movimento feminista no Brasil, não se prendeu ao estupro ou ao mercado de trabalho como o europeu, alargando seus horizontes, passando a situar como alvos de sua luta não apenas os assassinatos ou crimes de sangues, mas também os pequenos “assassinatos do dia-a-dia”.
Proliferam, assim, os movimentos específicos de grupos de mulheres, sendo que as primeiras organizações de mulheres negras, segundo Gonzalez (1985), surgem dentro do Movimento Negro, destacando-se a contribuição de Maria Beatriz Nascimento que organizou em 1972, na Universidade Federal Fluminense, a Semana de Cultura Negra, seguida dos históricos encontros nas Faculdades Candido Mendes, que reuniram toda uma nova geração para discutir o racismo e suas práticas, enquanto forma de exclusão da comunidade afro descendentes.
As mulheres negras se destacaram por discutirem o seu dia-a-dia, sendo que em 1975, quando as feministas comemoravam o Ano Internacional da Mulher, elas apresentaram um documento que caracterizava sua situação de opressão e exploração. Os anos seguintes testemunharam à criação de diferentes grupos que a partir de 1979 com o Aqualtune até os nossos dias com Criola, Fala Preta, Casa de Cultura da Mulher Negra, Geledés e muitos outros evidenciam a relação étnico-racial e de gênero, sendo uma amostra nacional das vozes e formas de manifestação da presença de nossas ancestrais entre nós. É uma força, uma energia de vida (AXÉ) que nos propicia perspectivas para um futuro digno e respeitável para todas as mulheres negras.
Tenho certeza de que é o que nossas avós esperavam.

Selecione uma das personalidades clicando nos links abaixo:

Adelina a Charuteira
Ademilde Fonseca
Afra Joaquina Vieira Muniz
Almerinda Farias Gama
Alzira Rufino
Alzira Soriano
  Ana de Jesus
Ana Romana Lopes do Nascimento
Antonieta de Barros
 Ana
Aqualtune
Araci de Almeida
Auta de Souza
Benedita da Silva -Reportagem

Benedita da Silva
Brandina
Carolina Maria de Jesus
2-Reportagem Quarto de Despejo
Chica da Silva
Clementina de Jesus
Dandara
Dona Zica
Francisca
Francisca Trindade
Francisca Maria da Conceição
Laudelina de Campos Melo

Lélia Gonzalez

Luiza Mahin
Mãe Aninha

Mãe Hilda de Jitolú-Bahia
Mãe Menininha do Gantois
Mãe Senhora
Mãe Stella 2-Reportagem
Maria Auxiliadora da Silva
Maria Brandão dos Reis
Maria Conga
Maria da Penha Nascimento de Campos
Maria Firmina dos Reis
Maria José Bezerra
Maria Patrícia Fogaça
Nair Theodora de Araújo
Neuma Gonçalves da Silva
Rita Maria
Rosa Maria Egipcíaca da Vera Cruz
Rainha Teresa do Quariterê
Ruth de Souza 2 -Reportagem
Tia Ciata
Tia Doca da Portela 2-Reportagem
Zeferina


ADELINA A Charuteira

Adelina, a charuteira, foi uma escrava nascida em São Luís do Maranhão em meados do século 19. Filha bastarda de seu proprietário, vendia nas ruas os charutos que ele fabricava. Era o que se chamava de "escrava de ganho". Ela sabia ler e escrever  e nas horas vagas costurava. Aos  16 anos já freqüentava comícios da sociedade abolicionista Clube dos Mortos, liderada por rapazes. Tornou-se informante dos abolicionistas. Descobria com antecedência os planos da polícia sobre a perseguição de escravos fugidos e avisava os companheiros.
As autoridades coloniais e imperiais reprimiram a ação de negras vendedeiras como Adelina. Elas tinham contato com escravos libertos e facilmente se tornavam intermediárias dos quilombos, vendendo os produtos que eles roubavam e comprando o que eles precisavam para sobreviver. As vendedoras de acarajé, em Salvador, e as de cocada, no Rio de Janeiro, são suas herdeiras diretas.  Dicionário Mulheres do Brasil de Jorge Zahar Editora LTDA www.zahar.com.br-Revista Isto É-
Fonte: Cartilha “Mulher Negra tem História”
Alzira Rufino, Nilza Iraci, Maria Rosa, 1987.

(voltar ao topo)

Ademilde Fonseca- Cantora pernambucana nascida em 1921 criada em Macaíba (RN). Muito jovem ligou-se a um grupo seresteiro local, do qual fazia parte Laudimar Gedão Delfim, com quem veio a se casar, mudando-se com ele, em 1941, para o Rio de Janeiro.Ademilde cantou em programas de calouros até obter o sucesso com a interpretação da música “tico-tico no fubá”, de Zequinha de Abreu. Sua fama em cantar choro aumentou e ficou consagrada como a maior intérprete de choro com a música “Rato, rato” de Claudino da Costa. Em 1950 “Brasileirinho” de Waldir Azevedo foi outro sucesso. Em 1964, ao lado do cantor Jamelão, exibiu-se durante seis meses em Lisboa, Portugal. Em 1967 participou do II Festival Internacional da Canção, com a música “Fala baixinho” de Pixinguinha, com a letra de Hermínio Belo de Carvalho. Relançamento de suas principais interpretações em LP em 1975. Voltou aos palcos na década de 1980 participando do projeto Pixingão na sala Funarte. Em 1999 recebeu o Troféu Eletrobrás e o Troféu da Gafieira elite por ter popularizado o chorinho com letra.

  Afra Joaquina Vieira Muniz - Ex-escrava  baiana do século XIX de origem africana, casara-se com seu próprio senhor. Ao ficar viúva foi processada pelas escravas de seu marido cuja alegação era de que deveriam ser libertas. Porém, a justiça deu ganho de causa à Afra.

 
Alzira Rufino - Feminista do Mov. de  mulheres , ativista do movimento de mulheres negras ,do mov. negro  , nascida em 06/07/1949 reside em Santos-São Paulo.
 Seguidora das tradições do candomblé, oriunda de uma família humilde e graduada em enfermagem, feminista, destaca-se como importante ativista política do Movimento Negro e no Movimento de Mulheres Negras, sendo ainda a primeira escritora negra a ter seu depoimento registrado pelo Museu de Literatura Mário de Andrade, de São Paulo.
Sua participação pioneira na impressa da região de Santos (SP) onde nasceu, divulgando a situação das mulheres negras e da violência contra a mulher, em muito contribuiu para o debate público, denúncias e o envolvimento da mídia nessas questões. Além dos artigos que escreve para revistas e jornais em todo o país e no exterior, ganhou diversos prêmios pela publicação de poesia, ficção e ensaios. Desde 2001, edita a Revista Eparrei, de circulação semestral, voltada para a cultura negra.
A organização, em 1985, da Primeira Semana da Mulher da região da Baixada Santista; a fundação do Coletivo de Mulheres Negras da Baixada Santista, em 1986, um dos mais antigos grupos do Brasil; a criação, em 1987, do Coral Infantil Omó Oyá e do Grupo de Dança Afro Ajaína; bem como a fundação da Casa de Cultura da Mulher Negra- CCMN, em 1990, são exemplos marcantes da incansável atuação de Alzira.
O reconhecimento a seu trabalho lhe rendeu várias homenagens, dentre elas: Mulher do Ano, concedido em 1991, no Rio de Janeiro, pelo Conselho Nacional da Mulher Brasileira; em 1992, como primeira mulher negra - tornou-se Cidadã Emérita, homenageada pelas Câmara Municipal de Santos e Câmara Municipal de Cubatão(SP); Mulher Destaque em 2000, pela Câmara Municipal de Santos e, em 2004, Mulher Destaque- Área Direitos Humanos/Status, pelo Clube Soroptimista Internacional de Santos.
Alzira e a Casa de Cultura da Mulher Negra receberam ainda, o Prêmio Zumbi dos Palmares, concedido pela Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo.Prêmio  Destaque da Câmara dos Deputados Federais,Embaixadora da Cultura Negra  pelo PMDB Santos-Prêmio Internacional da Cultura Negra  do IBPN- Instituto do Pensamento Negro,Premio Mulher Destaque da Primeira Igreja Batista de São Vicente –Igreja Adventista do 7.Dia e Igreja Metodista de Santos –Prêmio Zumbi de Palmares e Medalha Quintino de Lacerda do Conselho da Comunidade Negra de Santos- Prêmio Comissão do Advogado Afrodescendente daOAB-Santos-Diploma Prêmio Lélia Gonzalez de Criola RJ - Diploma  Gèledes- 18 anos-Dia Internacional da Mulher –Câmara Municipal de Santos e Troféu Mamma Africa –Menção Especial em  2009.
Por sua experiência e atuação coordenou, entre 1995 e 1998, a Rede Feminista Latino-Americana e do Caribe contra a Violência Doméstica, Sexual e Racial, na sub-região Brasil. Em 2008, simultaneamente às palestras que ministra por todo o país e exterior é Presidente da Casa de Cultura da Mulher Negra e responde por um serviço de apoio jurídico e psicológico, voltado para vítimas de violência doméstica, sexual e de racismo. Conferencista da Conferência Internacional sobre Violência, Abuso e Cidadania da Mulher, ocorrida na Grã-Bretanha, em novembro/96, está a frente, desde 1995, da campanha Violência contra a Mulher, uma questão de Saúde Pública  e por Uma Educação sem Discriminação
Uma das responsáveis pela criação da Casa-Abrigo de Santos (SP) e leis contra a violência e racismo, sua atuação acabou por influenciar a instalação, em diversos municípios brasileiros, de serviços voltados para mulheres, com foco no aspecto da cultura, atendimento jurídico, psicológico e geração de trabalho e renda.

 
Alzira Soriano (1897-1963) - Primeira prefeita da América Latina, eleita em 1927, natural de Jardim de Angicos (RN). Em sua campanha sofreu inúmeras ofensas pessoais, principalmente pela sua condição de mulher. Tomou posse na cidade de Lages (RN) e ficou no poder até a Revolução de 30.

 Ana (séc. XIX) - Escrava, liderou uma rebelião, no interior do Ceará, em 1835, contra os maus tratos sofridos pelos escravos.


  Ana de Jesus (séc. XVIII) - Escrava mineira forra do século XVIII , desconhece-se com que recursos conseguiu a alforria. Sabe-se apenas que era abastada o suficiente para ter escravos. Ao se casar com um de seus escravos forneceu um registro o que comprova a ocorrência de uniões estáveis entre negros na época.
 
Ana Romana Lopes do Nascimento (c.1781-?) - Forra, citada como participante da Conjuração Baiana por causa de seu envolvimento amoroso com um dos principais líderes do movimento, João de Deus.
 Anaíde Beiriz (1905-1930) -  Professora paraibana, pronunciava-se publicamente em favor da liberdade e autonomia das mulheres. Teve um romance com João Dantas, adversário político do então presidente da Paraíba, João Pessoa, que foi assassinado por seu amante. Anaíde foi perseguida e levada ao suicídio, sendo enterrada como indigente.

Araci de Almeida (1914-1988) - Natural do Rio de janeiro-Cantora, amiga e interprete preferida de Noel Rosa, seu estilo e voz lhe proporcionaram grande aceitação no mercado musical, com gravações inesquecíveis dentre as mais de 400 que realizou.
 


AQUALTUNE -Século XVII

Quando os Jagas invadiram o Congo, Aqualtune foi para a frente de batalha defender o reino, comandando um exército de 10 mil guerreiros.Filha do Rei do Congo, a princesa foi vendida como escrava para o Brasil, em razão das rivalidades existente entre os diversos reinos africanos.
Derrotada, foi levada como escrava para um navio negreiro e desembarcada em Recife. Dentro do sistema aviltante em que foi colocada como prisioneira, foi obrigada a manter relações sexuais com um escravo, para fins de reprodução.
Grávida , foi vendida para um engenho de porto Calvo, onde pela primeira vez teve notícias de Palmares. Já nos últimos meses de gravidez organizou sua fuga e a de alguns escravos para Palmares.Há registros em que o famoso líder negro Ganga Zumba figura como integrante de sua família, assim como Zumbi, seu neto e lendário herói de Palmares.
Ao lado de Ganga Zumba, participou da organização de um Estado negro, que abrangia povoados distintos confederados sob a direção suprema de um chefe.
Aqualtune instalou-se, posteriormente, num desses mocambos, povoados fortificados, a 30 léguas ao noroeste de Porto Calvo.
Fonte: Cartilha “Mulher Negra tem História”
Alzira Rufino, Nilza Iraci, Maria Rosa, 1987.
(voltar ao topo)

 
 

Almerinda Farias Gama

  "Advogada consciente dos direitos das classes trabalhadoras,jornalista combativa e feminista de ação.Lutando pela independência econômica da mulher,pela garantia legal do trabalhador e pelo ensino obrigatório e gratuíto de todos os brasileiros em todos os graus"  Texto do Panfleto de Almerinda  distribuido na Campanha de 1934 para Câmara e o Senado.

 Nascida em Maceió no dia 16 de maio de 1899 Almerinda Farias Gama foi uma das primeiras mulheres negras na política do Brasil.Orfã ,foi educada pela tia em Belém no Pará onde formou-se datilógrafa.Ainda bem jovem teve  crônicas publicadas  no Jornal A Província.A morte  do filho ainda pequeno ,a viuvez precoce e a busca por um salário  igual a dos homens no mercado de trabalho,transforma  Almerinda numa ativista  dos direitos trabalhistas. Em busca de uma renumeração digna,em 1929 fixa residência no Rio de Janeiro. Líder sindical foi presidente do Sindicato dos Datilógrafos e Taquígrafos. Apesar de viver há apenas quatro anos no Rio de Janeiro ,já tinha consolidado sua reputação de ativista feminista e sindical.Apoiou as iniciativas de Bertha Lutz ,presidente da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino.Foi a única mulher a votar como delegada na eleição dos representantes classistas para a Assembléia Nacional Constituinte no dia 03 de maio de 1933.

Em 14 de outubro de 1934 candidatou-se pelo Distrito Federal nas eleições regulares para a Câmara Federal e o Senado.Almerinda não conseguiu de eleger,mas abriu espaço para dar  visibilidade para a  mulher negra no cenário político nacional.Em 1935,uniu-se a um engenheiro carioca com quem teve seu segundo filho ,ambos falecidos .

 Almerinda tentou atuar como jornalista,mas acabou desisitndo e também se retirando da política partidária.Em 1943 ainda participava da vida sindical como advogada e era membro da Associação dos Escreventes da Justiça do Distrito Federal.

Em 1991, foi entrevistada por Joel Zito que posteriormente produziu em parceria com o SOS Corpo de Pernanmbuco,um vídeo sobre sua vida e suas lutas,e em 1992,já doente,gravou uma pequena entrevista para a organização feminista ComMulher, de São Paulo.Na ocasião, Almerinda morava numa casa no subúrbio do Rio de Janeiro.

 Fonte Shuma Schumaher/Érico Vidal Brasil -Dicionário Mulheres do Brasil Jorge Zahar Editores-2a.edição-Cadernos de Educação CCMN- Mulher Negra Tem História vol II-Alzira Rufino  


ANTONIETA DE BARROS
Nasceu em 11 julho de 1.901, em Florianópolis (SC). Era filha de Catarina e Rodolfo de Barros. Órfã de pai, foi criada pela mãe. Depois dos estudos primários, ingressou na Escola Normal Catarinense.
Antonieta teve que romper muitas barreiras para conquistar espaços que, em seu tempo, eram inusitados para as mulheres, e, mais ainda, para uma mulher negra. Nos anos 20, deu início às atividades de jornalista, criando e dirigindo em Florianópolis o jornal A Semana, mantido até 1927. Três anos depois, passou a dirigir o periódico Vida Ilhoa, na mesma cidade.
Como educadora, fundou, logo após ter se diplomado no magistério, o Curso Antonieta de Barros, que dirigiu até sua morte. Lecionou, ainda, em Florianópolis, no Colégio Coração de Jesus, na Escola Normal Catarinense e no Colégio Dias Velho, do qual foi diretora no período de 1937 a 1945.
Na década de 30, manteve intercâmbio com a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino (FBPF) como revela a correspondência trocada entre ela e Bertha Lutz, hoje preservada no Arquivo Nacional.
Na primeira eleição em que as mulheres brasileiras puderam votar e serem votadas, filiou-se ao Partido Liberal Catarinense e elegeu-se deputada estadual (1934-37). Tornou-se, desse modo, a primeira mulher negra a assumir um mandato popular no Brasil. Foi também a primeira mulher a participar do Legislativo Estadual de Santa Catarina. Depois da redemocratização do país com a queda do Estado Novo, concorreu a deputada estadual nas eleições de 1945, obtendo a primeira suplência pela legendado Partido Social Democrático (PSD). Assumiu a vaga na Assembléia Legislativa em 1947 e cumpriu seu mandato até 1951.
Usando o pseudônimo literário de Maria da Ilha, escreveu o livro Farrapos de idéias. Faleceu em Florianópolis no dia 28 de março de 1952.
Fonte: Dicionário Mulheres do Brasil de 1500 até à atualidade
Editor.: Jorge Zahar; Organizado Schuma Schumaher e Érico Vital Brazil
(voltar ao topo)



AUTA DE SOUZA
Nasceu em 1876 em Macaíba, Rio Grande do Norte, de uma família próspera.
Órfã de mãe aos dois anos de idade, e de pai, aos quatro, foi criada pela avó.
Em 1887 foi matriculada no Colégio são Vicente de Paula, dirigido por religiosas francesas, onde aprendeu francês e leu os clássicos e os místicos.
Com tuberculose, é obrigada a retornar à casa da avó e completar sua formação na Biblioteca do irmão, poeta, jornalista e deputado federal.
Em 1894, fundou o Clube do Biscoito, que promovia reuniões de poesia, jogos e danças, nas casas de seus associados.
Escrevendo versos em Português e Francês, Auta, mesmo antes de completar 20 anos, colaborava na imprensa de seu Estado.
Em 1901 publicou o livro “O Horto”, prefaciado por Olavo Bilac e muito elogiado pela crítica. Esse livro foi lido tanto pelos intelectuais como pela gente do povo, que transformou muito de seus versos em cantigas.
Auta de Souza morreu em 1901, com apenas 25 anos de idade.

(voltar ao topo)

BENEDITA DA SILVA - BENÊ
Benedita da Silva nasceu no dia 11 de março de 1942 na favela da Praia do Pinto (RJ), de onde mudou-se, muito cedo, para o Morro do Chapéu Mangueira, no Leme, onde viveu durante 57 anos.
Formada em Assistência Social e licenciada em Estudos Sociais, Bené é fundadora e primeira presidente do Departamento Feminino da favela Chapéu Mangueira, onde exerce também a função de professora na escola Comunitária local, no Rio de Janeiro.
Em 1982 foi eleita vereadora do Rio de Janeiro pelo Partido dos Trabalhadores - PT e foi líder do partido na Câmara. Como vereadora organizou o 1º e o 2º Encontro de Mulheres de Favelas e Periferia, que deu origem ao CEMUFP.
É conselheira do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher e integrante da Comissão de defesa dos Direitos da Mulher no Estado do Rio de Janeiro.
Em 15 de novembro de 86, Benedita da Silva, enfrentando sua tríplice discriminação (negra, mulher e pobre), se elege Deputada Federal Constituinte pelo PT do Rio. Em 01/02/87, Benedita da Silva tomou posse em Brasília com a única constituinte negra. Estava com dengue, doença típica da população pobre.
Depois de reeleger-se em 1990, Benedita da Silva candidatou-se à Prefeitura do Rio de Janeiro. Venceu no primeiro turno, no entanto, perdeu no segundo para César Maia. Em 2001, presidiu a Conferência Nacional de Combate ao Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Intolerâncias Correlatas, que reuniu mais de dez mil pessoas de todo país, entre lideranças de ONGs e governos
Em 1994, tornou-se a primeira mulher negra a ocupar uma vaga no Senado, com mais de 2,2 milhões de votos. Foi eleita vice-governadora do Rio de Janeiro em 1998 na chapa de Anthony Garotinho e assumiu o governo em abril, tornando-se a primeira mulher negra a governar um Estado brasileiro.
Em 2003, no governo Lula, assumiu a Secretaria da Assistência e Promoção Social, com status de ministra, cargo que ocupou até janeiro de 2004, tornando-se a primeira mulher negra a atingir essa posição na política brasileira.
Fonte: Centro de Documentação Carolina de Jesus/CCMN
(voltar ao topo)

BRANDINA
Atuante no movimento abolicionista de Santos, na segunda metade do século passado, Brandina era proprietária de uma pensão na antiga rua setentrional, hoje Praça da República.
Embora de origem humilde, usava o ganho do seu trabalho para dar comida, fumo e remédio aos negros que se refugiavam na Baixada Santista, colaborando ativamente com os cabos abolicionistas e com Santos Garrafão, que organizou um dos grandes quilombos de Santos: o Quilombo de Santos Garrafão.
A personalidade forte e destemida, além da qualidade de protetora tornou Brandina uma das figuras mais queridas entre os negros quilombolas da Baixada Santista.
Fonte: Cartilha “Mulher Negra tem História”
Alzira Rufino, Nilza Iraci, Maria Rosa, 1987.

(voltar ao topo)

CAROLINA MARIA DE JESUS
Nasceu no interior de Minas Gerais, em 1914, numa família de 9 irmãos. Tendo que trabalhar para ajudar no sustento da casa, cursou apenas até o segundo ano primário.
Mudou-se para São Paulo morando na favela do Canindé, garantia seu sustento e de seus três filhos catando papel. No meio desses papéis velhos, Carolina encontrou uma caderneta e passou a registrar, em forma de diário, o seu cotidiano de favelada.
Descoberta por um jornalista, em 1960, teve seu diário publicado com o título “ Quarto de Despejo” , hoje em sua 10º edição.
Prefaciado por Alberto Moravia, conhecido escritor italiano, “ Quarto de Despejo” foi traduzido para 13 idiomas e impressionava o mundo pela força de sua narrativa e pelo depoimento que retratava a fome e a miséria dos favelados.
Em 1961, o livro teve seu texto adaptado para o teatro por Edi Lima e encenado no Teatro Nídia Lícia, no mesmo ano.
Enquanto no Brasil Carolina era considerada um fato folclórico, seu livro era comentado pela imprensa internacional, sendo várias de suas páginas transcritas na revista americana “ Life” e na francesa “ Paris Match”
Em 1977, ao ser entrevistada por jornalistas franceses, Carolina entrega-lhes os apontamentos biográficos onde narra sua infância e adolescência marcadas pela pobreza e discriminação racial. Em 1986 esses apontamentos são publicados sob o título de “ Diário de Bitita” , pela editora Nova Fronteira.
Antes desses apontamentos, Carolina publicou ainda os seguintes livros: “ Casa de Alvenaria” , “ Provérbios” e “ Pedaços da Fome” .
Carolina morreu em 1977 na mais completa miséria. Fonte: Cartilha “Mulher Negra tem História”Alzira Rufino, Iraci, Maria Rosa, 1987.


CHICA DA SILVA - Francisca da Silva de Oliveira

A verdadeira história de Chica da Silva traça o perfil de uma mulher de personalidade e líder feminina, algo difícil em uma época marcada pela discriminação, primeiramente por ser mulher, e principalmente negra em um país escravocrata.
Chica era uma das poucas escravas que sabia ler e escrever. Supõe-se que seja filha de um senhor com uma escrava. Foi libertada a pedido do contratador de diamantes João Fernandes de Oliveira. Dificilmente continuaria escrava, pois morava na Vila do Príncipe, com o presidente do Senado da Câmara, com o qual já se encontrava junto antes do contratador.
Tinha o poder de dominar os poderosos com toda a sua astúcia, era considerada uma autêntica mineira. Era conhecida como Chica que manda, pois todos os favores pedidos ao contratador teriam que passar pelo seu crivo.
Viveu e morreu no Arraial do Tijuco, atual distrito de Diamantina (MG).
A autenticidade de Chica também marcou a sua história, não apenas pelo seu poder de conquista e de mando que exercia sobre seus amantes, mas soube aproveitar as oportunidades em benefício dos seus desejos e excentricidades, por exemplo: castelo em estilo medieval em sua Chácara da Palha; ia à igreja coberta de diamante e acompanhada por doze mucamas ricamente vestidas; usava cabeleira anelada cobrindo sua cabeça raspada; tinha um pequeno navio para navegar no mar que mandou construir; era considerada uma patrocinadora da arte, afinal o único teatro permitido era de sua propriedade; banda de música à sua disposição; duas capelas; jardim de plantas exóticas importadas, cascatas artificiais, fontes, tanques para pescaria, etc.
Logo após sua alforria já era proprietária de um sobrado e alguns escravos, demonstrando que procurava inserir-se no mundo livre do arraial, incorporando seus costumes e adquirindo os necessários para se fazer respeitada. Chica seguia atentamente todos os hábitos das senhoras da elite mineira.
Seus desejos eram uma ordem. Os melhores lugares nos templos eram reservados para ela. A nobreza do Arraial do Tijuco e até mesmo os visitantes curvavam-se e beijavam a sua mão.
Chica era uma mãe muito zelosa e presente e reforçou os seus cuidados quando seu marido voltou a Portugal, para prestar contas à coroa. Teve treze filhos, 9 mulheres e 4 homens, educou suas filhas no Recolhimento de Macaúbas, melhor educandário da região, reservado apenas para moças ricas; também teve um filho seminarista que mais tarde tornou-se padre. Uma das coisas que mais a incomodava era o preconceito sofrido por suas filhas, que não poderiam ocupar cargos de importância na comunidade e nem usar véu branco. Afirmavam que não tinham sangue puro. Com isso, Chica as tirou do convento, encaminhando-as para outros lugares que achava conveniente.
O mito se popularizou em nossos dias. Chica é conhecida como uma mulher imoral que usava da sua sensualidade para conseguir as regalias que queria. Isto nada mais é do que o resultado de um dos estereótipos do papel da mulher negra na sociedade colonial, sendo este construído pelos próprios historiadores, a partir do século XIX. Chica apareceu como personagem histórica pela primeira vez nos textos de Diamantina, publicados pelo jornal O Jequitinhonha. Depois reunidos nos livros Memórias do Diamantina, onde mais uma vez sua imagem foi deturpada.
Sua trajetória foi de luta para tentar diminuir o estigma que a cor e a escravidão lhe impuseram.
Faleceu no dia 15 de fevereiro de 1796, no Arraial do Tijuco. Foi enterrada na Igreja de São Francisco de Assis, irmandade reservada para elite branca do arraial. O cortejo foi acompanhado até à sepultura por todas as irmandades a que pertencia. De acordo com suas disposições testamentárias, foram rezadas 40 missas para sua alma na igreja das Mercês, que reunia os pardos e mulatos.
Fonte: O olhar da Mulher Negra : o resgate de Chica da Silva
Publicação Fundação Cultural Palmares 2000
(voltar ao topo)

CLEMENTINA DE JESUS
Nasceu em 07 de fevereiro de 1898 na cidade de Valença, interior do Rio de Janeiro. Mudou-se com a família para a capital do estado, radicando-se no bairro de Oswaldo Cruz. Lá acompanhou de perto o surgimento e desenvolvimento da escola de samba Portela, freqüentando desde cedo as rodas de samba da região. Em 1940 casou-se e mudou para a Mangueira.
Trabalhou como doméstica por mais de 20 anos e, sem conseguir espaço para exercer sua arte, animava festinhas em casa de amigos. Somente aos 60 anos Clementina iniciou sua carreira como cantora profissional, enfrentando inúmeros obstáculos enquanto mulher, negra e pobre. "Descoberta" pelo compositor Hermínio Bello de Carvalho em 1963, participou do show "Rosa de Ouro", que rodou algumas das capitais mais importantes do Brasil e virou disco pela Odeon, incluindo, entre outros, o jongo "Benguelê".
Clementina de Jesus inspirou compositores famosos, que a consideram a grande mãe da nossa cultura. Ensinou a muitos, cantigas populares do início do século, sendo que inúmeras delas foram gravadas. Em 1968, com a produção de Hermínio Bello de Carvalho, registrou o histórico LP "Gente da Antiga" ao lado de Pixinguinha e João da Bahiana. Gravou quatro discos solo (dois com o título "Clementina de Jesus", "Clementina, Cadê Você?" e "Marinheiro Só") e fez diversas participações, como nos discos "Rosa de Ouro", "Cantos de Escravos" e "Milagre dos Peixes", de Milton Nascimento, em que interpretou a faixa "Escravos de Jó".
Apesar de feito muito pela preservação das nossas raízes, e ser considerada a primeira dama da MPB, Clementina viveu modestamente de uma pequena pensão do INSS e de outra que recebia do governo do Rio de Janeiro.
TINA ou QUELÉ, morreu em julho de 1987 aos 85 anos de idade, deixando uma única filha, nove netos, nove bisnetos e cinco tataranetos.
Fonte: Centro de Documentação Carolina de Jesus/CCMN
(voltar ao topo)


DANDARA

O seu nome significa "a mais bela" ( ?-06/02/1694 )

Segundo a tradição oral, ela foi a primeira e única mulher de Zumbi dos Palmares e com ele teve três filhos. Dandara foi uma guerreira valente e atuou ao lado de Zumbi na defesa do Quilombo. E na manutenção da cultura de matrizes africanas sendo uma das quilombolas coordenadora da defesa dos diversos mocambos.Na última invasão ao Quilombo de Palmares para não retornar à condição de escrava suicidou-se em seis de fevereiro de 1694, jogando-se da pedreira mais alta.

(voltar ao topo)


DONA ZICA (Eusébia Silva do Nascimento) (1913-2003)

Líder comunitária e símbolo da Escola de Samba estação Primeira de Mangueira.
Eusébia Silva do Nascimento nasceu em um domingo de carnaval, no subúrbio do Rio de Janeiro. Aos quatro anos de idade, Zica mudou-se com sua família para Mangueira.
Com dezenove anos casou-se com Carlos Dias do Nascimento, tendo que morar com a família de seu marido, no bairro da Abolição. Zica teve cinco filhos, três morreram quando crianças. Depois de casada, lavava e passava para fora, até começar as trabalhar como tecelã em uma fábrica na Mangueira.
Após a sua separação, Zica voltou para Mangueira e continuou trabalhando em casa, pois cuidava de uma de suas filhas que estava gravemente doente.
Zica e Cartola eram conhecidos desde criança, quando se reencontraram foram viver juntos em 1953, até o falecimento dele.
No final da década de 50, conseguiu, juntamente com o presidente da Associação das Escolas de Samba, uma sede para entidade.
No ano de 1974, o casal foi morar em uma casinha em Jacarepaguá. Logo, quando se tornou viúva de Cartola voltou para a Mangueira, onde morreu, participando da comunidade. Era diretora da escola, fazendo parte da parte dos Baluartes da Estação Primeira de Mangueira; pertencendo a um grupo composto por 22 personalidades que conforme a tradição desfilam no carro abre-alas da escola carioca.
Morreu em 22 de janeiro de 2003, como ícone máximo da escola de samba da Mangueira.
Fonte: Dicionário Mulheres do Brasil de 1500 até à atualidade.
(voltar ao topo)

FRANCISCA

Em 1814 eclodiu uma das mais violentas insurreições de negros mulçumanos em Salvador. A base da insurreição eram as armações - estabelecimentos de pesca - e a idéia era sublevar os escravos que trabalhavam nesses locais, estendendo o movimento a todo Recôncavo Baiano.
Francisca e seu companheiro Francisco Cidade, ambos escravos, eram mencionados em papéis escritos em árabe, apreendidos pelas autoridades, como “Rainha” e “Rei”, e desempenharam o papel de coordenar o levante.
A pretexto de custear os batuques, as danças de sua nação, Francisca e seu companheiro, coletavam dinheiro entre os escravos e percorrendo as armações e as povoações, articulavam a insurreição com os líderes desses lugares e sempre com o pretexto da dança faziam a intermediação entre o centro da cidade e as armações, para receber e transmitir instruções aos companheiros.
A casa de Francisca em Salvador era o esconderijo onde eram reunidas as armas.
Sufocada a rebelião, Francisco Cidade foi condenado à morte mas, comutada a pena, deportaram-no para um presídio na África. Não se tem notícia sobre a pena ou destino de Francisca.

(voltar ao topo)

FRANCISCA MARIA DA CONCEIÇÃO - CHICA BARROSA

Nasceu na Paraíba nos meados de 1910. Genial repentista negra, desafiou um homem branco, fazendeiro, Manuel Martins de Oliveira (Neco), também conhecido repentista, para um duelo na Fazenda São Gonçalo.
Para humilhar sua rival, Neco começou a rodada com o seguinte verso: "Eu agora estou ciente que negro não é cristão/Pois a alma dessa gente sai debaixo do chão/E lá na mansão celeste, não entra quem é ladrão".
Chica rebateu com elegância, respondendo que a diferença não estava na cor "se quiser Nosso Senhor, vai o branco pra cozinha, e o preto pro andor".
Ao anoitecer os presentes exigiam mais calor nos desafios e, por ser bastante habilidosa Chica ganhava o duelo, quando irritado, o coronel sacou uma arma, tentando atingir Chica, sem porém consegui-lo. Quando se acalmaram os ânimos, Chica voltou ao local do duelo, despedindo-se do coronel com os seguintes versos: "Nesta nossa cantoria, estremeceram-se os céus/até os mortos ouviram, no fundo dos mausoléus/com uma bala acabou, a raça dos fariseus/colega Neco Martins, aceite meu triste adeus".
Poucos dados existem sobre essa mulher, bastante popular entre os cantadores que mostrou com sua simplicidade que a arte sobrevive apesar da discriminação racial, social e do machismo e passa para nós que a arte é a mania de fazer arte.

(voltar ao topo)

Francisca Trindade


FRANCISCA TRINDADE: NOSSA HISTÓRIA, NOSSO ORGULHO                                                                                                 
                                                                                                                   Por Sônia Terra

Uma chuva fina caía sobre Teresina, na manhã de segunda-feira, 31 de março de 1966 Não era uma manhã qualquer. O cenário era a Praça da Liberdade, palco de tantas manifestações políticas e onde, mesmo diante da chuva persistente, reuniram-se significativas representações políticas e sociais do meu Estado. O motivo? Fazer uma homenagem, através de uma estátua de bronze, à piauiense Francisca Trindade. 
Nascida na periferia de Teresina, nos movimentos de jovens já manifestava consciência crítica. Trilhou admirável caminho assumindo-se mulher, identificando-se como negra, posicionando-se como militante dos movimentos sociais e ousando enveredar pela política partidária, tornar-se vereadora, deputada estadual e a mais bem votada deputada federal da história do Piauí – trajetória intensa que durou quase toda a sua existência, até que, em pleno discurso, foi vítima de um aneurisma cerebral em 27 de julho de 2003, com 37 anos.
Naquela manhã de segunda-feira –– aí está o inusitado ––, mais do que a instalação de uma estátua, pela primeira vez no Piauí é homenageada dessa forma uma mulher nascida do povo negro, testemunhando os novos rumos da história e imprimindo um marco da democracia no 31 de março, um contraponto a ditadura institucionalizada em 1964.
Trindade é reconhecida como defensora incansável dos direitos humanos dos oprimidos, excluídos, injustiçados e esquecidos, principalmente da comunidade negra. Enfrentou a violência do racismo e do machismo, desafiando uma burguesia que teimava em dizer que aquele não era o seu lugar. Ousou quebrar paradigmas, calar as dores aos inimigos e tantas vezes chorou com os amigos a dor de carregar na alma tantas Franciscas trabalhadoras deste país.
A homenagem naquela praça e naquele dia, quando se completam 120 anos da Lei Áurea foi, para nós, povo negro, sinal de liberdade, mostra contundente de uma Abolição feita por nós e em construção permanente, até que os princípios da verdadeira Igualdade e da Paz governem o Brasil e o mundo.
Ao relembrar essa história, sou tomada pela emoção e pelo orgulho de ter convivido com essa mulher tão negra quanto eu e as muitas, reconhecidas ou anônimas deste País, e me vem à mente a incalculável dívida social luso-brasileira para com o povo negro, contraída sob o olhar complacente da humanidade, surda aos clamores das senzalas e dos quilombos. Ocorre-me que tal dívida é agravada por todas as linhas não escritas em nossa história de mulheres negras, nós que carregamos na alma a força das ancestrais, aquelas que mantiveram a altivez diante das chicotadas, que tiveram a coragem de renunciar à vida para não viverem mortas; rebelar-se, fugir, pra não se entregar, e ter ainda a doçura de acalentar nos peitos fartos de leite aqueles que não eram seus filhos.
São memórias que precisamos retomar todos os dias e noites, para valorizar cada conquista e fazer valer a luta pela liberdade, cidadania e respeito.
Salve, guerreira Trindade, amiga de sempre e para sempre!
Salve a força negra que, mesmo quando a alma sangra pela violência do racismo, nos mantém altivas e ousadas!
                                  

*Sonia Terra -Co-fundadora do grupo Afro-cultural “Coisa de Nêgo” – Teresina/PI
Militante do Movimento de Mulheres Negras
Presidente da Fundação Cultural do Estado do Piauí
Conselheira da Revista Raça Brasil


LAUDELINA DE CAMPOS MELO
(12/10/1904-22/05/1991)

Nasceu em 12 de outubro de 1904, em Poços de caldas, MG. Seus pais eram negros alforriados pela Lei do ventre Livre, em 1871. Laudelina, aos 12 anos, perdeu o pai de forma trágica. Este trabalhava no corte de madeira, no Paraná, e foi atingido por uma tora que havia sido cortada por um de seus irmãos. Laudelina teve então que abandonar os estudos, ainda na escola primária, para assumir o cuidado dos cinco irmãos menores, para que sua mãe fosse trabalhar em um hotel. Adolescente, auxiliava a mãe na confecção de doces e compotas caseiras, para serem vendidos na cidade. Aos 20 anos, passou a ser empregada doméstica, o que a levou a mudar-se para Santos, São Paulo, onde casou-se e teve um filho.

Em Santos passou a integrar um grupo chamado Frente Negra que abrigava várias entidades com propósitos de ampliação política e cultural para a população negra. Em 1936, surgiu a idéia de criar uma associação para empregadas domésticas. Simultaneamente instituições parecidas foram criadas na cidade de São Paulo, sob a coordenação do professor Geraldo de Campos Oliveira, presidente do Clube Cultural Recreativo do Negro e membro do partido Libertador, e outra em Santos, sob a responsabilidade de Laudelina.

Durante o Governo Vargas, as organizações de trabalhadores foram proibidas. Só após a abertura política a associação retornou as atividades, tendo Laudelina a frente como presidente. Em 1948, foi convidada pela família para a qual trabalhava como governanta para ser gerente do hotel fazenda que tinham em Mogi das Cruzes, São Paulo, lá permaneceu por três anos.
Com a morte de sua patroa, Laudelina foi para Campinas, cidade onde davam preferência às empregadas brancas. Inconformada com este fato, Laudelina foi ao jornal Correio Popular para se manifestar contra os anúncios preconceituosos por eles publicados. Integrou-se então ao Movimento Negro de Campinas. Em 1961, obteve o apoio do Sindicato da Construção Civil de Campinas para fundar, em suas dependências, a associação de empregadas domésticas de Campinas. A Associação Profissional Beneficiente das Empregadas Domésticas atuou em diferentes frentes, especialmente na luta contra o preconceito racial. Cerca de 1200 trabalhadoras domésticas compareceram ao ato de inauguração da associação, em 18 de maio de 1961.

Com o golpe militar de 1964, a associação deveria ser fechada, para que isso não acontecesse, Laudelina aceitou abrigá-la na União Democrática Nacional - UDN. Em 1968 adoeceu durante o processo de sucessão da entidade, o qual levou a dissolução da entidade, levando-a a se desvincular do movimento de empregadas domésticas. Retomou a direção da entidade em 1982, procurada por suas antigas companheiras. Em 1988 a associação transformou-se no sindicato das empregadas domésticas e continuou a lutar em favor do direito das empregadas domésticas. Morreu em 22 de maio de 1991.

Fonte: Dicionário Mulheres do Brasil de 1500 até a atualidade. Jorge Zahar editor, RJ, 2000.


(voltar ao topo)


LÉLIA GONZALEZ (1935 - 1994)

Pioneira do recorte de gênero no Movimento Negrodo Brasil.

Nasceu em 1º de fevereiro de 1935, em Minas Gerais, Filha do negro ferroviário  Accacio Serafim d’ Almeida. e de Orcinda Serafim d’ Almeida Lélia de Almeida González era a penúltima de 18 irmãos. Com a mãe indígena que era  doméstica recebeu as primeiras  lições de independência. Mudou-se com a família em 1942 para o Rio de Janeiro acompanhando o irmão Jaime jogador de futebol  do Flamengo.No  Rio de Janeiro cidade que amava , seu primeiro emprego foi de babá .Não raro se se identificava  como carioca sendo  torcedora incondicional do Flamengo. Graduou em história e filosofia.exercendo a  função de  professora da rede pública  e posteriormente  concluiu o  mestrado em comunicação social. Doutorou-se em antropologia política /social em São Paulo (SP) e dedicou-se as pesquisas sobre a temática de gênero e etnia. Professora universitária, lecionava  Cultura  Brasileira na  Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC - Rio, seu último cargo na instiuição  foi de diretora do departamento de Sociologia e Política.
Viúva de  Luiz Carlos González enfrentou o  preconceito por parte  da família branca do marido.
Através do  candomblé  e análises da psicanálise  e  da cultura brasileira assumiu  sua  condição de mulher e negra.
Lélia se destacou pela importante participação que teve no Movimento Negro Unificado (MNU), do qual foi uma das fundadoras .Em 07/07/1978 em ato  público oficializou a entidade em nível nacional.

Para ela,o advento do MNU *’ consistiu  no mais importante salto qualitativo nas lutas da comunidade brasileira na década de  70.”
Ativista incansável  como Membro da Executiva Nacional , militou também em diversas organizações, com o Instituto de Pesquisas das Culturas Negras (IPCN) e o Coletivo de Mulheres Negras N’Zinga,da qual foi uma das fundaoras. Em Salvador-Bahia se fez presente na fundação do Olodum. Sua importante atuação em defesa da mulher negra valeu-lhe a indicação para membro do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher (CNDM). Atuou no órgão de 1985 a 1989. Filiou-se ao Partido dos Trabalhadores (PT) e disputou vaga na Câmara Federal,em 1982,alcançando a primeira suplência.. Foi candidata a deputada federal em 1982.Em 1986, estava no Partido Democrático Trabalhista (PDT), por onde se candidatou como deputada estadual, conquistando a suplência.

Nos últimos anos, estudava o que ela chamava “negros da diáspora”, cunhando o conceito de amefricanidade   Escreveu Festas populares no Brasil,premiado na Feira de Frankfurt Lugar de negro, em co-autoria com Carlos Hasenbalg, duas teses de pós-graduação, além de diversos artigos para revistas científicas e obras coletivas. Faleceu vítima de problemas  cardíacos no Rio de Janeiro no dia 10 julho de 1994.

 As reflexões  de Lélia Gonzalez   também se encontra  contida em  papers, comunicações,  fala em seminários, panfletos político-sociais partidários entre outros em poder de parentes , amigas e religiosos que possuem   a curadoria e direitos autorais de  sua obra .

   "Lélia exerceu  um papel fundamental na criação e ampliação do movimento negro contemporâneo.Em termos pesoais,seu grande orgulho foi servir como “catalisadora” dos anseios de uma parcela da juventude negra de Salvador,Bahia,no final dos anos 70 .A partir de um ciclo de palestras que ela realizou na cidade,em maio de 1978,-Noventa anos de abolição: uma reflexão crítica-várias pessoas que já discutiam a questão do racismo formaram o Grupo Nêgo, a partir do qual surgiria o MNU-Bahia.Este fato revela o que,para mim,foi o traço mais característico de Lélia: acapacidade ímpar de nos instigar com a exuberância de sua fala a nos inspirar com a luminosidade de sua personalidade.Luiza Barros  ( Extraído do Artigo Lembrando Lélia Gonzalez –Livro da saúde das Mulheres Negras  organização de Jurema Werneck,Maísa mendonça,Evelyn C.White –Rio de Janeiro Ed.Pallas : Criola-2000- Pag. 43,

 Fontes: Curriculum vitae; Palmares, nº 3; www.criola.ong.org/mulheres.htm.-Livro da saúde das Mulheres Negras  organização de Jurema Werneck,Maísa mendonça,Evelyn C.White –Rio de Janeiro Ed.Pallas : Criola-2000- Pag. 43-Dicionário Mulheres  do Brasil- de 1500 até a aualidade- organizado por Schuma Schumaher Erico Vidal Brasil-JorgeZahar editores-

 Participei de um Seminário no Dia Internacional da Mulher organizado pelo  PT, onde vi e ouvi  Lélia  pela primeira vez .Era o ano de 1985.Saí de lá fortalecida.Ao ouvir o seu discurso sobre o que é ser mulher negra no Brasil,senti uma emoção indescritível . Minha admiração pela fantástica oradora e escritora motivou-me solicitar que prefaciasse meu primeiro livro "Eu mulher negra resisto em 1988.

.Lélia Gonzalez  inseriu  tanto no Movimento Negro quanto para o Movimento Feminista, um novo olhar para o debate  em relação à realidade da mulher negra  no Brasil.

Seus textos de ontem ainda hoje são  atuais .Nos fortalecem na  luta cotidiana contra o racismo e o sexismo.

Alzira Rufino
(voltar ao topo)



LUIZA MAHIN
Há controvérsias quanto ao local de nascimento de Luísa. Não se sabe se veio da África, como escrava, para a Bahia, ou se nasceu já em Salvador. Tornou-se livre por volta de 1812.
Pertencia à nação nagô-jeje, da tribo Mahin, e dizia ter sido princesa na África. Fez de sua casa quartel de todos os levantes escravos que abalaram a Bahia nas primeiras três décadas do século XIX. Na revolta de 1830, estava grávida de Luís Gama, filho que teve de um português e que se tornaria poeta e um dos maiores abolicionistas do Brasil. Luísa envolveu-se nas articulações que levaram à Revolta dos Malês, como ficou conhecida a maior rebelião de escravos entre as tantas ocorridas na Bahia do século XIX.
O levante se deu na noite de 24 para 25 de janeiro de 1835, liderado por escravos africanos de religião muçulmana, conhecidos na Bahia como malês. Aproveitando-se de seu trabalho como quituteira, Luísa despachava mensagens escritas em árabe para outros rebelados, valendo-se de meninos para levar estes bilhetes. Se os escravos tivessem sido vitoriosos, Luísa Mahin teria sido empossada Rainha da Bahia Rebelde. Porém os planos dos revoltosos foram revelados às forças da repressão.
Os líderes do movimento foram perseguidos e castigados brutalmente, mas Luísa conseguiu fugir para o Rio de Janeiro, onde continuou a luta pela liberdade de seu povo. Nesta cidade foi presa e, possivelmente, deportada para a África.
Luís Gama escreveu sobre sua mãe: “Sou filho natural de negra africana, livre, da nação nagô, de nome Luísa Mahin, pagã, que sempre recusou o batismo e a doutrina cristã. Minha mãe era baixa, magra, bonita, a cor de um preto retinto sem lustro, os dentes eram alvíssimos, como a neve. Altiva, generosa, sofrida e vingativa. Era quitandeira e laboriosa” Outros versos de Luís Gama indicam que Luísa Mahin teve mais um filho, cuja trajetória é ignorada.
Por iniciativa do Coletivo de Mulheres Negras de São Paulo, em 9 de março de 1985, seu nome foi dado a uma praça em Cruz das Almas, bairro da capital paulista.

(voltar ao topo)

MÃE ANINHA - EUGÊNIA ANA DOS SANTOS
Nasceu em 1869, filha de africanos da nação Gruncis. No candomblé era filha de Xangô e foi iniciada na casa de Bambochê, na nação Ketu.
Mãe Aninha foi a figura mais ilustre nos candomblés daquele tempo. Reintroduziu, na Bahia, a tradição dos Obás ( 12 ministros de Xangô) e seu prestígio estendeu-se para além dos limites de Salvador, levando-a a viajar por outros estados, impondo sabedoria e autoridade.
Também era reconhecida pelas irmandades religiosas que congregavam negros.
Possuía uma quitanda na Ladeira do Pelourinho, que vendia artigos brasileiros e africanos utilizados nos terreiros de Candomblé.
Participou do II Congresso Afro- Brasileiro realizado em 1936, com uma apresentação sobre culinária litúrgica baiana. Durante o Estado Novo escondeu em sua casa o escritor Edson Carneiro, perseguido pela polícia política de Getúlio Vargas.
Antes de morrer Aninha designou Senhora ( Ialorixá Iya Nassô) para substituí-la.
Mãe Aninha morreu em 1938, e seu corpo foi sepultado na Quinta dos Lázaros, Irmandade de São Benedito com todas as honrarias da religião católica e do culto africano.

(voltar ao topo)



Mãe Hilda de Jitolu   

Mãe Hilda recebeu das Sociedades Femininas Africanas o legado e o direito de preparar-se para ser Mãe Espiritual, Estrela Guia, Yalorixá. Ela foi escolhida para ser seguidora e guardiã da herança africana.

O compromisso e as preocupações com o bem estar da comunidade negra no plano espiritual, social, cultural e educacional faz dela a Guardiã da Fé e da Tradição Africana. É delas que Mãe Hilda recebe valores, crenças para continuar a tradição entre mitos e rituais, entre celebrações de contos, lendas, mistérios que falam da vida de antigamente quando reis, rainhas, chefes tradicionais, griots, babalaows, viviam entre seus povos e lhes ensinava a viver e guardar a tradição.

 A trajetória da sua vida é a  trajetória de sua  vida religiosa :

Nascida  na Quinta das Beatas, no bairro de Brotas, hoje Cosme   de Farias ,aos  treze anos de idade fixou  residência  no Bairro  do  Curuzu -BA. O bairro  ficou famoso;por abrigar uma das maiores expressões de resistência negra no país o Bloco Ylê Ayê Ylê Ayê, que através dos  ensinamentos de Mãe Hilda  recriou  a cultura, centrado na fé, na tradição, na religiosidade, de matriz africana. Casou-se com Waldemar Benvindo dos Santos é mãe de seis seis filhos, dos quais cinco estão vivos, e, em sua companhia , desde crianças conviveram com a religião e os  rituais de matriz africana.

 O  primeiro filho: Antonio Carlos dos Santos filho de Oxalá, é  Ogan de Obaluayê.  – Vovô é o  Presidente e fundador do Ilê Aiyê,  A segunda filha- Hildete Santos Lima, Ekedi de Oxum no Ilê Axé Jitolu .é Diretora Fundadora do ILÊ AIYÊ, é artista plástica.O terceiro filho- Vivaldo Benvindo dos Santos é Ogan do Ilê Axé Jitolu, filho de Logum Edé. Diretor do Ilê, conjuntamente com o Presidente e Vice-Presidente do Bloco, ele tem a função de coordenação das ações artísticas, culturais do bloco.  A quarta filha-Hildemária Georgina dos Santos- filha de Oxossi do Ilê Axé Jitolu, hoje confirmada Yalorixá, recebeu Deká no ano 2002 com a orientação de Mãe Hilda. É funcionária pública, trabalha num colégio do Estado da Bahia. A quinta filha-Hildelice Benta dos Santos filha de Oxalá,, professora, diretora da Escola. Assim, filhos e filhas biológicos de Mãe Hilda participavam, pouco a pouco, do Candomblé e foram se tornando Ekedi, Ogans, Filhas de Santo e Mãe de Santo.

A origem de Mãe Hilda vem de dois reinos tradicionais africanos.Jitolu de Abomey – atual Benin -Jitolu Yorubá – atual Nigéria . Seu Terreiro é Gêge-Nagô , é filha de Obaluayê, que vêm do reino de Abomey,  lá do Dahomé, rei do povo Ewé que vem de Savalu e fala a língua FON.

Mãe Hilda tem a proteção de Oxum, que juntamente com o velho Obaluayê têm a presidência da sua cabeça – seu Ori. Oxum vem do Reino Yorubá, que nasce no Golfo do Benin, hoje República da Nigéria.

O seu Terreiro que nasceu depois que ela recebeu o Deká,hoje, o Terreiro tem uma Sociedade Civil denominada Sociedade dos Filhos de São Lázaro.

 Entre o Terreiro e a Sociedade, Mãe Hilda tem a casa cheia. Ela reúne ao longo de sua trajetória de vida e religiosidade ,além dos filhos biológicos ,filhas e filhos de santos, que recebem o Deká, dado por ela, que abrem seus próprios Terreiros, sempre filiados à sua casa de origem, o Ilê Axé Jitolu que lhes dá a referência de sua linhagem na ancestralidade africana.

As obrigações de Candomblé que dão ênfase ao seu status religioso na tradição africana, são reconhecidas socialmente pelos títulos civis que recebe através de Medalhas de Ouro e de Honra: Medalha Dois de Julho da Prefeitura de Salvador e Medalha  Zumbi dos Palmares.

Mãe Hilda convive com muitas personalidades do mundo social, do mundo político, do mundo negro, incluindo personalidades religiosas brasileiras, africanos, afro-americanos, Ministros de Estado, Embaixadores, de países africanos, artistas consagrados nacional e internacional, professores, cidadãs e cidadãos.

RELIGIOSIDADE NO ILÊ AIYÊ

  “Meus filhos, cresceram vendo que eu tenho fé e pratico a tradição do  candomblé”

No Ilê Aiyê ela é a Mãe Maior, inspiradora, diretora, conselheira e apoio em todas as horas, desde a decisão de criar o Bloco pelo seu filho mais velho, Antonio Carlos dos Santos Vovô, que juntamente com Apolônio de Jesus decidem criar um Bloco-Afro.

O Ilê Aiyê nasce dentro do Terreiro de Mãe Hilda – no Ilê Axé Jitolu.Em sua casa nasce e se estrutura o Ilê Aiyê e ali permaneceu por mais de 20 anos: Diretoria, Secretaria, Salão de Costura, recepção de associados, entrega de fantasia.

 A Escola Mãe Hilda idealizada e criada por ela desde 1988 é uma continuidade de seu trabalho. Lá ela é educadora e a Diretora da Escola, que exerce suas funções articulando os saberes de suas escolas tradicionais: a educação de seus pais, desde a Quinta das Beatas e no Curuzu. A formação de sua Mãe de Santo, Mãe Tança na Cacunda de Yayá; a convivência com seus parentes, amigos, amigas – Mãe Maria sua Iyakekerê e suas vizinhas.

Mãe Hilda acompanha diariamente a entrada e a saída dos alunos no Terreiro,  abençoando-os, dando conselhos e fazendo recomendações. Muito atenta, conhece todos os alunos, os pais e avós destes. Afinal ,ela é moradora do Curuzu desde 1936.

Cinco anos após a criação da Escola Mãe Hilda, em 1992, é fundada a Band´Erê, com as benções de Mãe Hilda, dedicada às crianças e aos erês. Para ela, estas crianças, além de serem a garantia do futuro do Ilê, seria mais uma escola que tiraria as crianças da rua e da faixa de risco.  É neste mesmo espaço que nasce e funciona o Projeto de Extensão Pedagógica do Ilê Aiyê,  e o convênio com o Projeto Axé.

Tudo o que antecede a criação da Sede do Ilê Aiyê, se realiza com sua benção, seu apoio, incluindo seu próprio trabalho cotidiano. Na Escola os alunos aprendem acerca dos orixás, suas comidas, suas lendas e histórias, seus animais preferidos.

 Na Escola Mãe Hilda não se ensina a religião do Candomblé. O que é possível ser ensinado e esclarecido, as professoras ou até mesmo Mãe Hilda explica. O sagrado e o segredo, segundo  a Yalorixá, é restrito aos iniciados. “Candomblé não se ensina, vivencia-se”, é o que Mãe Hilda sempre afirma. Ela diz ainda que religião é da responsabilidade da família e não da Escola. O papel da Escola, segundo ela, “é ensinar as crianças a respeitar toda e qualquer religião”.

  “ Sempre trabalhei e sempre tive muito gosto para me arrumar.  Para casamentos e batizados, me vestia com roupa de festa e usava chapéus. Sempre trabalhei muito, mas nunca deixei de cuidar de minha vestimenta”.

“Minha casa sempre foi freqüentada, o que considero herança de minha Mãe, ela gostava de ajudar as pessoas, a nossa casa sempre foi uma casa cheia de gente comendo e bebendo.

Minha Mãe gostava de festa de sala e no fundo do quintal tinha samba, do que ela gostava muito. Assim minha vida sempre foi uma herança do passado”.

“Portas abertas dando apoio,   vem da raiz. A gente que tem um princípio, esse princípio tem que brotar. Vem de minha Mãe”.

   “Eu tenho uma vantagem sobre a maioria dos filhos de famílias negras da Bahia. Pois sempre soube ser um descendente da Família Negra de “Lá”. “Sempre fui orientado a procurar ser sempre melhor em todos os sentidos, pois negro sempre é vilão, e eles nunca se preocupam conosco, e por isso faço minha parte e tenho tanto orgulho dessa minha formação de categoria em negritude”.

“Obrigado Mãe por ter formado esse produto que mudou a cara e a cabeça da Bahia” Antonio Carlos Vovô – Ilê Aiyê .                          

Mãe Hilda de Jitolú foi homenageada no carnaval de 2004 onde sua vida serviu de tema para o Bloco Ylê Ayê.

Fonte Ylê Ayê. www.ileaiye.com.br

(voltar ao topo)


MÃE MENININHA DO GANTOIS

Nascida em 10 de fevereiro de 1894 em Salvador, Bahia, Maria Escolástica da Conceição Nazaré era filha de descendentes africanos da Nigéria.
Sua avó foi a fundadora do terreiro de Gantois, no início do século e sua tia - madrinha, a mãe - de - santo Pulquéria da Conceição foi quem a iniciou aos 8 anos apelidando-a "Menininha".
A mãe de Menininha deveria ser a sucessora de Pulquéria na função de Ialorixá do Gantois, mas a sua morte repentina exigiu um novo processo de escolha para a chefia d casa. O jogo de búzios indicou Menininha, então com 28 anos, para assumir essa função, escolha confirmada pelos orixás Oxóssi, Xangô, Oxum e Obaluiaê.
Antes de se tornar a mais famosa Ialorixá do candomblé, Mãe Menininha enfrentou prisões e a perseguição da polícia que reprimia com violência a prática do culto africano.
Consciente de que a religião do candomblé era o último reduto de resistência da dignidade negra, Mãe Menininha defendeu a preservação histórica dos locais onde se localizaram os primeiros terreiros em Salvador, como o Engenho Velho e a Casa Branca.
Casada, mãe de duas filhas, Mãe Menininha foi durante 64 anos a força dos Gantois, fazendo- se amar e respeitar por todo o povo brasileiro em razão de sua doçura, sabedoria e firmeza na defesa das nossas tradições religiosas enraizadas na África.

(voltar ao topo)

MÃE SENHORA

Maria Bibiana do Espírito Santo nasceu em 31 de março de 1900, n Ladeira da Praça em Salvador, descendente de uma tradicional família da nação Axé de Ketu.
Iniciada em 1907 por Mãe Aninha, fundadora do Axé Opô Afonjá, mais tarde, em 1938, escolhida para sua sucessora nos encargos desse terreiro , com o título de Iyalaxé Opô Afonjá (mãe do Axé Opô Afonjá).
Em agosto de 1952, o rei dos Iorubás, Alafin de Oyo, na Nigéria enviou-lhe o título honorífico de Iya Nassô, que é destinado em Oyo, à sacerdotisa encarregada do culto de Xangô.
Esse fato marca o reinicio das antigas relações religiosas entre a África e a Bahia, continuadas e ampliadas posteriormente, mantendo Mãe Senhora um permanente intercâmbio de presentes e mensagens com reis e personalidades da seita, na África. No dia 4 de novembro de 1958, Mãe Senhora completou 50 anos de sua iniciação religiosa, dedicada a Oxum, sua orixá.
Continuando a tradição de Mãe Aninha, Mãe Senhora recebeu durante anos no Opô Afonjá personalidades de todo o país, ligando o terreiro aos cientistas, escritores e artistas, colocando-os em contato com a cultura popular de raízes africanas.
Mãe Senhora morreu em 1967.

(voltar ao topo)

MARIA AUXILIADORA DA SILVA

Nasceu em 1935 na cidade mineira de Campo Belo, de uma família de 18 irmãos.
Filha de mãe, inicialmente lavadeira e depois escultora e pai ferroviário, mudou-se para São Paulo com a família, bordando para fora e trabalhando como empregada doméstica para ajudar no sustento.
Maria Auxiliadora pintava desde menina, usando como tela as paredes da sua casa e tábuas.
Com 32 anos passou a dedicar-se totalmente à pintura e desenvolveu uma técnica própria, moldando as figuras em gesso no próprio quadro e escrevendo o enredo nas pinturas. No início dos anos 70 expôs na Praça da República - SP e em Embu- SP e em seguida passou a figurar nas galerias.
Foi premiada em salões e suas obras se encontram nos museus e casas de colecionadores brasileiros e estrangeiros. Autodidata - chegou a cursar o Mobral - Maria Auxiliadora conta nos seus quadros coloridos um pouco da sua vida: trabalho na roça, cenas familiares, festas familiares, festas de candomblé e, nos últimos anos, a sua intimidade com a morte.
Maria Auxiliadora morreu em 1974, de câncer generalizado, depois de várias operações.

(voltar ao topo)

MARIA BRANDÃO DOS REIS
Nasceu em 22 de julho de 1900, numa cidade mineira localizada na Chapada Diamantina. O traço sob o último sobrenome era uma exigência sua.
Militante política ativa, foi influenciada pela passagem da Coluna Prestes por sua cidade e, interessada nas atividades do Partido Comunista, mudou-se para Salvador, montou uma pensão na Baixa do Sapateiro, transformando-a no seu reduto de militância.
Inteligente e solidária, fornecia livros e bolsas de estudos para os que queriam estudar, mesmo de outras ideologias que não a sua.
Em 1947 organizou a vigília noturna e a passeata de protesto em apoio às moradoras do Bairro Corta Braço, ameaçadas de perder suas casas.
Maria Brandão do Reis teve significativa atuação na "Campanha da Paz", organizada pelo PCB, em 1950. Obteve o prêmio de "Campeã da Paz", com direito a receber o prêmio em Moscou, mas o Partido substitui-a por um jovem intelectual. Dos Reis jamais perdoou o Partido por essa discriminação. Durante o golpe de 64 consegue escapar da prisão, fugindo para Brasília, mas quando volta, em 1965, é interrogada pela Polícia federal.
Maria Brandão dos Rei faleceu em 1974.

(voltar ao topo)


Maria Conga,  líder  dos  Quilombos de Magé no RJ

Em Piedade ainda existe um túnel escavado pelos escravos com acesso ao Morro de Maria Conga e neste morro há um cemitério onde a quilombola Maria Conga foi sepultada em 05 de outubro de  1895 .Na época contava com  95 anos de idade .O Quilombo liderado por  Maria Conga  enfrentava  jagunços e capitães do mato que  pretendiam resgatá-los para o trabalho escravo.Maria Conga, ao cair nas mãos de um senhor de escravo disse: "O senhor prendeu meu corpo, destruiu meus sonhos, mas não conseguiu alienar minha consciência de mulher negra". http://www.sinttelrio.org.br/03zumbi.htm

(voltar ao topo)

Maria da Penha Nascimento de Campos
23 /11/ 148 em São Paulo.
Falecida em 24/05/2008 –São Paulo-Líder Comunitária
Sua contribuição cultural começou na Escola de Samba Estrela de Prata de Poá, como passista,Na década de 70 elegeu-se Rainha da Bateria da  Escola de Samba Falcão do Morro Itaquerense Nos anos 80, fundou junto com outras companheiras (os) a Escola de Samba Leandro de Itaquera, onde exerceu os cargos de : Diretora Social, Tesoureira, fundadora do departamento feminino, compositora e destaque. Presidiu a direção de harmonia da 'escola', sendo a primeira mulher a ocupar este cargo no 'Samba Paulistano', atualmente era 'Diretora de Carnaval' da entidade. Fundadora e idealizadora grupo cultural 'Oduduwa' na década de 90 que originou o Grupo Cultural 'Fala Negão/Fala Mulher' da Zona Leste de São Paulo. Fez parte do Comitê de recepção ao 'Nelson Mandela' quando o mesmo esteve no Brasil.Foi uma das fundadoras do Comitê de Ação da Cidadania Contra a Fome e a Miséria na Zona Leste, (Campanha do Betinho) tornando-se depois diretora da 'Ação da Cidadania de São Paulo'. Maria da Penha teve atuação de destaque  no setorial de Negras e Negros do PT, hoje secretaria de Combate ao Racismosendo atuante na  organização de Mulheres Negras.do PT/SP no Fórum de Mulheres Negras, na Marcha Mundial das Mulheres e na Rede Mulher contra violência da Zona Leste e na Diretoria da entidade  'Fala da Negão'.
Fonte:Boletim Eletrônico nº 46 –Resumo do Pronunciamento do Deputado VicentinhoPT/SP  



MARIA JOSÉ BEZERRA

Nasceu em dezembro de 1985, na cidade paulista de Limeira.
Alistou-se em 1932 como enfermeira e, de fuzil na mão, combateu em Buri, Ligiana, Itararé, o que lhe valeu o apelido de "Maria Soldado".
Embora escolhida como a "Mulher Símbolo" no Jubileu de Prata da revolução de 32, até o momento não foi possível recuperar-se com mais detalhes a participação de Maria bezerra nessa revolução.
Nos anais da Câmara Municipal de SP foi encontrada uma homenagem prestada a ela por ocasião de sua morte.
Terminada a Revolução, "Maria Soldado", voltou à sua vida normal de empregada doméstica e estava sempre presente nas manifestações estudantis, contra a ditadura.
No final de sua vida vendia doces e salgados na porta do Hospital das Clínicas em São Paulo.
Maria José "Soldado" Bezerra, morreu em fevereiro de 1958.
Fonte: Cartilha “Mulher Negra tem História”
Alzira Rufino, Nilza Iraci, Maria Rosa, 1987
.
(voltar ao topo)

MARIA PATRÍCIA FOGAÇA

Maria Patrícia foi uma mulher negra do povo, que se destacou por seu trabalho de parteira, na vida social da Baixada Santista.
Nasceu em 1838, em Santos, filha de negros forros e teve como padrinho de batismo José Bonifácio dos Andradas.
Exercendo a profissão de parteira numa época em que essa atividade era realizada apenas por mulheres brancas, Maria Patrícia teve que enfrentar uma enorme campanha de descrédito movia por suas concorrentes.
Sua competência e a consideração que desfrutava em todas as classes sociais, fizeram-na superar esses obstáculos criados em função da sua cor.
Maria Patrícia não fazia da sua profissão apenas uma fonte de sobrevivência, mas encarava-a como um verdadeiro sacerdócio, atendendo mulheres das mais diversas condições econômicas, com uma dedicação e sensibilidade que a tornaram além de parteira, uma espécie de conselheira das famílias que a solicitavam.
Sua morte, em 1913, comoveu profundamente a Baixada Santista.
Fonte: Cartilha “Mulher Negra tem História”
Alzira Rufino, Nilza Iraci, Maria Rosa, 1987
.
(voltar ao topo)


NAIR THEODORA DE ARAÚJO
Nasceu em 22 de junho de 1931, na cidade mineira de Dores do Indaiá, transferindo-se mais tarde para São Paulo.
Cursou o Normal e optou pelo canto lírico em Conservatório Musical. Integrou os corais Corbi e da Igreja metodista.
Participou da organização do Teatro experimental do Negro de São Paulo e atuou no musical "O Cordão" e nas peças 'África", dirigida por Dalmo Ferreira, "Os Ossos do Barão", e "Veredas da Salvação", essa última sob a direção de Antunes Filho.
Participou da fase efervescente do Teatro de Arena e na criação e produção da peça "Arena canta Zumbi".
Dirigiu o Departamento Cultural da Associação Cultural do Negro, escreveu para o jornal "Clarim da Alvorada", porta- voz da entidade, e realizou vários debates sobre o negro em rádios, televisões e universidades.
Com destacada atuação na população negra, a atriz criou a Livraria Contexto, em SP, onde ainda hoje se encontram várias publicações sobre o negro. Escreveu vários poemas, até hoje inéditos.
Nair Theodora morreu em 20 de maio de 1984.
Fonte: Cartilha “Mulher Negra tem História”
Alzira Rufino, Nilza Iraci, Maria Rosa, 1987
.
(voltar ao topo)

NEUMA GONÇALVES DA SILVA

Nasceu em 8 de junho de 1922, no Rio de Janeiro, filha de Saturnino Gonçalves, primeiro presidente da Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira.
É sócia número um da Mangueira e foi sua conselheira nata. Foi passista, presidente da Ala das Baianas e nos últimos anos desfilava como destaque. Fundou o Departamento Feminino da Mangueira onde continuou atuando com bastante vibração e energia.


Dona Neuma, figura querida da velha guarda da Mangueira, morreu no  dia 17 de julho de 2000, aos 78 anos, no hospital Salgado Filho, no Rio de Janeiro, vítima de um acidente vascular cerebral. O velório da sambista foi  realizado na quadra da escola de samba. Amiga de Cartola, Carlos Cachaça e Heitor dos Prazeres, que junto com o seu pai, o também sambista Saturnino Gonçalves, ajudaram a fundar a Estação Primeira de Mangueira, Dona Neuma chegou a participar do coro em duas gravações de Noel Rosa em 1937: Quem Ri Melhor e Quantos Beijos. Desfilava desde 1928 na escola de seu coração e participou do CD Velha Guarda Mangueira e Convidados, lançado no ano passado.
Dona Neuma, uma das mais importantes figuras da escola, deixou 3 filhas: Guezinha, presidente das alas da comunidade; Chininha, presidente da Mangueira; e Cici, presidente da Mangueira do Amanhã que continuam o trabalho da mãe.

A casa de Neuma era mesmo o centro do morro.Além das três filhas de sangue (Chininha, Cici e Guezinha), havia outras 27 crianças, todas adotadas pela tia mangueirense — uma delas era Marquinho, atual mestre-sala da escola. Lá, chegavam as encomendas dos moradores, de material de construção a eletrodomésticos, passando pelas correspondências. Quem quisesse ia lá pegar o que era seu. Além disso, tinha o único telefone do morro. Na verdade, não era o único, mas era o que todo mundo podia usar. Do lado do aparelho, havia uma caixinha: quem usasse poderia deixar um “pagamento”. Depois, Neuma pegava esse dinheiro e distribuía entre os moradores de Mangueira.
Fonte: Cartilha “Mulher Negra tem História”
Alzira Rufino, Nilza Iraci, Maria Rosa, 1987.

Trecho Jornal Extra 14/12/2008
(voltar ao topo)

RITA MARIA

Filha de escravos, viveu na Ilha de Florianópolis, capital da então Província de Santa Catarina e residiu nas proximidades do Forte Santana, denominada Praia da Feira, onde se localizava o atracadouro das embarcações, vindas do continente para descarga e comercialização de mercadorias. Rita Maria cozinhava e lavava para comerciantes que passavam por ali.
Benzedeira e curandeira, gozava de muito prestígio junto à população, que chegou, inclusive, a batizar com seu nome o bairro em que ela morava.
O bairro, denominado pelo povo, de Rita Maria, deixou de existir, mas a população exigiu que fosse mantida viva a sua história na Ilha, dando seu nome à Estação Rodoviária, de construção moderna, construída em local próximo ao bairro antigo que levava seu nome.
Muitas pessoas ainda se lembram de Rita Maria como uma senhora negra, gorda, com mais de 80 anos, sempre risonha, vista todos os domingos na Igreja Nossa senhora do Bom Parto.
Rita Maria morreu na década de vinte e foi enterrada no Cemitério do Morro, perto de sua casa.
Fonte: Cartilha “Mulher Negra tem História”
Alzira Rufino, Nilza Iraci, Maria Rosa, 1987.

(voltar ao topo)

ROSA MARIA EGIPCÍACA DA VERA CRUZ

Vinda da Costa da Mina, na África, Rosa chegou ao Rio de Janeiro em 1725, aos seis anos de idade. Comprada como escrava, aí permaneceu até aos 14 anos, quando foi vendida para Minas Gerais.
Em Vila da Inconfidência, foi escrava de ganho, na prostituição, até que um dia entrou em transe e julgaram-na possuída por um espírito maligno. Quando em transe nas igrejas, Rosa caía desmaiada no chão.
O Bispo de Mariana mandou examiná-la por uma equipe de teólogos e, considerada como herege, foi açoitada em praça pública, ficando paralítica de um braço. O Pe. Gonçalves Lopes, um exorcista, acreditando na sua sinceridade, deu-lhe alforria. Levou-a para o Rio de Janeiro e lá fundaram em 1754 o Recolhimento de Nossa senhora do Bom Parto, onde Rosa se reuniria a algumas mulheres pobres, na maioria negras. Em homenagem a uma santa oriental que de prostituta se transformara em eremita, Rosa adota o nome de Rosa Maria Egipcíaca da Vera Cruz.
Tendo aprendido a ler, passa a registar suas visões e experiências místicas, iniciando o livro "Sagrada Teologia de Amor de Deus Luz Brilhante das Almas Peregrinas".
Novamente suspeita de heresia e bruxaria é presa e enviada com seu confessor a Lisboa para julgamento. O seu processo não chegou a ser concluído, levando-nos a crer que tenha morrido antes da sentença.
Fonte: Cartilha “Mulher Negra tem História”
Alzira Rufino, Nilza Iraci, Maria Rosa, 1987
.
(voltar ao topo)

RAINHA TERESA DO QUARITERÊ
Tereza do Quariterê e o Quilombo do Quariterê 

Os primeiros africanos  especialistas na extração do minérios chegam em Mato Grosso,   no século XVIII,  para trabalhar na mineração. No  final do século XVIII,o  quilombo do Piolho ou Quariterê, sob a liderança de José Piolho  abrigava negros nascidos na África e no Brasil, índios e mestiços de negros e índios (cafuzos),que conviviam comunitariamente  José Piolho, os habitantes do quilombo conviviam comunitariamente .O poder público, através da Câmara Municipal de Vila Bela da Santíssima Trindade, e os proprietários de escravos patrocinaram a primeira bandeira para destruir o quilombo e recapturar seus moradores.A bandeira contendo cerca de trinta homens e comandada por João Leme de Prado, percorreu um mês de Vila Bela até o quilombo, e, de surpresa, atacou-o, prendendo quase a totalidade dos moradores. Alguns morreram no combate que se travou, outros fugiram.
Com a morte de José Piolho sua esposa Teresa sucedeu o comando e a resistência.O sistema político que Teresa  implantou no Quilombo era composta de uma Rainha que se submetia a decisão de um conselho de representantes.As armas de seu exécito era conguidas mediante a troca de produtos  produzidos pela comunidade ou das consquistas dos invasores derrotados.O sistema interno castigava com a pena de morte os quilombolas que porventura resolvessem abandonar a luta. A plantação de algodão era o principal produto de venda e troca. Os proprietário de  fazendas e plantações e o governo de Vila Bela financiam uma nova investida contra o Quilombo do Quariterê  Liderada pelo  alferes  Francisco Pedro de Melo, destruíram as edificações e plantações do quilombo. No combate o conselheiro militar de Tereza foi morto. e os trabalhadores sobreviventes. foram levados de volta para Vila Bela.

Ao ser conduzida pelos torturadores para VIla Bela , Teresa   suicidou-se ingerindo  uma poção de ervas .

Outros quilombos na região também foram destruídos,  Francisco de Melo, destruiu também os quilombos de "João Félix" e o do "Mutuca".

Outros quilombos também foram organizados em terras mato-grossenses durante os séculos XVIII e XIX, podendo ser registrados aqui, apenas para exemplificar, os quilombos "Mutuca" e "Pindaituba", situados na Chapada dos Guimarães, os "Sepoutuba" e "Rio Manso", próximos a Vila Maria (atual Cáceres).

Referências Bibliográficas:SIQUEIRA, Elizabeth Madureira e outras. O Processo Histórico de Mato Grosso. Cuiabá: Guaicurus, 1991.SIQUEIRA, Elizabeth Madureira. Revivendo Mato Grosso. Cuiabá: SEDUC, 1997.Blog Marco Negro-http://marconegro.blogspot.com/2006/06/rainha-tereza-do-quilombo-quaritere.

Fonte: Benedita da Silva- Nós Mulheres Negras- Colaboração Helena Teodoro in Dicionário Mulheres do Brasil- 2000- Jorge Zahar Editores.
(voltar ao topo)



TIA CIATA - HILÁRIA BATISTA DE ALMEIDA

Nasceu em Salvador, em 1854. Filha de Oxum, no Candomblé, foi iniciada nos preceitos do santo casa de Bambochê, na nação Ketu.
Aos 22 anos e com uma filha, mudou-se para o Rio de Janeiro, formando nova família e continuando os preceitos na casa de João Alabá, tornando-se Mãe- Pequena.
Tia Ciata era muito respeitada pelos seus conhecimentos de religião e não deixava de comemorar, em sua casa, as festas dos Orixás quando, depois da cerimônia, armava pagode.
Essas festas chegavam a durar por volta de três dias.
Muito boa doceira, punha barraca de comidas na festa da Penha e em volta se formavam rodas de samba, com a participação de Donga, Heitor dos Prazeres, Sinhô e Pixinguinha, alguns deles ainda desconhecidos como artistas.
Sua casa tornou-se a capital da Pequena África, no Rio de Janeiro, e era um dos pontos obrigatórios dos cortejos de Carnaval, onde os ranchos passavam para reverenciar a velha baiana.
Tia Ciata morreu em 1924.
Fonte: Cartilha “Mulher Negra tem História”
Alzira Rufino, Iraci, Maria Rosa, 1987.
(voltar ao topo)

 

Zeferina Escrava Quilombola -SEC. XIX

  Zeferina liderou  uma revolta de escravos ocorrida em 16 de dezembro de 1826 na cercanias de Salvador-

  Essa revolta foi protagonizada pelos negros quilombolas de Urubu,um dos muitos quilombos localizados nos arredores da capital baiana.O grupo,composto de cerca de 50 pessoas,entre homens e mulheres,atacou sítios e casas da região.
 Zeferina liderou os companheiros com gritos de guerra ,causando admiração até em soldados inimigos.
 Armada,acabou sendo presa e,no interrogaório,disse à polícia que o levante estava previsto para acontecer na véspera do Natal,para que o grupo pudesse receber a adesão de escravos vindos de Salvador .m Contudo,um incidente acontecido quando os revoltosos se abasteciam num sítio vizinho precipitou a ação.Zeferina foi condenada a trabalhos forçados.
  Fontes Luiz Luna.O negro na luta contra a escravidão-Rev.Trabalhadora 1990-Dicionário Mulheres do Brasil organizado por Schuma Schumaher e Érico Vital Brasil Jorge Zahar Editor RJ  2a edição

(voltar ao topo)

Bibliografia utilizada:Cartilha “Mulher Negra tem História” -Alzira Rudino-Nilza Iraci-Maria Rosa Pereira
• Calendário "Mulheres Negras no Brasil"- Recuperando nossa História
Comissão de Mulheres Negras do CEFC, São Paulo, 1987.
• Moura, Roberto - "Tia Ciata e a Pequena África no Rio de Janeiro"
FUNARTE/RJ, 1983.
• Santos, Deoscorédes M, dos - "Axé Opô Afonjá"
Inst. Bras. De Estudos Afroasiáticos/RJ,1962.
• Crescenti, Maria Thereza Caiuby - "Mulher e Libertação dos Escravos"
Trabalho apresentado no III Simpósio de História do Vale do Paraíba, 1976, mimeo.
• Verger, Pierre - "Os Orixás"- Ed. Corrupio, Círculo do Livro/SP, 1984.
• Freitas, Décio - "Escravos e Senhores de Escravos"
Ed. Mercado Aberto, P. Alegre/RS, 1983.
• Montenegro, Ana - "Mulheres, Participação nas lutas populares"
ML Gráf. Ed. Salvador/BA.
• Jesus, Carolina Maria de - "Diário de Bitita"- Ed. Nova Fronteira, 1986.
• Revista OAB - Anos X/XI
e vols. 12/13, Set/Dez, de 1980, Jan/Abr, 1981, nº 27 e 28.
• Calendário "Mulheres Brasileiras: Participação Política e Social" CECF/SP, 1986.
• Paula, Rosângela - In Jornal do Conselho da Comunidade Negra,
Abr/Mai, 1986/SP, artigo sobre Clementina de Jesus.
• Barbosa, Marília, Carlos cachaça e Arthur L. Oliveira Fº
"Fala Mangueira"- José Olímpio/ Ed. 1988