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Biografia de Mulheres Negras
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Q/R/S/T/U/V/X/Z

 

LAUDELINA DE CAMPOS MELO
LÉLIA GONZALEZ
LUIZA MAHIN

Luciana Lealdina de Araújo

Luiza Helena Bairros



LAUDELINA DE CAMPOS MELO
Nascida em Poços de Caldas (MG), tornou-se líder sindical no litoral de São Paulo, mais precisamente em Santos, onde se casou e teve seu único filho.
Foi integrante da Frente Negra, que agrupava entidades com ideais políticos, sociais, sobretudo o aprimoramento cultural da população negra.
No ano de 1936 foi criada uma associação para auxiliar empregadas domésticas na busca de seus direitos, sendo esta presidida por Laudelina.
Entretanto, teve que mudar-se para Campinas com seu filho após o falecimento de seu marido, local este onde teve dificuldades para encontrar emprego, pois era vítima de discriminação por parte das senhoras campineiras que tinham preferência por empregadas brancas.
Laudelina resolveu procurar um dos meios de comunicação da região, o jornal Correio Popular, para protestar contra os anúncios preconceituosos ali publicados, pois afastavam as mulheres negras do mercado de trabalho.
Membro do movimento negro de Campinas, participou de atividades sociais e culturais com principal objetivo de elevar a auto-estima dos (as) jovens negros (as).
Fez parte da organização de grupos teatrais e de dança e fundou a cidade dos menores em Indaiatuba (SP), em 1957. Neste mesmo ano colaborou para realização dos sonhos de debutantes negras. Mais uma vez foi recebida com discriminação, afinal a direção do Teatro Municipal de Campinas, local da festa, resistiu para que o espaço fosse cedido. Assim, foi necessário mobilizar a imprensa para denunciar o preconceito racial da elite campineira.
Em 1961, Laudelina teve o apoio do Sindicato da Construção Civil de Campinas para fundar dentro de suas instalações a Associação Profissional Beneficente das Empregadas Domésticas. O órgão atuou na luta contra o preconceito racial, realizando atividades culturais e principalmente intervindo em conflitos entre domésticas e empregadoras, pois não existia legislação trabalhista para assegurar os direitos da classe, tampouco para auxiliar na defesa dos direitos das empregadas domésticas menores de idade, que em sua maioria sofriam abuso sexual por parte dos seus patrões.
Durante a ditadura militar foi presa e obrigada a prestar depoimento.
Diante de disputas pelo comando da associação, adoeceu e afastou-se do movimento das empregadas domésticas. Assumiu novamente a direção da entidade em 1982, logo após, a associação foi transformada em Sindicato dos Trabalhadores, onde atuou até a morte.
Fonte: Dicionário Mulheres do Brasil de 1500 até à atualidade.



LÉLIA GONZALEZ (1935 - 1994)

Pioneira do recorte de gênero no Movimento Negro.
Nasceu em 1º de fevereiro de 1935, em Minas Gerais, Filha do negro ferroviário  Accacio Serafim d’ Almeida. e de Orcinda Serafim d’ Almeida Lélia de Almeida González era a penúltima de 18 irmãos. Com a mãe indígena que era  doméstica recebeu as primeiras  lições de independência. Mudou-se com a família em 1942 para o Rio de Janeiro acompanhando o irmão Jaime jogador de futebol  do Flamengo.No  Rio de Janeiro cidade que amava , seu primeiro emprego foi de babá .Não raro se se identificava  como carioca sendo  torcedora incondicional do Flamengo. Graduou em história e filosofia.exercendo a  função de  professora da rede pública  e posteriormente  concluiu o  mestrado em comunicação social. Doutorou-se em antropologia política /social em São Paulo (SP) e dedicou-se as pesquisas sobre a temática de gênero e etnia. Professora universitária, lecionava  Cultura  Brasileira na  Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC - Rio, seu último cargo na instiuição  foi de diretora do departamento de Sociologia e Política.
Viúva de  Luiz Carlos González enfrentou o  preconceito por parte  da família branca do marido.
Através do  candomblé  e análises da psicanálise  e  da cultura brasileira assumiu  sua  condição de mulher e negra.
Lélia se destacou pela importante participação que teve no Movimento Negro Unificado (MNU), do qual foi uma das fundadoras .Em 07/07/1978 em ato  público oficializou a entidade em nível nacional.

Para ela,o advento do MNU *’ consistiu  no mais importante salto qualitativo nas lutas da comunidade brasileira na década de  70.”
Ativista incansável  como Membro da Executiva Nacional , militou também em diversas organizações, com o Instituto de Pesquisas das Culturas Negras (IPCN) e o Coletivo de Mulheres Negras N’Zinga,da qual foi uma das fundaoras. Em Salvador-Bahia se fez presente na fundação do Olodum. Sua importante atuação em defesa da mulher negra valeu-lhe a indicação para membro do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher (CNDM). Atuou no órgão de 1985 a 1989. Filiou-se ao Partido dos Trabalhadores (PT) e disputou vaga na Câmara Federal,em 1982,alcançando a primeira suplência.. Foi candidata a deputada federal em 1982.Em 1986, estava no Partido Democrático Trabalhista (PDT), por onde se candidatou como deputada estadual, conquistando a suplência.

Nos últimos anos, estudava o que ela chamava “negros da diáspora”, cunhando o conceito de amefricanidade   Escreveu Festas populares no Brasil,premiado na Feira de Frankfurt Lugar de negro, em co-autoria com Carlos Hasenbalg, duas teses de pós-graduação, além de diversos artigos para revistas científicas e obras coletivas. Faleceu vítima de problemas  cardíacos no Rio de Janeiro no dia 10 julho de 1994.

 As reflexões  de Lélia Gonzalez   também se encontra  contida em  papers, comunicações,  fala em seminários, panfletos político-sociais partidários entre outros em poder de parentes , amigas e religiosos que possuem   a curadoria e direitos autorais de  sua obra .

   "Lélia exerceu  um papel fundamental na criação e ampliação do movimento negro contemporâneo.Em termos pesoais,seu grande orgulho foi servir como “catalisadora” dos anseios de uma parcela da juventude negra de Salvador,Bahia,no final dos anos 70 .A partir de um ciclo de palestras que ela realizou na cidade,em maio de 1978,-Noventa anos de abolição: uma reflexão crítica-várias pessoas que já discutiam a questão do racismo formaram o Grupo Nêgo, a partir do qual surgiria o MNU-Bahia.Este fato revela o que,para mim,foi o traço mais característico de Lélia: acapacidade ímpar de nos instigar com a exuberância de sua fala a nos inspirar com a luminosidade de sua personalidade.Luiza Barros  ( Extraído do Artigo Lembrando Lélia Gonzalez –Livro da saúde das Mulheres Negras  organização de Jurema Werneck,Maísa mendonça,Evelyn C.White –Rio de Janeiro Ed.Pallas : Criola-2000- Pag. 43,

 Fontes: Curriculum vitae; Palmares, nº 3; www.criola.ong.org/mulheres.htm.-Livro da saúde das Mulheres Negras  organização de Jurema Werneck,Maísa mendonça,Evelyn C.White –Rio de Janeiro Ed.Pallas : Criola-2000- Pag. 43-Dicionário Mulheres  do Brasil- de 1500 até a aualidade- organizado por Schuma Schumaher Erico Vidal Brasil-JorgeZahar editores-

 Participei de um Seminário no Dia Internacional da Mulher organizado pelo  PT, onde vi e ouvi  Lélia  pela primeira vez .Era o ano de 1985.Saí de lá fortalecida.Ao ouvir o seu discurso sobre o que é ser mulher negra no Brasil,senti uma emoção indescritível . Minha admiração pela fantástica oradora e escritora motivou-me solicitar que prefaciasse meu primeiro livro "Eu mulher negra resisto em 1988.

.Lélia Gonzalez  inseriu  tanto no Movimento Negro quanto para o Movimento Feminista, um novo olhar para o debate  em relação à realidade da mulher negra  no Brasil.

Seus textos de ontem ainda hoje são  atuais .Nos fortalecem na  luta cotidiana contra o racismo e o sexismo.

Alzira Rufino



LUIZA MAHIN

Há controvérsias quanto ao local de nascimento de Luísa. Não se sabe se veio da África, como escrava, para a Bahia, ou se nasceu já em Salvador. Tornou-se livre por volta de 1812.
Pertencia à nação nagô-jeje, da tribo Mahin, e dizia ter sido princesa na África. Fez de sua casa quartel de todos os levantes escravos que abalaram a Bahia nas primeiras três décadas do século XIX. Na revolta de 1830, estava grávida de Luís Gama, filho que teve de um português e que se tornaria poeta e um dos maiores abolicionistas do Brasil. Luísa envolveu-se nas articulações que levaram à Revolta dos Malês, como ficou conhecida a maior rebelião de escravos entre as tantas ocorridas na Bahia do século XIX.
O levante se deu na noite de 24 para 25 de janeiro de 1835, liderado por escravos africanos de religião muçulmana, conhecidos na Bahia como malês. Aproveitando-se de seu trabalho como quituteira, Luísa despachava mensagens escritas em árabe para outros rebelados, valendo-se de meninos para levar estes bilhetes. Se os escravos tivessem sido vitoriosos, Luísa Mahin teria sido empossada Rainha da Bahia Rebelde. Porém os planos dos revoltosos foram revelados às forças da repressão.
Os líderes do movimento foram perseguidos e castigados brutalmente, mas Luísa conseguiu fugir para o Rio de Janeiro, onde continuou a luta pela liberdade de seu povo. Nesta cidade foi presa e, possivelmente, deportada para a África.
Luís Gama escreveu sobre sua mãe: “Sou filho natural de negra africana, livre, da nação nagô, de nome Luísa Mahin, pagã, que sempre recusou o batismo e a doutrina cristã. Minha mãe era baixa, magra, bonita, a cor de um preto retinto sem lustro, os dentes eram alvíssimos, como a neve. Altiva, generosa, sofrida e vingativa. Era quitandeira e laboriosa” Outros versos de Luís Gama indicam que Luísa Mahin teve mais um filho, cuja trajetória é ignorada.
Por iniciativa do Coletivo de Mulheres Negras de São Paulo, em 9 de março de 1985, seu nome foi dado a uma praça em Cruz das Almas, bairro da capital paulista.
Fontes: Alzira Rufino, Maria Rosa Pereira e Nilza Iraci, A mulher negra tem história; Antônio Monteiro, Notas sobre negros malês na Bahia; João José Reis, “O rol dos culpados: notas sobre um documento da rebelião de 1835”, Anais do Arquivo Público do estado da Bahia, vol. 48; Luís Luna, O negro na luta contra a escravidão; Nélson Silva de Oliveira, Vultos negros na história do Brasil.

Luciana Lealdina de Araújo

Instituto São Benedito, entidade beneficente que presta assistência a meninas carentes de sete a 18 anos. A instituição foi fundada, em 1901, por Luciana Lealdina de Araújo e acolhia principalmente meninas negras, filhas de escravos, que não eram aceitas nos demais orfanatos da cidade. Atualmente, a entidade presta assistência à aproximadamente 140 meninas e tem apenas 10 funcionários fixos no seu quadro. A maior parte do trabalho realizado na instituição é feita por voluntários. O instituto conta com uma escola de ensino fundamental, que atende as meninas que cursam até a 4ª série. As demais são encaminhadas para colégios públicos do município. No período da manhã, elas estudam e à tarde participam de oficinas pedagógicas, como informática, teatro e dança, e profissionalizantes, como pintura em tecido e datilografia.

A iniciativa de criar uma instituição que abrigasse meninas sem distinção de
cor partiu de Luciana Lealdina de Araújo, também conhecida por “Mãe Preta”. Filha de mãe escrava, nasceu em Porto Alegre no dia 13 de junho de 1870 e veio morar em Pelotas com sua família.
Luciana de Araújo era uma mulher dotada de bondade e extrema
determinação, com vontade de praticar o bem e fazer caridade aos mais
necessitados, principalmente às crianças abandonadas. Por motivo de doença, ela fez uma promessa a São Benedito: caso ficasse curada ajudaria a construir uma casa para abrigar meninas pobres. Luciana estava muito doente e desenganada pelos médicos, logo após sua cura, ela resolve cumprir sua promessa. No dia 6 de fevereiro de 1901, numa reunião pública foi fundada a Instituição e no dia 13 de maio do mesmo ano, foi oficialmente inaugurado o Asilo de Órfãs São Benedito. Luciana atuou no Asilo durante 7 anos. Em 1908 mudou-se para Bagé,juntamente com suas três filhas de criação. Em 1909, fundou o Orfanato São Benedito nesta mesma cidade. Este acolheu meninos e meninas.Luciana de Araújo faleceu em 27 de novembro de 1930, deixando uma herança de feitos, amor e caridade pelas crianças empobrecidas de Pelotas e Bagé.
Até 1912, o Asilo de Órfãs foi administrado por uma diretoria leiga formada
por membros da sociedade pelotense e no dia 25 de setembro do mesmo ano a diretoria da época entregou os serviços assistenciais da entidade à Congregação do Puríssimo, atual Imaculado Coração de Maria, que atende também outras obras assistenciais espalhadas pelo estado.
A fundadora do Asilo de Órfãs São Benedito cooperou muito com esta obra
filantrópica. Sempre vestida com o burel de São Benedito, fazia sua peregrinação pelas ruas da cidade com o objetivo de arrecadar donativos para manter as meninas. http://www.ufpel.tche.br/cic/2009/cd/pdf/CH/CH_00394.pdf