Princesa ANASTÁCIA

São poucos os dados concretos sobre essa escrava negra, filha de
uma princesa bantu. A aldeia dessa princesa foi invadida pelos portugueses
e um comerciante portuguêss engravidou-a à força, trazendo
- a em seguida para o Brasil. Anastácia teria nascido durante a
viagem entre a África e o Brasil.
A princesa Anastácia, como era chamada, viveu algum tempo numa fazenda de Abaete, na Bahia. ,
mas foi em Minas Gerias que ela passou a maior parte da sua vida, na fazenda
de seu pai.
Ajudando os escravos quando eram castigados, ou facilitando-lhes a fuga.De Anastácia ficou a imagem de uma mulher de grande beleza, personalidade
forte, que tinha consciência da injustiça e crueldade da
escravidão.
Um dos poucos fatos conhecidos da sua vida traz a marca dessa violência:
Por ter-se recusado a ser amante do senhor, e para que nao o mais pregasse contra a escravidao, tamparam-lhe a boca com uma mordaca de folha-de-flandres e lhe puseram uma gargantilha de ferro,a partir daí ela passou a comunicar-se atraves dos olhos.
No imaginário popular, a Escrava Anastácia foi sentenciada a usar a máscara por toda a vida. diz a tradição que Anastácia era uma mulher belíssima e que seu dono apaixonou-se por ela.Como forma de vingança, a mulher dele obrigou Anastácia a colocar a máscara sem jamais tirá-la. quando Anastácia morreu, seu rosto estava todo deformado.Morreu em 1838, vitima de gangrena em consequencia de tortura e maus-tratos.Anastácia torna-se famosa junto à população, por
lhe serem atribuídos vários milagres.Seu culto foi oficializado em1968 quando numa exposição da Igreja do Rosário Rio de Janeiro em homenagem aos 80 anos da Abolição,foi exposto um desenho de Étienne Victor Arago representando uma escrava do século XVIII com Máscara de Flandres
Fonte: Cartilha “Mulher Negra
tem História”
Alzira Rufino, Iraci, Maria Rosa, 1987.
Atualizações + sobre a Princesa Anastácia
Oficialmente a historia de Anastácia foi recuperada em 1968 na exposição sobre os 80 anos da Abolição da Escravatura, na Igreja do Rosário, cidade do Rio de Janeiro. A partir dali começou a devoção que hoje é estimada em 28 milhões de fiéis. Há inclusive um santuário da Santa Negra, no bairro Vaz Lobo.
A historia da Anastácia começa em 1740, quando um navio negreiro de nome Madalena, desembarca no porto do Rio de Janeiro, trazendo a bordo a princesa Delminda, oriunda de uma tribo bantu, da família do rei Galanga. Ele viria ser conhecido depois como Chico Rei – personagem da historia oficial de Minas Gerais, responsável pela alforria de seu povo através da extração de ouro.
Nesta mesma embarcação, juntos aos outros 112 pessoas escravizadas, Delminda foi exposta aos compradores de escravos, onde acabou comprada por mil réis pelo feitor Antonio Rodrigues Velho, representante de Joaquina Pompeu.
Porém, antes de entregá-la, ele a teria estuprado eengravidado. Por ser europeu e loiro, o feitor, seria o responsável pelos olhos azuis de Anastácia.
Anastácia nasce no dia 12 de maio de, 1741, considerada bonita desde pequena. Mas sua beleza acaba atraindo os desejos de Joaquim Antonio, filho de Dona Joaquina. A partir desse momento passa a ser assediada de várias formas, inclusive com oferta de dinheiro por sua virgindade.
Após sua recusa sistemática, Anastácia repete o destino da mãe – é violentada. Mas durante a violência sexual ela acaba ferindo o rosto do jovem.
Como castigo, Anastácia é obrigada a usar uma mascara, - a famosa descrita nas gravuras de Arago, sendo apenas retirada para que pudesse alimentar-se. Adoece por não não suportar o instrumento de martírio e a carga de trabalho. É ainda levada para o Rio de Janeiro para tratamento médico, mas morre mesmo assim. Seu corpo é enterrado na Igreja do Rosário.
Na Igreja não há registro oficial sobre o fato, mas há uma ocorrência de incêndio ainda no século XVIII, que segundo informações oficiais destruiu também toda documentação.
O culto a Escrava Anastácia é forte em várias regiões brasileiras. Ela é referencia tanto a católicos quanto aos praticantes de religiões de matriz africana.
PRECES
Prece para se livrar dos inimigos visíveis e invisíveis
Ó virgem santa virgem santa Princesa Anastácia Vós que tendes nas mãos o poder dos milagres, Do bem, do amor e da caridade Fazei com que os meus inimigos Não tenham forças nas mãos para me atingir... Não tenham forças nos olhos para me verem... Não tenham forças nos pés para me alcançarem Bem aventrurada santa Anastácia Primeira e única princesa absoluta do cativeiro Eu vos peço pelo sofrimento que passates no cativeiro Livrai-me de dia e de noite dos meus possíveis inimigos Ocultos e declarados, visíveis e invisíveis Assim seja. http://marconegro.blogspot.com/2005/06/escrava-anastscia-santa-ou-lenda.html
(voltar ao topo)
ADELINA

Adelina, a charuteira, foi uma escrava nascida em São Luís do Maranhão em meados do século 19. Filha bastarda de seu proprietário, vendia nas ruas os charutos que ele fabricava. Era o que se chamava de "escrava de ganho". Ela sabia ler e escrever e nas horas vagas costurava. Aos 16 anos já freqüentava comícios da sociedade abolicionista Clube dos Mortos, liderada por rapazes. Tornou-se informante dos abolicionistas. Descobria com antecedência os planos da polícia sobre a perseguição de escravos fugidos e avisava os companheiros.
As autoridades coloniais e imperiais reprimiram a ação de negras vendedeiras como Adelina. Elas tinham contato com escravos libertos e facilmente se tornavam intermediárias dos quilombos, vendendo os produtos que eles roubavam e comprando o que eles precisavam para sobreviver. As vendedoras de acarajé, em Salvador, e as de cocada, no Rio de Janeiro, são suas herdeiras diretas. Dicionário Mulheres do Brasil de Jorge Zahar Editora LTDA www.zahar.com.br-Revista Isto É- Fonte: Cartilha “Mulher Negra
tem História”
Alzira Rufino, Nilza Iraci, Maria Rosa, 1987.
(voltar ao topo)
Ademilde Fonseca- Cantora pernambucana nascida em 1921 criada em Macaíba (RN). Muito jovem ligou-se a um grupo seresteiro local, do qual fazia parte Laudimar Gedão Delfim, com quem veio a se casar, mudando-se com ele, em 1941, para o Rio de Janeiro.Ademilde cantou em programas de calouros até obter o sucesso com a interpretação da música “tico-tico no fubá”, de Zequinha de Abreu. Sua fama em cantar choro aumentou e ficou consagrada como a maior intérprete de choro com a música “Rato, rato” de Claudino da Costa. Em 1950 “Brasileirinho” de Waldir Azevedo foi outro sucesso. Em 1964, ao lado do cantor Jamelão, exibiu-se durante seis meses em Lisboa, Portugal. Em 1967 participou do II Festival Internacional da Canção, com a música “Fala baixinho” de Pixinguinha, com a letra de Hermínio Belo de Carvalho. Relançamento de suas principais interpretações em LP em 1975. Voltou aos palcos na década de 1980 participando do projeto Pixingão na sala Funarte. Em 1999 recebeu o Troféu Eletrobrás e o Troféu da Gafieira elite por ter popularizado o chorinho com letra.
Afra Joaquina Vieira Muniz
- Ex-escrava baiana do século XIX de origem africana, casara-se com seu próprio senhor, Sabino Franscisco Muniz, também de origem africana, que, uma vez liberto, tornara-se proprietário de escravos.Ao morrer, entre 1870 e 1872, Sabino deixou todos os bens para a mulher, inclusive escravos que, por sua determinação deveriam acompanhá-la até a morte.
Em 1872, duas escravas suas, as negras, Severina e Maria do Carmo, entraram com ação de liberdade e pedido de depósito, o que significava ficarem recolhidas até o fim do processo num lugar seguro indicado pelo juiz, que poderia ser a cadeia ou a casa de particulares. Comprometiam-se a acompanhar, na condição de libertas- ou seja, sem estarem submetidas a determinadoas castigos- a mulher do seu ex-senhor. Contudo, perderam a ação e ficaram obrigadas a permanecer como escravas de Afra até que ela morresse. -Fonte: Cecícila Moreira Soares,"Mulher negra na Bahia no século XIX"- .Dicionário Mulheres do Brasil-Editora Jorge Zahar-Erico Vidal Brasil-Schuma Schumaher
(voltar ao topo)
Alzira Rufino -Alzira Rufino-Nascida em 06/07/1949 na Santa Casa de Santos reside há 62 anos na cidade de Santos-São Paulo.
Seguidora das tradições do candomblé, oriunda de uma família humilde, filha de estivador do Porto de Santos, morava numa casa de cômodos no Bairro do Macuco, catava café com mãe e desde pequena trabalhou para ajudar no sustento da casa.
Destaca-se como importante ativista política do Movimento Negro e no Movimento de Mulheres Negras. Escritora sobre as questões da população negra foi a primeira escritora negra a ter seu depoimento registrado pelo Museu de Literatura Mário de Andrade, de São Paulo.
Sua participação pioneira na mídia impressa e televisiva da região de Santos (SP) onde nasceu, divulgando a situação das mulheres negras e da violência contra a mulher, em muito contribuiu para o debate público, denúncias e o envolvimento da mídia nessas questões. Além dos artigos que escreve para revistas e jornais em todo o país e no exterior, ganhou diversos prêmios pela publicação de sua poesia, ficção e ensaios. Desde 2001, edita a Revista Eparrei, de circulação semestral, voltada para a cultura negra.
Responsável pela organização, em 1985, da Primeira Semana da Mulher da região da Baixada Santista; a fundação do Coletivo de Mulheres Negras da Baixada Santista, em 1986, um dos mais antigos grupos de mulheres negras do Brasil; a criação, em 1987, do Coral Infantil Omó Oyá e do Grupo de Dança Afro Ajaína; bem como a fundação da Casa de Cultura da Mulher Negra
no ano de 1990, são exemplos marcantes da incansável atuação de Alzira Rufino.
O reconhecimento de seu trabalho lhe rendeu várias homenagens, dentre elas: Mulher do Ano, concedido em 1991, no Rio de Janeiro, pelo Conselho Nacional da Mulher Brasileira; em 1992, como primeira mulher negra - tornou-se Cidadã Emérita, homenageada pelas Câmara Municipal de Santos e Câmara Municipal de Cubatão (SP); Mulher Destaque em 2000, pela Câmara Municipal de Santos e, em 2004, Mulher Destaque- Área Direitos Humanos/Status, pelo Clube Soroptimista Internacional de Santos.
Alzira e a Casa de Cultura da Mulher Negra receberam ainda, o Prêmio Zumbi dos Palmares, concedido pela Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo. Prêmio Destaque da Câmara dos Deputados Federais,Embaixadora da Cultura Negra pelo PMDB Santos-Prêmio Internacional da Cultura Negra do IBPN- Instituto do Pensamento Negro,Premio Mulher Destaque da Primeira Igreja Batista de São Vicente –Igreja Adventista do 7.Dia e Igreja Metodista de Santos –Prêmio Zumbi de Palmares e Medalha Quintino de Lacerda do Conselho da Comunidade Negra de Santos- Prêmio Comissão do Advogado Afrodescendente daOAB-Santos-Diploma Prêmio Lélia Gonzalez de Criola RJ - Diploma Gèledes- 18 anos-Dia Internacional da Mulher –Câmara Municipal de Santos e Troféu Mamma África –Menção Especial em 2009.
Por sua experiência e atuação coordenou a Secretaria Executiva, entre 1995 e 1998, da Rede Feminista Latino-Americana e do Caribe contra a Violência Doméstica, Sexual e Racial, na sub-região Brasil. Em 2008, simultaneamente às palestras que ministrou por todo o país e exterior é Presidenta da Casa de Cultura da Mulher Negra e respondia por um serviço de apoio jurídico e psicológico, voltado para vítimas de violência doméstica, sexual e de racismo. Conferencista da Conferência Internacional sobre Violência, Abuso e Cidadania da Mulher, ocorrida na Grã-Bretanha, em novembro/96, está a frente, desde 1995, da campanha Violência contra a Mulher, uma questão de Saúde Pública e por Uma Educação sem Discriminação
Uma das responsáveis pela mobilização da criação da Casa-Abrigo de Santos (SP) e serviços voltados para a prevenção e ação contra a violência doméstica e racismo. Sua atuação na denúncia através de passeatas e artigos na mídia televisiva,falada e impressa , influenciou a instalação, em diversos municípios brasileiros, de serviços voltados para mulheres sobreviventes da violência doméstica e do racismo .O serviço de atendimento jurídico, psicológico criado em 1991 tem sido modelo para governos e grupos que atuam com as temáticas Em 2011 atua como atividade principal no aspecto da arte e cultura negra com geração de trabalho e renda ,viaja por todo Brasil e países europeus denunciando e sensibilizando governos para implantação de serviços nessa área.
(voltar ao topo)
Alzira Soriano (1897-1963) - Primeira prefeita da América Latina,nasceu em 29 de abril de 1827, em Jardim de Angicos (RN).Em sua campanha sofreu inúmeras ofensas pessoais, principalmente pela sua condição de mulher. Tomou posse na cidade de Lages (RN) e ficou no poder até a Revolução de 1930.
No dia 29 de abril de 1914, aos 17 anos, casou-se com Tomas Soriano de Souza Filho, de tradicional família pernambucana. O casal foi morar na cidade de Ceará - Mirim (RN), para onde Tomaz foi designado promotor. Em janeiro de 1919, ele faleceu, vítima da gripe espanhola. Tinham tido três filhas: Sônia, Ismênia e Maria do Céu, e Alzira estava grávida de Ivonilde. Viúva aos 22 anos foi viver com as filhas na fazenda Primavera, próxima à casa de seus pais. Pouco tempo depois aceitou o convite para viver na casa do sogro, no Recife, onde não se demorou: em menos de um ano estava de volta a Jardim de Angicos, onde assumiu a administração da propriedade.
Fonte: Cartilha “Mulher Negra
tem História”
Alzira Rufino, Iraci, Maria Rosa, 1987.Dicionário Mulheres do Brasil-Editora Jorge Zahar-Erico Vidal Brasil-Schuma Schumaher
(voltar ao topo)
Ana
Liderou uma revolta de escravos ocorrida em uma fazenda no interior do Ceará, no ano de 1835.
Ana, fingindo submissão aos capangas da fazenda onde era escrava, facilitou a entrada dos escravos rebelados à casa grande, tomando-a de assalto, mataram todos os que estavam na casa, e atearam fogo a propriedade, situada na serra do Ibiapaba, no Ceará.
Alguns dos escravos revoltos fugiram rumo a Pernambuco, outros, liderados por Ana, libertaram da cadeia do lugar o senhor Jerônimo Cabaceira, proprietário de um sítio na região, preso por ter se recusado a vender suas terras ao Senhor Francisco Carvalho, proprietário dos escravos revoltados. Este era conhecido na região por atos violentos e autoritários, ausente de sua propriedade no instante da revolta, tentou ao tentar retornar, foi interpelado por Jerônimo Cabaceira e seus irmãos, o que provocou o enforcamento de Francisco Carvalho.
A revolta se deu num instante de indignação dos escravos da senzala contra os violentos castigos impostos a uma velha escrava que cuidava dos enfermos.
Fontes:
- Caderno de Formação do MNU - Movimento negro Unificado.
- Dicionário Mulheres do brasil - De 1500 até a atualidade biográfico e ilustrado. Jorge Zahar Editor, 2000.Fonte: Cartilha “Mulher Negra
tem História”
Alzira Rufino, Iraci, Maria Rosa, 1987. Cadernos de Educação CCMN 1997
(voltar ao topo)
Ana de Jesus (séc. XVIII) - Escrava mineira forra do século XVIII , desconhece-se com que recursos conseguiu a alforria. Sabe-se apenas que era abastada o suficiente para ter escravos. Ao se casar com um de seus escravos forneceu um registro o que comprova a ocorrência de uniões estáveis entre negros na época.Fonte: Cartilha “Mulher Negra
tem História”
Alzira Rufino, Iraci, Maria Rosa, 1987.
Ana Romana Lopes do Nascimento (c.1781-?) - Forra, citada como participante da Conjuração Baiana por causa de seu envolvimento amoroso com um dos principais líderes do movimento, João de Deus.Fonte: Cartilha “Mulher Negra
tem História”
Alzira Rufino, Iraci, Maria Rosa, 1987.
Anaíde Beiriz (1905-1930) - Professora paraibana, pronunciava-se publicamente em favor da liberdade e autonomia das mulheres. Teve um romance com João Dantas, adversário político do então presidente da Paraíba, João Pessoa, que foi assassinado por seu amante. Anaíde foi perseguida e levada ao suicídio, sendo enterrada como indigente.
Fonte: Cartilha “Mulher Negra
tem História”
Alzira Rufino, Iraci, Maria Rosa, 1987.
(voltar ao topo)
Araci de Almeida (1914-1988) - Natural do Rio de janeiro-Cantora, amiga e interprete preferida de Noel Rosa, seu estilo e voz lhe proporcionaram grande aceitação no mercado musical, com gravações inesquecíveis dentre as mais de 400 que realizou.
AQUALTUNE -Século XVII
Quando os Jagas invadiram o Congo, Aqualtune foi para a frente de batalha
defender o reino, comandando um exército de 10 mil guerreiros.Filha do Rei do Congo, a princesa foi vendida como escrava para o Brasil,
em razão das rivalidades existente entre os diversos reinos africanos.
Derrotada, foi levada como escrava para um navio negreiro e desembarcada
em Recife. Dentro do sistema aviltante em que foi colocada como prisioneira,
foi obrigada a manter relações sexuais com um escravo, para
fins de reprodução.
Grávida , foi vendida para um engenho de porto Calvo, onde pela primeira
vez teve notícias de Palmares. Já nos últimos meses
de gravidez organizou sua fuga e a de alguns escravos para Palmares.Há registros em que o famoso líder negro Ganga Zumba figura como integrante de sua família, assim como Zumbi, seu neto e lendário herói de Palmares.
Ao lado de Ganga Zumba, participou da organização
de um Estado negro, que abrangia povoados distintos confederados sob a
direção suprema de um chefe.
Aqualtune instalou-se, posteriormente, num desses mocambos, povoados fortificados,
a 30 léguas ao noroeste de Porto Calvo.
Fonte: Cartilha “Mulher Negra
tem História”
Alzira Rufino, Nilza Iraci, Maria Rosa, 1987.
(voltar ao topo)
Almerinda Farias Gama
"Advogada consciente dos direitos das classes trabalhadoras,jornalista combativa e feminista de ação.Lutando pela independência econômica da mulher,pela garantia legal do trabalhador e pelo ensino obrigatório e gratuíto de todos os brasileiros em todos os graus" Texto do Panfleto de Almerinda distribuido na Campanha de 1934 para Câmara e o Senado.
Nascida em Maceió no dia 16 de maio de 1899 Almerinda Farias Gama foi uma das primeiras mulheres negras na política do Brasil.Orfã ,foi educada pela tia em Belém no Pará onde formou-se datilógrafa.Ainda bem jovem teve crônicas publicadas no Jornal A Província.A morte do filho ainda pequeno ,a viuvez precoce e a busca por um salário igual a dos homens no mercado de trabalho,transforma Almerinda numa ativista dos direitos trabalhistas. Em busca de uma renumeração digna,em 1929 fixa residência no Rio de Janeiro. Líder sindical foi presidente do Sindicato dos Datilógrafos e Taquígrafos. Apesar de viver há apenas quatro anos no Rio de Janeiro ,já tinha consolidado sua reputação de ativista feminista e sindical.Apoiou as iniciativas de Bertha Lutz ,presidente da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino.Foi a única mulher a votar como delegada na eleição dos representantes classistas para a Assembléia Nacional Constituinte no dia 03 de maio de 1933.
Em 14 de outubro de 1934 candidatou-se pelo Distrito Federal nas eleições regulares para a Câmara Federal e o Senado.Almerinda não conseguiu de eleger,mas abriu espaço para dar visibilidade para a mulher negra no cenário político nacional.Em 1935,uniu-se a um engenheiro carioca com quem teve seu segundo filho ,ambos falecidos .
Almerinda tentou atuar como jornalista,mas acabou desisitndo e também se retirando da política partidária.Em 1943 ainda participava da vida sindical como advogada e era membro da Associação dos Escreventes da Justiça do Distrito Federal.
Em 1991, foi entrevistada por Joel Zito que posteriormente produziu em parceria com o SOS Corpo de Pernanmbuco,um vídeo sobre sua vida e suas lutas,e em 1992,já doente,gravou uma pequena entrevista para a organização feminista ComMulher, de São Paulo.Na ocasião, Almerinda morava numa casa no subúrbio do Rio de Janeiro.
Fonte Shuma Schumaher/Érico Vidal Brasil -Dicionário Mulheres do Brasil Jorge Zahar Editores-2a.edição-Cadernos de Educação CCMN- Mulher Negra Tem História vol II-Alzira Rufino
(voltar ao topo)
ANTONIETA DE BARROS

Nasceu em 11 julho de 1.901, em Florianópolis (SC). Era filha de
Catarina e Rodolfo de Barros. Órfã de pai, foi criada pela
mãe. Depois dos estudos primários, ingressou na Escola Normal
Catarinense.
Antonieta teve que romper muitas barreiras para conquistar espaços
que, em seu tempo, eram inusitados para as mulheres, e, mais ainda, para
uma mulher negra. Nos anos 20, deu início às atividades
de jornalista, criando e dirigindo em Florianópolis o jornal A
Semana, mantido até 1927. Três anos depois, passou a dirigir
o periódico Vida Ilhoa, na mesma cidade.
Como educadora, fundou, logo após ter se diplomado no magistério,
o Curso Antonieta de Barros, que dirigiu até sua morte. Lecionou,
ainda, em Florianópolis, no Colégio Coração
de Jesus, na Escola Normal Catarinense e no Colégio Dias Velho,
do qual foi diretora no período de 1937 a 1945.
Na década de 30, manteve intercâmbio com a Federação
Brasileira pelo Progresso Feminino (FBPF) como revela a correspondência
trocada entre ela e Bertha Lutz, hoje preservada no Arquivo Nacional.
Na primeira eleição em que as mulheres brasileiras puderam
votar e serem votadas, filiou-se ao Partido Liberal Catarinense e elegeu-se
deputada estadual (1934-37). Tornou-se, desse modo, a primeira mulher
negra a assumir um mandato popular no Brasil. Foi também a primeira
mulher a participar do Legislativo Estadual de Santa Catarina. Depois
da redemocratização do país com a queda do Estado
Novo, concorreu a deputada estadual nas eleições de 1945,
obtendo a primeira suplência pela legendado Partido Social Democrático
(PSD). Assumiu a vaga na Assembléia Legislativa em 1947 e cumpriu
seu mandato até 1951.
Usando o pseudônimo literário de Maria da Ilha, escreveu
o livro Farrapos de idéias. Faleceu em Florianópolis no
dia 28 de março de 1952.
Fonte: Dicionário Mulheres do
Brasil de 1500 até à atualidade
Editor.: Jorge Zahar; Organizado Schuma Schumaher e Érico Vital
Brazil
(voltar
ao topo)
AUTA DE SOUZA
Nasceu em 1876 em Macaíba, Rio Grande do Norte, de uma família
próspera.
Órfã de mãe aos dois anos de idade, e de pai, aos
quatro, foi criada pela avó.
Em 1887 foi matriculada no Colégio são Vicente de Paula,
dirigido por religiosas francesas, onde aprendeu francês e leu os
clássicos e os místicos.
Com tuberculose, é obrigada a retornar à casa da avó
e completar sua formação na Biblioteca do irmão,
poeta, jornalista e deputado federal.
Em 1894, fundou o Clube do Biscoito, que promovia reuniões de poesia,
jogos e danças, nas casas de seus associados.
Escrevendo versos em Português e Francês, Auta, mesmo antes
de completar 20 anos, colaborava na imprensa de seu Estado.
Em 1901 publicou o livro “O Horto”, prefaciado por Olavo Bilac
e muito elogiado pela crítica. Esse livro foi lido tanto pelos
intelectuais como pela gente do povo, que transformou muito de seus versos
em cantigas.
Auta de Souza morreu em 1901, com apenas 25 anos de idade.
Meu Sonho
(Auta de Souza)
Eu tenho um sonho que no céu mora
Feito de luz e feito de amor,
Um sonho róseo como uma aurora,
Um sonho lindo como uma flor.
E eu vivo sempre, sempre sonhando,
O mesmo sonho de noite e dia
O mesmo sonho suave e brando
De minha vida toda a alegria.
Quando soluço, quando minh’alma,
Cheia de angústia, fica a chorar,
O sonho amado me traz a calma
E, então, minh’alma põe-se a rezar.
Quando, nas noites frias de inverno,
Eu tenho medo da tempestade,
Ele, o meu sonho, consolo eterno,
Transforma as sombras em claridade.
Quando no seio, choroso e louco,
Palpita, incerto, meu coração …
O sonho doce vem, pouco a pouco,
Trazer-me a graça de uma ilusão.
E eu canto e rio na luz dispersa
Deste dilúvio de fantasias …
Minh’alma voa no azul imersa
Buscando a pátria das harmonias.
Imagem doce, visão sagrada,
Quimera excelsa dos meus amores,
Pérola branca, delícia amada,
Bálsamo puro das minhas dores;
Ele, o meu sonho, farol que encanta,
Guia-me à pátria da salvação,
Sorriso ingênuo, relíquia santa,
Do relicário do coração!
|