Roda de Samba
sou guerreira contestada
mas levanto num segundo
vou levando a minha fé
não pense que estou parada
estou na luta na virada
sobre a lua da maré
Terra
dor submersa
meu ritual é um gesto lento
refazendo o tempo e
lúcida minha dor
lavada em água viva
refazer o tempo límpido
no silêncio da semente
a espera da colheira
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Do outro lado do rio
Eu brinco muito com a vida
Arte cênica perdida
Coca e lírio barato
Alucinógenos em cores
Anestesias mortais
Viva a vida e cachaçais
Diz que esta é a linha
Brilho chita seda pura
Coisas clássicas e quetais
Pra me forçar esta vida
Morrendo em flor
Meus Deus o que é isso
E quando
Eu vejo o verde secando
Leio cheque especial
Máscaras maquilagem
Me anestesiam
Veias não encontrarão
Elas são calibre forte
Não
não sei se tirei a couraçã
não sei se rolei na cachaça
não sei se curei a ferida
pois não suporto a ausência
quando os outros dizem não
só sei que é violência
essa marca rotulada
essa coisa velada
não
minha vida diz não
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Não sei se queres
Queres que eu fale
Queres que eu cante
Não sei se queres
Que eu bote manto
Que eu não sinta
Vulcão e lavas
A pele em brasa
Que eu não abra
Os meus portões
Que eu não corra
Pela estrada
A revoada
Que dê vôo
À liberdade.
Rurais mulheres
capim no rosto
gôzo no pêlo
na colheita da laranja
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